A Embraer reportou prejuízo líquido ajustado de R$ 93,8 milhões no terceiro trimestre, ante perdas de R$ 179,7 milhões no mesmo período do ano passado, uma retração de 47,8%. De julho a setembro, a Embraer apresentou prejuízo líquido atribuído aos acionistas de R$ 160,4 milhões, 31,5% menor que o de R$ 234,2 milhões um ano antes conforme balanço enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A receita líquida somou R$ 4,872 bilhões no terceiro trimestre deste ano, uma retração de 2,8% na comparação com igual etapa de 2021, principalmente por menor receita na unidade de Defesa & Segurança e parcialmente compensada por maiores receitas na Aviação Comercial, Aviação Executiva e Serviços & Suporte.

Ebitda – juros, impostos, depreciação e amortização – recuou 25%, para R$ 282,1 milhões no terceiro trimestre, ante R$ 380,7 milhões em igual intervalo do ano passado. Com isso, a margem Ebitda foi de 5,8% no período, ante 7,6% um ano antes.

No critério ajustado, o Ebitda foi de R$ 485,4 milhões de julho a setembro, 18% maior do que os R$ 410,7 milhões no mesmo intervalo do ano passado. Com isso, a margem Ebitda ajustada foi de 10% no terceiro trimestre, ante 8,2% um ano antes.

A margem bruta consolidada, por sua vez, subiu ligeiramente em um ano, de 18,9% para 19,1%.

No trimestre, a Embraer registrou uso de caixa livre ajustado de R$ 586,6 milhões, frente a geração livre de R$ 123,3 milhões um ano antes, refletindo a maior necessidade de capital de giro para fazer frente ao maior volume de entregas de aviões projetado para o quarto trimestre.

A aviação comercial reportou um aumento na receita de 5% no ano para R$ 1.331,0 milhões. A margem bruta consolidada reportada no 3T22 foi de 5,4%, abaixo dos 6,5% reportados no 3T21, refletindo um mix menos favorávaquisição de seis aeronaves, com direito de compra para mais seis aviões. As entregas para a SalamAir serão feitas a partir do final de 2023. A TUI, por sua vez, irá receber três E195-E2 da AerCap, por meio de um contrato de leasing de longo prazo. l. Nos 9 meses acumulados de 2022 a margem bruta reportada foi de 9,9% versus 3,3% reportada no mesmo período de 2021.

A aviação executiva apresentou receita de R$ 1.419,4 milhões no 3T22, o que representa um aumento de 6% ano a ano. A margem bruta consolidada reportada no 3T22 foi de 19,7%, contra 21,0% reportados no 3T21 com melhor mix de entregas concentrado no próximo trimestre. Margem bruta de 20,6% versus 16,2% reportada nos 9M21.

Em defesa & segurança reportou uma queda de receita de 42% para R$ 533,7 milhões, impactada principalmente pelo menor reconhecimento de receita no sistema contábil PoC (Percentagem of Completion) do programa A29 em comparação ao 3T21. A margem bruta consolidada de Defesa & Segurança reportada foi de 17,3% ante 23,5% reportados no 3T21. No acumulado de 2022 a margem foi de 21,2% versus 23,6% no mesmo período de 2021.

Na parte de serviços & suporte apresentou receita de R$ 1.549,8 milhões, representando um crescimento anual de 7%, apresentando um crescimento sólido de iniciativas como programas de pesquisa, gerenciamento de reparos e novos acordos de longo prazo. A margem bruta consolidada de Serviços & Suporte no 3T22 foi de 31,0% superior aos 25,9% reportados no 2T21. A margem bruta dos 9M22 reportada foi de 30,0% versus 26,3% no mesmo período de 2021.

A Embraer entregou 10 jatos comerciais e 23 jatos executivos (15 jatos leves / 8 jatos médios/super médios) no 3T22, totalizando 27 jatos comerciais e 52 jatos executivos (33 jatos leves / 19 jatos médios/super médios) no acumulado do ano. Embora as entregas tenham sido concentradas para o 4T22 devido aos desafios da cadeia de suprimentos em 2022, elas estão dentro da média histórica do trimestre.

AVIAÇÃO COMERCIAL

No 3T22, Embraer entregou 10 jatos comerciais. A Embraer entregou nove E175 para a SkyWest e um E195-E2 para a Aircastle. No 3T22, Embraer e Republic acordaram uma redução de 31 E175. Este cancelamento foi parcialmente compensado por um pedido firme de 20 E195-E2 da Porter Airlines, somando-se aos seus 30 pedidos firmes existentes, a SalamAir que assinou um pedido firme para seis E195-E2. A Nordic Aviation Capital (NAC), maior empresa regional de leasing de aeronaves do mundo, assinou um contrato de até 10 conversões para E190F/E195F, com entregas a partir de 2024.

AVIAÇÃO EXECUTIVA

A Aviação Executiva entregou 23 aeronaves (15 jatos leves e 8 jatos médios) no 3T22. As entregas foram superiores ao 3T21 e as vendas continuaram fortes no trimestre, sendo o segundo melhor 3º trimestre dos últimos dez anos.

O crescimento nos segmentos de jatos executivos leves e médios continua forte. O crescente envelhecimento da frota indica uma tendência de um ciclo de substituição no médio prazo.

DEFESA & SEGURANÇA

Neste trimestre há quatro unidades do C-390 Millennium na linha de produção destinados à Força Aérea Brasileira (FAB), duas unidades para a Força Aérea Portuguesa e uma para as Forças de Defesa Húngaras. A campanha de testes em voo para o programa português está em andamento para preparar a integração dos testes dos sistemas da OTAN, enquanto a primeira aeronave para o programa húngaro teve sua fuselagem e estruturas de asas concluídas antes do esperado.

Além disso, no 3T22, a Embraer e a L3Harris Technologies anunciaram uma parceria para desenvolver um “Agile Tanker”, opção de reabastecimento aéreo tático para atender aos imperativos operacionais da Força Aérea dos Estados Unidos e requisitos de reabastecimento de força conjunta especialmente para ambientes sob disputa. A celebração de aditivos contratuais conclui com sucesso as negociações entre a Embraer e a Força Aérea Brasileira para reduzir de 22 para 19 o número total de aeronaves KC-390 Millennium a serem entregues.

As alterações aos Contratos preservam o fluxo de caixa da Companhia, asseguram a viabilidade econômico-financeira do programa KC-390 Millennium e não alteram e não comprometem o guidance da Companhia para 2022.

SERVIÇOS & SUPORTE

A melhoria consistente da receita ocorre apesar dos desafios contínuos na indústria aeroespacial. Os mais críticos são a escassez de materiais em todo o mundo e as restrições da cadeia de suprimentos que estão afetando a disponibilidade de estoques de peças de reposição, atrasando o tempo de resposta para reparos e aumentando a quantidade de itens pendentes.

O principal impulsionador dos serviços de Aviação Comercial foram as renovações de contratos do Programa Pool, como Azul Gerenciamento de Reparos e a LOT Polish, bem como novos clientes, incluindo Porter Airlines do Canadá, Sky High Aviation Services e Western Air, operadora da maior frota de jatos ERJ no Caribe.

Os destaques também incluem novos contratos para mais de 20 aeronaves da Breeze e Envoy Air de Manutenções Pesadas e Modificações, o lançamento de atualizações e novos recursos AHEAD (Aircraft Health and Analysis Diagnosis) e os novos E-Jets MRBR (Maintenance Review Board Report) Plano de Manutenção otimizado para reduzir os custos diretos de manutenção.

carteira de pedidos firmes (backlog) alcançou US$ 17,8 bilhões, representando um aumento de 6,0% e estável em relação ao 3T21 e 2T22. Os números da carteira de pedidos ficaram estáveis no 3T22, aumentando na Aviação Executiva e Serviços e Suporte no acumulado de 2022. Os novos pedidos firmes de 20 E195-E2 da Porter e de seis jatos E195-E2 da SalamAir foram parcialmente mitigados pelo acordo mútuo de redução de 31 E175 da Republic na carteira da Aviação Comercial do 3T22.

Em setembro, a Embraer celebrou a entrega do E-Jet de número 1.700. Um E195-E2, adquirido pela Aircastle, foi entregue à KLM Cityhopper durante uma cerimônia em São José dos Campos. O programa é um sucesso global desde o seu início, em 2004. Os E-Jets já foram adquiridos por mais de 150 companhias aéreas e empresas de leasing de 50 países.

Em outubro, a SalamAir, de Omã, e a TUI, da Bélgica, anunciaram a seleção do E195-E2 para integrar as suas respectivas frotas. A companhia aérea de Omã assinou um pedido firme para a aquisição de seis aeronaves, com direito de compra para mais seis aviões. As entregas para a SalamAir serão feitas a partir do final de 2023. A TUI, por sua vez, irá receber três E195-E2 da AerCap, por meio de um contrato de leasing de longo prazo.

A Companhia encerrou o trimestre com dívida total de R$ 6.893 bilhões, ou R$ 2.918 bilhões menor quando comparado ao 3T21 e em linha com a estratégia de melhoria da nossa estrutura de capital e gestão de passivos.

A Embraer encerrou o 3T22 com uma posição de dívida líquida de R$ 6,9 bilhões, comparada a R$ 9,8 bilhões no ano anterior. A redução do endividamento líquido da Companhia é resultado da geração de caixa nos últimos quatro trimestres e da estratégia de gestão de passivos da Embraer para reduzir a dívida bruta e as despesas com juros. Para garantir a liquidez da empresa, a Embraer obteve em 22 de outubro uma linha de crédito rotativo “RCF” no valor de até US$ 650 milhões, uma operação de crédito de US$ 100 milhões do JPMorgan/UKEF para financiar fornecedores, e foi aprovada a renovação do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para financiamento à produção e exportação de aeronaves comerciais manufaturadas, no valor de R$ 2,2 bilhões até 2027.

A maturidade do endividamento no 3T22 foi de 3,7 anos. O custo da dívida em dólar no 3T22 foi de 5,33% a.a., em linha com os 5,30% a.a. no 2T22, enquanto o custo da dívida em reais aumentou para 7,95% a.a. no 3T22 comparado a 7,32% no 2T22, devido ao aumento na taxa básica de juros.

As adições líquidas ao imobilizado totalizaram R$ 174,8 milhões no 3T22. Do valor total do 3T22, o Capex representou R$ 72,2 milhões, e o programa de pool de reposição de peças R$ 103,3 milhões. No 3T22, a Embraer investiu um total de R$ 147,2 milhões em desenvolvimento de produtos e R$ 67,2 milhões em pesquisa.

Os resultados da Embraer (BOV:EMBR3) referentes suas operações do terceiro trimestre de 2022 foram divulgados no dia 14/11/2022. Confira o Press Release completo!

* Com informações da ADVFN, RI das empresas, Valor, Infomoney, Estadão, Reuters
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