Mega planta de celulose na Ásia pode frear projetos na América Latina
A APP considera instalar uma fábrica de celulose de fibra curta na Indonésia, que pode ser o maior projeto do setor
16/02/2012 - Beneficiados por baixos custos produtivos de celulose branqueada de eucalipto, os produtores da América do Sul são, sem dúvida, os grandes responsáveis pelos novos projetos de fibra virgem em nível mundial. Até 2016, esses fabricantes trarão ao mercado 12,95 milhões de toneladas de celulose – maciçamente eucalipto –, de acordo com a lista de projetos já anunciados ou em curso da...
Mega planta de celulose na Ásia pode frear projetos na América Latina
A APP considera instalar uma fábrica de celulose de fibra curta na Indonésia, que pode ser o maior projeto do setor
16/02/2012 - Beneficiados por baixos custos produtivos de celulose branqueada de eucalipto, os produtores da América do Sul são, sem dúvida, os grandes responsáveis pelos novos projetos de fibra virgem em nível mundial. Até 2016, esses fabricantes trarão ao mercado 12,95 milhões de toneladas de celulose – maciçamente eucalipto –, de acordo com a lista de projetos já anunciados ou em curso das companhias Arauco, CMPC, Klabin e Suzano, além da estreante Eldorado Brasil.
Os maiores volumes de celulose virão de novas linhas, já que as reformas de máquinas existentes compreendem pequenos aumentos de produção. Mais da metade dos projetos sul-americanos será realizada no Brasil, mas o Chile e o Uruguai também aparecem na cena dos novos volumes de fibra de eucalipto, o que traz à tona um possível cenário de sobreoferta no médio prazo. E essa situação pode ficar ainda mais complicada para os produtores da região se a Asia Pulp & Paper (APP) decidir realmente construir uma planta de celulose no sul de Sumatra, na Indonésia.
A APP considera instalar uma fábrica de celulose de fibra curta no local, que pode ser o maior projeto do setor já realizado no planeta. A mega planta da companhia poderá ter uma capacidade entre 1,5 milhão e 2 milhões de t/ano de celulose curta, com início das operações previsto para 2015-2016. No período, a APP já espera ter sua base florestal apta para colheita e processamento da madeira.
Um executivo da APP afirmou que a empresa começou a plantar espécies com alto índice produtivo, principalmente acácia, há dois anos. Ele estima que as árvores levarão seis anos para atingir a maturidade. "A APP procura instalar uma linha de, no mínimo, 1,5 milhão de t/ano", disse. Atualmente, a maior linha de celulose do planeta está localizada na China: a planta da Asia Pacific Resources International, localizada em Rhizao, com capacidade para de 1,6 milhão de t/ano.
De acordo com o plano de investimento anunciado pelo Ministério Florestal da Indonésia, há dois anos, a APP visa a desenvolver 500 mil hectares de plantações no sul de Sumatra e nas localidades de East Kalimantan e Papua, além da construção de uma fábrica de 2 milhões de toneladas/ano de celulose para 2017. O investimento compreenderia US$ 7,5 bilhões (R$ 12,8 bilhões). A APP já conversa com os fabricantes de equipamentos de celulose e avalia as potencialidades do projeto de Sumatra.
Um contato afirmou à PPI América Latina que o empreendimento tem boas chances de vingar. "A APP tem dinheiro em caixa, por isso vejo boas perspectivas para um projeto como esse". Apesar disso, analistas ouvidos pela PPI América Latina afirmam que alguns projetos na América do Sul terão de ser repensados, tendo em vista os altos volumes de celulose em jogo. "A Fibria acabou de anunciar seus resultados trimestrais (do quarto trimestre de 2011), exibindo prejuízo pelo segundo trimestre consecutivo. Isso mostra que mesmo empresas com baixos custos produtivos podem ter prejuízos em um cenário de excesso de celulose no mercado. Se a APP construir uma nova fábrica em Sumatra, talvez um ou mais projetos sul-americanos precisarão ser reconsiderados – ou adiados ou até cancelados", avaliou o vice-presidente de fibras da RISI, Kurt Schaefer.
Durante uma coletiva de imprensa realizada em São Paulo, no dia 2 de fevereiro, o CEO da Fibria, Marcelo Castelli, afirmou que a empresa mantém sua "capacidade técnica" para colocar em operação a segunda linha de 1,5 milhão de t/ano de BEK na fábrica de Três Lagoas (MS), em 2014. "Há muitos projetos que vão iniciar em datas próximas, mas há espaço para a maturação dos mesmos. Temos de levar em consideração que nosso processo é 100% certificado e há conceitos de rastreabilidade muito claros no Brasil", argumentou o executivo para justificar a excelência brasileira na indústria de celulose em nível mundial.
Para o analista de recursos naturais do banco chileno BCI, Felipe Ruiz, as empresas daquele país (Arauco e CMPC) estão bem posicionadas para enfrentar um período de sobreoferta de celulose, uma vez que também apresentam baixos custos produtivos. "Se os novos projetos fossem na Europa ou na América do Norte, eu diria que a nova planta da APP teria condições de impactá-las severamente, uma vez que esses mercados maduros não têm como competir na fabricação de fibra virgem, principalmente, pelos custos do processo", opinou Ruiz. "Se os asiáticos veem espaço para aumento de produção de celulose, é um bom indicativo que o consumo do item irá crescer", completou o analista da brasileira SLW, Pedro Galdi.
Por Fernanda Belchior, Editora Sênior de Notícias, PPI América Latina, fbelchior@risi.com
Esta reportagem é conteúdo da PPI América Latina, uma publicação da RISI que cobre os mercados e preços de celulose e papel na América Latina. Se você tem interesse em receber a PPI América Latina, envie um email para ppila@risi.com ou acesse http://www.risiinfo.com.br
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