PIB brasileiro recua 3,8% no segundo trimestre de 2016 na comparação com o mesmo período do ano passado

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Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil retraiu 3,8% no segundo trimestre de 2016, em comparação com igual período do ano anterior (período entre abril e junho de 2015). Esse foi o nono resultado negativo consecutivo do PIB brasileiro nesta base de comparação. O item Valor Adicionado a Preços Básicos caiu 3,3%, enquanto que Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios recuaram em 6,8% entre os dois períodos.

Dentre as atividades que contribuem para a geração do Valor Adicionado, a Agropecuária registrou queda de 3,1% em relação a igual período do ano anterior. Este resultado pode ser explicado, principalmente, pelo desempenho de alguns produtos da lavoura que possuem safra relevante no segundo trimestre e pela produtividade, conforme o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA/IBGE – julho 2016), divulgado no mês de agosto. Com exceção do café, que apresentou crescimento na estimativa de produção anual de 11,2%, as demais culturas com safra neste trimestre registraram decréscimo na estimativa de produção anual e perda de produtividade: milho (-20,5%), arroz (-14,7%), algodão (-11,9%), feijão (-9,1%) e soja (-0,9%).

A Indústria sofreu queda de 3,0%. Nesse contexto, a Indústria de Transformação apresentou contração de 5,4%. O seu resultado foi influenciado pelo decréscimo da produção de máquinas e equipamentos; da indústria automotiva e outros equipamentos de transporte; produtos metalúrgicos; produtos de metal; artigos do vestuário; produtos do refino de petróleo e móveis.

A Construção também apresentou redução no volume do valor adicionado: -2,2%. Já a Extrativa Mineral caiu 4,9% em relação ao segundo trimestre de 2015, puxada principalmente pela queda da extração de minérios ferrosos. A atividade de Eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana, por sua vez, registrou expansão de 7,9%, influenciada pelo desligamento de termelétricas no 3º trimestre de 2015 e no 1º e 2º trimestres de 2016.

O valor adicionado de Serviços caiu 3,3% na comparação com o mesmo período do ano anterior, com destaque para a contração de 7,4% do Comércio (atacadista e varejista) e de 6,5% de Transporte, armazenagem e correio, puxado pelo decréscimo do transporte de carga e de passageiros. Também apresentaram resultados negativos as atividades de Outros Serviços (-4,2%), Serviços de informação (-3,7%), Intermediação financeira e seguros (-3,3%) e a Administração, saúde e educação pública (-0,9%). As Atividades imobiliárias apresentaram variação positiva de 0,1%.

Clique aqui para saber mais detalhes sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no segundo trimestre de 2016.

Pelo sexto trimestre seguido, todos os componentes da demanda interna apresentaram resultado negativo na comparação com igual período do ano anterior. No segundo trimestre de 2016, a Despesa de Consumo das Famílias caiu 5,0%. Este resultado pode ser explicado pela deterioração dos indicadores de inflação, juros, crédito, emprego e renda ao longo do período.

A Formação Bruta de Capital Fixo sofreu contração de 8,8% no segundo trimestre de 2016, a nona consecutiva. Este recuo é justificado, principalmente, pela queda das importações e da produção interna de bens de capital, sendo influenciado ainda pelo desempenho negativo da construção neste período. A Despesa de Consumo do Governo, por sua vez, caiu 2,2% em relação ao segundo trimestre de 2015.

No setor externo, as Exportações de Bens e Serviços apresentaram expansão de 4,3%, enquanto que as Importações de Bens e Serviços caíram em 10,6%, ambas influenciadas pela desvalorização cambial de 14,3% e pelo desempenho da atividade econômica registrados no período. Dentre as exportações de bens, os destaques de crescimento foram veículos automotores, agropecuária, metalurgia e papel e celulose. Na pauta de importações de bens, as maiores quedas ocorreram em siderurgia, indústria automotiva, produtos têxteis, vestuário e calçados, eletroeletrônicos e petróleo.

Série Histórica de Variação Anual Percentual do PIB Brasileiro

Confira abaixo a tabela com todos os valores percentuais de variação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro comparando um trimestre com o mesmo período no ano anterior.

Período Agropecuária Indústria Serviços Famílias Governo Investimento           PIB
1996.I 2,6 -6,0 2,7 -1,2 -3,3 -12,7 -0,6
1996.II 2,2 -3,0 3,7 1,8 -0,2 -4,1 1,3
1996.III -0,6 11,3 3,2 5,4 2,8 10,1 5,6
1996.IV 8,9 1,5 -0,3 6,7 -6,8 13,9 2,3
1997.I 7,0 3,3 1,9 7,9 1,2 11,3 3,4
1997.II 4,4 8,0 2,2 6,0 -0,8 10,7 4,8
1997.III 1,5 0,2 1,3 2,1 -5,7 8,5 1,8
1997.IV -11,0 6,4 4,7 -2,8 11,5 3,6 3,7
1998.I -1,4 0,1 1,4 -0,5 1,2 3,5 1,0
1998.II 13,1 -0,3 1,9 -1,1 2,3 2,1 1,5
1998.III 5,2 -2,7 1,8 0,0 5,4 -1,2 0,4
1998.IV -5,3 -5,2 0,7 -1,3 4,0 -4,9 -1,4
1999.I 12,6 -4,2 2,8 -0,9 0,7 -8,4 0,8
1999.II 1,6 -4,4 1,7 -0,6 1,0 -10,4 -0,4
1999.III 3,5 -3,5 0,9 -0,1 1,1 -11,3 -0,6
1999.IV 10,3 1,8 2,0 3,1 3,9 -5,0 2,2
2000.I 6,2 4,6 3,1 3,0 3,6 -0,3 4,4
2000.II 3,4 3,9 3,3 4,2 1,3 3,9 4,0
2000.III 1,5 4,4 4,3 4,7 -2,3 6,8 4,6
2000.IV -1,6 4,7 4,5 4,1 -2,8 8,8 4,6
2001.I 2,9 4,1 2,4 4,0 1,1 10,2 3,5
2001.II 3,0 0,4 3,2 3,1 2,2 2,0 2,3
2001.III 6,0 -2,6 1,7 -1,8 3,5 1,2 0,5
2001.IV 11,1 -3,9 1,0 -1,9 3,6 -7,4 -0,5
2002.I 4,7 -2,3 2,9 0,2 4,3 -7,9 0,5
2002.II 7,3 2,3 2,5 0,7 4,1 -4,3 2,3
2002.III 11,7 5,7 3,4 2,7 4,2 -0,5 4,2
2002.IV 8,8 9,2 3,6 1,6 2,8 7,6 5,2
2003.I 15,4 0,1 1,8 0,0 -0,8 3,1 2,7
2003.II 13,4 -2,0 0,9 -2,0 0,3 -6,8 0,8
2003.III 1,5 1,9 0,5 -0,7 2,0 -6,9 0,6
2003.IV 0,8 0,3 0,8 0,6 4,7 -4,9 0,6
2004.I 0,0 7,4 3,3 0,9 3,6 0,9 3,9
2004.II 2,0 8,9 5,6 3,1 6,5 11,9 6,3
2004.III 4,6 8,8 5,2 4,9 4,3 14,2 6,6
2004.IV 1,5 7,7 5,8 6,6 1,3 7,2 6,2
2005.I 3,2 4,2 4,5 5,3 3,7 1,4 4,2
2005.II 2,4 5,2 4,2 4,8 0,6 3,0 4,5
2005.III -2,0 -1,1 3,5 4,4 1,7 0,9 2,1
2005.IV 0,4 0,2 2,5 3,3 2,1 2,6 2,2
2006.I 0,5 3,3 4,6 4,9 3,0 8,8 4,3
2006.II -0,3 -1,9 3,9 5,8 2,4 3,6 2,3
2006.III 11,1 2,5 4,4 5,3 2,6 5,8 4,5
2006.IV 10,3 4,1 4,5 5,1 6,2 8,7 4,8
2007.I 3,9 4,1 5,7 6,4 4,3 7,2 5,2
2007.II 0,6 8,7 6,0 6,2 6,6 12,4 6,5
2007.III 4,7 7,0 5,4 5,8 4,9 14,2 5,9
2007.IV 4,2 5,0 6,3 7,1 0,7 13,7 6,6
2008.I 4,8 7,1 5,3 7,2 3,0 12,0 6,2
2008.II 11,1 5,2 5,8 7,0 0,5 13,6 6,3
2008.III 5,0 6,8 6,2 8,4 3,9 18,0 7,0
2008.IV 0,8 -2,3 2,1 3,5 0,9 5,5 1,0
2009.I -1,4 -10,8 1,0 2,3 3,2 -9,5 -2,4
2009.II -5,5 -8,0 0,7 4,0 2,2 -8,3 -2,2
2009.III -7,5 -5,8 1,4 4,5 0,3 -3,9 -1,2
2009.IV 1,1 5,7 5,1 7,0 6,1 13,0 5,3
2010.I 6,9 15,3 6,2 7,5 3,0 29,0 9,2
2010.II 10,1 13,0 6,0 5,4 5,1 22,9 8,5
2010.III 5,5 8,3 5,7 5,3 4,8 15,3 6,9
2010.IV 3,1 5,4 5,3 6,8 2,8 7,8 5,7
2011.I 5,4 5,7 4,6 6,4 2,6 8,1 5,1
2011.II 0,7 5,1 4,2 6,5 3,3 8,0 4,6
2011.III 7,7 3,9 2,7 3,9 1,8 5,6 3,5
2011.IV 10,9 1,8 2,0 2,5 1,3 5,3 2,5
2012.I -11,3 2,4 2,1 2,9 2,1 3,1 1,7
2012.II -0,2 -3,2 2,4 2,2 2,1 1,1 1,0
2012.III 4,7 -0,5 3,3 3,9 1,9 -1,5 2,5
2012.IV -5,8 -1,5 3,8 4,9 2,9 0,6 2,5
2013.I 21,7 -1,6 2,9 4,0 -0,2 3,0 2,8
2013.II 10,3 4,3 3,2 4,3 1,1 8,5 4,1
2013.III -2,7 2,9 2,7 3,5 2,5 7,3 2,8
2013.IV 3,8 3,0 2,2 2,3 2,5 4,4 2,4
2014.I 6,2 4,6 2,2 2,9 2,2 4,0 3,2
2014.II -0,6 -2,7 0,0 0,6 1,6 -6,6 -0,8
2014.III 0,3 -2,9 -0,3 0,1 1,4 -7,7 -1,1
2014.IV 2,2 -2,1 -0,3 1,7 -0,5 -6,9 -0,7
2015.I 5,4 -4,4 -1,4 -1,5 -0,5 -10,1 -2,0
2015.II 2,2 -5,7 -1,8 -3,0 -0,3 -12,9 -3,0
2015.III -2,0 -6,7 -2,9 -4,5 -0,4 -15,0 -4,5
2015.IV 0,6 -8,0 -4,4 -6,8 -2,9 -18,5 -5,9
2016.I -3,7 -7,3 -3,7 -6,3 -1,4 -17,5 -5,4
2016.II -3,1 -3,0 -3,3 -5,0 -2,2 -8,8 -3,8

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