Pouco mais de sete meses após chegar à B3, a Getnet obteve na última sexta-feira, 08, aprovação dos acionistas para deixá-la. Agora global, a adquirente terá apenas o Grupo Santander em seu quadro de acionistas, o que, espera a instituição, dará maior flexibilidade à gestão.

A deslistagem foi aprovada em assembleia extraordinária de acionistas (AGE) realizada na sexta-feira – 96,21% dos acionistas do capital votante da empresa votaram a favor da proposta. Agora, a PagoNxt, controladora da companhia, desembolsará R$ 4,72 por Unit para comprar os papéis em circulação no mercado. O preço é o mesmo com que a empresa chegou à B3.

Com a mudança, o “pódio” das maquininhas no Brasil volta a ter, em sua maioria, empresas de capital fechado. A líder Cielo (BOV:CIEL3) continua na Bolsa, como mostrou o Broadcast na última sexta-feira, mas a Rede, vice-líder e pertencente ao Itaú Unibanco (BOV:ITUB3) (BOV:ITUB4), deixou o mercado acionário em 2012.

Terceira maior empresa do setor no País, a Getnet chegou à Bolsa através de uma cisão do Santander Brasil (BOV:SANB11), seu antigo controlador, o que significa que não fez uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) de ações. Ao entregar os papéis da adquirente a seus acionistas, o conglomerado tinha dois objetivos: destravar valor e dar visibilidade ao negócio.

O primeiro deles não saiu como o esperado. As ações da empresa dispararam nos primeiros dias de listagem, mas logo depois perderam ímpeto e liquidez. Em seu ponto mais baixo no mercado, em março, a Getnet (BOV:GETT11) era avaliada em cerca de R$ 3 bilhões, metade do valor de mercado da Cielo no mesmo período.

A listagem da Getnet foi anunciada no primeiro semestre do ano passado, período em que as “desafiantes” do setor Stone e PagSeguro negociavam próximas de suas máximas em Nova York. A intenção do Santander era de que a Getnet também fosse avaliada a altos múltiplos, tanto que além da B3, a companhia ganhou listagem na Nasdaq, bolsa americana de empresas de tecnologia.

Isso não se concretizou. A ação da empresa chegou ao mercado, em outubro do ano passado, em um momento em que a alta da Selic começava a pressionar as despesas financeiras do setor. Embora a Getnet tenha começado antes a repassar o maior custo aos clientes, o movimento de mercado também a afetou.

Em paralelo, a liquidez do ativo ficou muito abaixo dos pares. Nos últimos três meses, o giro diário das Units da Getnet foi de R$ 3,1 milhões. O da Cielo, em comparação, passou dos R$ 100,7 milhões diários. Cerca de 10% do capital da Getnet estavam com os minoritários, índice semelhante ao do Santander Brasil.

Aberta a parcerias

O negócio, porém, tem crescido. No primeiro trimestre deste ano, a Getnet processou 34,1 bilhões de euros em transações, de acordo com o Santander, e chegou a 1,23 milhão de clientes ativos. A operação brasileira ainda é a mais importante, mas a empresa de maquininhas escalou degraus no México e no mercado europeu.

Na Europa, por exemplo, a Getnet obteve significativo sucesso na Espanha, alavancada pelo balcão do Santander e pelo retorno às atividades da indústria de hospitalidade, após o pico de letalidade da pandemia da covid-19. No México, a empresa processou um volume 45% maior que no mesmo período do ano passado.

Em comum, nos dois mercados, a empresa adotou a estratégia de operar também no mar aberto, ou seja, com outros parceiros que não o Santander. É o mesmo caminho que percorre no Brasil. Em novembro do ano passado, por exemplo, a companhia estabeleceu uma parceria com o BTG+ Business, plataforma para pequenas e médias empresas do BTG (BOV:BPAC11).

Conquistar o mar aberto era um dos objetivos do Getnet ao ganhar vida própria. Essa conquista continua – agora sob o comando da PagoNxt, unidade de pagamentos do Grupo, e sem ações na Bolsa.

Informações Broadcast

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