A construtora e incorporadora Tenda totalizou um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 769,1 milhões em lançamentos no segundo trimestre de 2022, segundo prévia operacional. Isso significa queda de 22,0% ante o mesmo período de 2021, e recuo de 64,6% na comparação com o trimestre anterior.

O comunicado foi feito pela empresa (BOV:TEND3) nesta segunda-feira (18).

De abril a junho de 2022, as vendas líquidas totalizaram R$ 558,4 milhões, uma queda de 34,9% na base anual e de 3,5% ante o trimestre imediatamente anterior. A velocidade sobre a oferta (VSO líquida) foi de 22,8% no segundo trimestre, queda de 11,5 pontos porcentuais ante o mesmo período de 2021 e de 3,3% sobre o primeiro trimestre de 2022.

Segundo a Tenda, a relação distratos sobre vendas brutas encerrou o segundo trimestre de 2022 em 24,0% apresentando aumento de 13,5 pontos porcentuais (p.p.) na comparação anual e de 3,7 p.p. sobre o primeiro trimestre deste ano.

“Apesar deste indicador estar acima dos patamares históricos, temos a partir dele a oportunidade de revendermos unidades distratadas com importantes ganhos de preço”, explica a empresa, no comunicado que acompanha as prévias operacionais.

No segundo trimestre de 2022, o banco de terrenos atingiu o VGV de R$ 12,9 bilhões, 7,8% a mais que no mesmo trimestre de 2021 e de 0,2% na comparação com janeiro a março deste ano.

⇒ A Tenda pretende divulgar os resultados do 2T22 no dia 04 de agosto.

VISÃO DO MERCADO

BTG Pactual

Os resultados operacionais da Tenda no segundo trimestre de 2022 foram robustos, com a empresa cumprindo sua nova estratégia de grande alta nos preços de venda, gerando uma esperada desaceleração nas vendas líquidas, diz o BTG Pactual, em relatório.

“A perspectiva de curto prazo é desafiadora, pois as margens da Tenda devem continuar pressionadas (até o fluxo de novos projetos no balanço), e a alavancagem pode ficar acima da média (em um fluxo de caixa fraco)”, escrevem os analistas Gustavo Cambauva, Elvis Credendio e Bruno Tomazetto.

Os analistas destacam que o preço médio de venda da Tenda cresceu 24% em base anual, e embora a velocidade de vendas tenha desacelerado, ainda foi de 23%, ante 27% no trimestre anterior e 34% no segundo trimestre de 2021.

Segundo eles, as revisões recentes do programa Casa Verde Amarela são positivas, e o BTG Pactual planeja revisar suas projeções para a empresa em breve, na medida em que veem a avaliação descontada.

BTG Pactual tem recomendação de compra com preço-alvo de R$ 40,00…

Itaú BBA

A Tenda reportou um leve aumento no volume de lançamentos no segundo trimestre, na avaliação dos analistas do Itaú BBA, enquanto os resultados das vendas contratadas permaneceram fracos. O destaque foi o aumento do preço médio por unidade vendida.

Os lançamentos (participação da empresa) totalizaram R$ 769 milhões, 65% acima do primeiro trimestre, mas 22% abaixo reportado um ano antes.

“A empresa conseguiu elevar o preço médio das unidades vendidas em 9% em relação ao primeiro trimestre e 20% na base anual, para R$ 176,6 mil. Assim, as vendas contratadas atingiram R$ 558 milhões, marcando uma desaceleração tanto na comparação trimestral quanto na anual — de 4% e 35%, respectivamente”, observa o analista Daniel Gasparete, que assina o relatório.

Com isso, a velocidade de vendas recuou de 26% no final de março para 23%, refletindo a estratégia da empresa de priorizar o preço sobre a velocidade para recuperar suas margens. Um ano antes, a VSO da Tenda estava em 34%.

O repasse de recebíveis no período foi de R$ 441 milhões, abaixo dos R$ 544 milhões do primeiro trimestre e dos R$ 707 milhões de um ano antes.

Gasparete observa ainda que a empresa atuou na frente de aquisição de terrenos, adicionando um VGV de R$ 796 milhões e elevando seu banco de terrenos para R$ 12,9 bilhões. A participação adquirida via permuta de terrenos aumentou de 46% para 48% entre abril e junho. Em junho do ano passado, essa participação foi de 41%.

Citi

A prévia operacional da Tenda mostrou que as operações no grupo 2 do programa Casa Verde e Amarela (CVA) continuam turbulentas, com distratos em alta e transferências bancárias lentas, mas os preços praticados melhoraram, uma vez que uma rodada de concessões de subsídios em maio reabasteceu o poder de compra de alguns clientes, diz o Citi, em relatório.

O analista André Mazini escreve que finalmente é possível ver resultados na estratégia da empresa de otimizar a margem bruta em detrimento da velocidade de vendas, apostando que um campo competitivo menos concorrido resultaria em menor elasticidade de preço da demanda no grupo 2 do programa Casa Verde Amarela (CVA).

O preço médio vendido subiu 30% em base anual, enquanto a velocidade bruta de vendas caiu 8,3 pontos percentuais, para 30%. Já os distratos continuam elevados, em alta de 75% em base anual, retendo vendas líquidas, de acordo com o analista.

Mazini destaca ainda a reformulação do CVA no terceiro trimestre de 2022, com o grupo 2 ganhando com um mercado potencial maior, com alta nos tetos salariais, e melhorias estruturais na acessibilidade econômica dos clientes, com prazos de hipoteca estendidos e uso contínuo do FGTS como complemento salarial.

“A Tenda deve se esforçar para aproveitar ao máximo enquanto pode, pois as baixas barreiras de entrada do segmento devem remodelar as elasticidades de mercado ao trazer a concorrência de volta”, escrevem os analistas.

Citi tem recomendação neutra com preço-alvo de R$ 6,50…

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