Comércio Varejista no Brasil: Todas as atividades pesquisadas pelo IBGE apresentaram forte retração anual em Outubro de 2016

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Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em relação a outubro de 2015 (série sem ajuste), o volume de vendas do varejo recuou 8,2% em outubro de 2016, com perfil generalizado de queda entre as atividades investigadas. Vale citar que outubro de 2016 (20 dias úteis) teve um dia útil a menos do que outubro de 2015 (21 dias úteis).

Entre as atividades, Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-6,5%) exerceu a influência negativa mais intensa sobre a taxa do varejo, seguido por Móveis e eletrodomésticos (-13,3%) e Combustíveis e lubrificantes (-10,4%). Em outubro, o desempenho desses três setores, juntos, respondeu por cerca de 70,0% da taxa global do varejo.

Os resultados das demais atividades foram: Tecidos, vestuário e calçados (-12,1%); Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-7,6%); Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-6,1%), Livros, jornais, revistas e papelaria, (-17,3%); e Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação(-6,7%).

 

Variação anual no volume de vendas do comércio varejista por atividade

O segmento de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo exerceu a maior influência sobre a taxa do varejo, com recuo de 6,5% frente a outubro de 2015, vigésima primeira taxa negativa consecutiva e a mais intensa desde junho de 2003 (-8,6%). Esse desempenho reflete a redução contínua da massa real recebida entre os trimestres encerrados em outubro de 2015 e em outubro de 2016. A essencialidade dos produtos comercializados nesse setor é o principal fator que explica o seu desempenho acima da média. Os acumulados foram de -3,3% no ano e -3,5% nos últimos 12 meses.

O recuo de 13,3% no volume de vendas de Móveis e eletrodomésticos exerceu o segundo impacto negativo mais intenso sobre a taxa global do varejo. Nos acumulados, as variações do setor foram de -13,6% no ano e de -14,3% nos últimos 12 meses. Com uma dinâmica de vendas associada à disponibilidade de crédito, os resultados do setor ficaram abaixo da média geral e foram influenciados principalmente pela alta dos juros entre outubro de 2016 e outubro de 2015.

Combustíveis e lubrificantes, com recuo de 10,4% no volume de vendas em relação a outubro de 2015, deu a terceira contribuição negativa mais intensa ao resultado do varejo. Os acumulados foram de -9,8% no ano e de -10,0% nos últimos 12 meses.

O setor de Tecidos, vestuário e calçados, cujo volume de vendas recuou 12,1%, exerceu a quarta influência mais intensa sobre a taxa do varejo. Os acumulados foram de -11,4% no ano e de -11,5% para os últimos 12 meses.

O volume de vendas de Outros artigos de uso pessoal e doméstico, que engloba segmentos como lojas de departamentos, ótica, joalheria, artigos esportivos, brinquedos etc., recuou 7,6% em relação a outubro de 2015, décimo quarto resultado negativo nessa comparação, exercendo a quinta maior influência na taxa do varejo. Nos acumulados, as variações foram: -11,3% no ano e -10,3% nos últimos 12 meses. O desempenho negativo desta atividade reflete a redução do poder de compra das famílias entre outubro de 2015 e outubro de 2016.

O volume de vendas de Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria recuou 6,1% sobre outubro de 2015. Os acumulados do ano e dos últimos 12 meses registraram os recuos menos intensos entre todas as atividades pesquisadas: -1,5% e -0,8%, respectivamente.

A atividade de Livros, jornais, revistas e papelaria, papelaria influenciou negativamente o resultado total do varejo, apresentando variação no volume de vendas de -17,3% sobre outubro de 2015, e taxas acumuladas de -17,0% no ano e de -16,8% nos últimos 12 meses. A trajetória declinante desta atividade vem sendo influenciada, em especial no que tange a jornais e revistas, por certa substituição dos produtos impressos pelos de meio eletrônico.

O volume de vendas do setor de Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação recuou 6,7% em outubro. Ainda assim, as taxas acumuladas foram positivas: 14,1% no ano e 13,5% nos últimos 12 meses. Os resultados negativos em outubro refletem não só a redução de renda real e elevação dos juros, como também, especialmente para informática e comunicação, a valorização da taxa de câmbio.

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