A BRF, dona de Sadia e Perdigão, registrou prejuízo líquido de R$ 1,546 bilhão no primeiro trimestre de 2022, revertendo lucro de R$ 22 milhões reportado no primeiro trimestre do ano passado.

A receita líquida proveniente das vendas no período somou R$ 12,04 bilhões, aumento de 13,7% sobre os R$ 10,592 bilhões de igual trimestre de 2021.

A empresa atribuiu o resultado ao cenário econômico brasileiro e geopolítico mundial que pressionou negativamente o desempenho da companhia no primeiro trimestre.

Conforme a empresa, os resultados consolidados do primeiro trimestre traduzem um contexto de muitos desafios, especialmente no mercado Brasil.

“Além da inflação global de custos potencializada pelo conflito Rússia vs Ucrânia, as vendas no varejo performaram abaixo do planejado, sobrecarregando estoques e toda a cadeia de produtiva com impactos em custos logísticos e perdas”, acrescentou a empresa.

No mais, a BRF ressaltou que foram necessárias medidas de ajuste de oferta e priorização de volumes (promoções), como forma de readequar o fluxo operacional, amplificando a redução de rentabilidade observada no período.

Segundo a empresa, como forma de encarar os desafios da indústria, ajustando a cadeia produtiva, ocorreram os seguintes efeitos: redução de estoques das nossas operações; redução de produção e ajustes na cadeia do agronegócio.

“Tais ações tiveram impacto negativo em R$ 422 milhões em efeitos não-recorrentes no trimestre, sendo R$193 milhões em redução de receita e R$ 229 milhões em aumento de custo”, detalhou a empresa.

O ebtida – lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização – ajustado foi de R$ 121 milhões, queda de 90,2%, com margem de 1% (queda de 10,6 pp).

Enquanto isso o Ebitda societário somou R$ 152 milhões, uma queda de 88,2%, com margem de 1,3% (menos 10,9 pp).

A empresa atribui o prejuízo à redução “nominal do EBIT (-R$ 1,155 bilhão a/a), consequência dos impactos one-off, sendo R$ 422 milhões na cadeia produtiva e R$ 406 milhões em hedge de commodities, e queda dos preços líquidos no mercado interno e chinês.

Além disso, destacou o impacto negativo do efeito líquido dos resultados financeiros em R$ 172 milhões; e R$ 242 milhões em maiores despesas com tributos sobre o lucro, decorrente principalmente de diferenças tributárias permanentes nas subsidiárias do exterior e da não ativação de prejuízos fiscais.

Nos primeiros três meses do ano, a BRF comercializou 1,144 milhão de toneladas de produtos, uma alta de 6,9% em comparação com as 1,070 milhão de toneladas de um ano antes. A empresa disse ainda que o fluxo de caixa operacional ficou negativo em R$ 137 milhões no período e que o fluxo de caixa livre chegou a R$ 3,691 bilhões, também negativos.

As despesas operacionais totais atingiram R$ 1,637 bilhão nos três primeiros meses deste ano, aumento de 7,9% sobre as despesas da mesma etapa do ano passado.

O lucro bruto da BRF totalizou R$ 1,113 bilhão nos três primeiros meses de 2022, recuo de 46,9% em relação ao mesmo trimestre de 2021. A margem bruta foi de 9,2% no 1T22, uma redução de 10,5 p.p. na comparação anual.

O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 774 milhões no 1T22, elevação de 28,5% em relação ao mesmo período de 2021.

O consumo de caixa totalizou R$ 3,691 bilhões no primeiro trimestre de 2022, contra geração de caixa de R$ 707 milhões na mesma etapa de 2021.

A BRF registrou receita operacional líquida no segmento Brasil de R$ 5,883 bilhões, aumento de 9,1% em comparação com igual intervalo do ano passado. O volume comercializado de carne de aves e suínos in natura e produtos processados somou 549 mil toneladas, 2,6% a mais na mesma base comparativa.

Já no segmento internacional, a receita líquida foi de R$ 5,497 bilhões, alta de 14% sobre o período encerrado em 31 de março de 2021. O volume de vendas chegou a 469 mil toneladas, aumento de 0,7% em relação às 466 mil toneladas comercializadas um ano antes. O preço médio dos produtos em reais cresceu 13,2%, para R$ 11,72 o quilo.

Quanto à operação na Ásia, a receita proveniente do mercado caiu 16,8% no primeiro trimestre do ano, para R$ 1,210 bilhão. Segundo a BRF, o crescimento de receita foi puxado, principalmente, pelo mercado internacional, sobretudo o mercado Halal, que teve aumento de 27%. O Ebitda da região dobrou na mesma comparação.

As exportações diretas da BRF somaram 144 mil toneladas, queda de 7,8%, com receita de R$ 1,630 bilhão, aumento de 27,8%, na comparação anual. A empresa diz que houve reflexo da retomada do turismo e do canal food service nos mercados internacionais, concentrado nas regiões do Oriente Médio e Américas.

O endividamento líquido totalizou R$ 12.588 milhões no 1T22, redução de R$ 4.744 milhões quando comparado ao 4T21, devido sobretudo aos recursos obtidos com o follow-on em fevereiro de 2022 e variação cambial de dívida líquida.

A alavancagem líquida da Companhia, medida pela razão entre o endividamento líquido e o EBITDA Ajustado dos últimos doze meses, atingiu 2,83x no 1T22, vs. 3,12x no 4T21 (alavancagem equivalente em USD atingiu 3,18, vs. 3,02 no 4T21).

A alavancagem líquida (proforma), considerando o EBITDA Ajustado dos últimos doze meses das mais recentes aquisições da companhia no segmento Pet Food (Hercosul e Mogiana Alimentos), atingiu 2,79x no 1T22.

Os resultados da BRF (BOV:BRFS3) referentes suas operações do primeiro trimestre de 2022 foram divulgados no dia 05/05/2022. Confira o Press Release completo!

* Com informações da ADVFN, RI das empresas, Valor, Infomoney, Estadão, Reuters

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