A Palavra do Gestor - Janeiro/2017

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RETROSPECTIVA 2016

O ano de 2016 não deixa saudades para muitos brasileiros, mas não é o caso do Ibovespa que fechou o ano com uma valorização de 38,93%, atingindo os 60.227 pontos. Depois de atingir o mínimo de 37.046 pontos em 20/01/16 e a máxima de 65.291 pontos em 31/10/16. O Ibovespa (BOV:IBOV) termina 2016 com o melhor desempenho desde 2009.

Histórico do Bovespa:

2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016
82,66% 1,04% -18,11% 7,40% -15,50% -2,91% -13,31% 38,93%

Além da queda do dólar que encerra o ano a R$ 3,259 (queda de 17,7% em relação ao ano de 2015), o principal motivo para esta melhora foi a volta da confiança do investidor com o impeachment da ex-presidente Dilma e do esfacelamento do PT, permitindo mudança da política econômica com Michael Temer, que indicou Henrique Meirelles para Ministro da Fazenda e Ilan Goldfajn como presidente do Banco Central.

No pior momento do mercado no início de 2016, a bolsa chegou a trabalhar abaixo de 9.100 pontos, em dólar; nem em 2008 com a pior crise financeira desde 1929 e da crise do “subprime” nos EUA, a bolsa brasileira não havia atingido esses níveis.

O governo anterior deixou a economia brasileira em frangalhos e totalmente desorganizada, além da corrupção sistêmica. Graças ao juiz Sergio Moro, o Brasil voltou a ter esperança, com a operação Lava-Jato, que levou para a prisão políticos inimagináveis, ex-ministros dos governos anteriores, deputados, governador, além de muitos outros empresários ligados às grandes empreiteiras. No início de dezembro começou a tão esperada delação da Odebrecht com 77 executivos da empresa e mais 800 depoimentos. Esta delação já esta fazendo Brasília tremer, pois envolve 200 políticos de todos os partidos e inclusive o atual presidente, Michael Temer.

Embora o presidente Temer esteja pressionado pela proximidade de seus ministros com a operação Lava-Jato, a delação da Odebrecht, além da investigação da chapa Dilma – Temer na eleição de 2014, que poderia afetar seu mandato. Entretanto, apesar disso, acreditamos que Temer deverá chegar ao fim do seu mandato em 2018. Sua popularidade é um pouco melhor ao da ex-presidente Dilma, porém, ele conseguiu ter o maior índice de aprovação nas votações nominais de acordo com a orientação do Planalto. Sua aprovação é superior ao do ex-presidente Lula, no seu 2º mandato, um dos mais bem sucedidos até então. A aprovação da PEC do teto foi uma grande vitória para o governo, sendo fundamental para evitar que as despesas cresçam acima da inflação e não cause descontrole nas contas públicas. O próximo grande desafio do governo será a reforma da Previdência, além da trabalhista e política. Estas reformas são fundamentais para tentar colocar as finanças brasileiras em ordem e criar condições macro econômicas para o Brasil voltar a crescer.

Com a austeridade do Banco Central, já se conquistou alguns avanços na inflação e na taxa de juros. Depois que a inflação estourou a meta nos últimos anos, consecutivamente, em 2016, ela está encerrando dentro da meta (centro da meta – 6,5%), porém no intervalo superior. Com este número, foi possível o BC fazer 2 cortes de 0,25%, trazendo a Selic de 14,25 para 13,75%. Para 2017 e 2018, a expectativa é de uma inflação no centro da meta de 4,50%. Muitos economistas já estão apostando na Selic de um dígito para o final de 2017. Nossa Opinião:  Nós trabalhamos para 2017 com Selic próximo de 10,50%.

Na última reunião do Copom em dezembro, O BC não foi mais agressivo por conta do câmbio, que repicou até R$ 3,50. O mercado ficou estressado com a possibilidade do FED, Banco Central americano, ser mais “hawkish”, ou seja, mais conservador em relação ao aperto monetário. Decisão esta que se concretizou em 14/12/16, passando do intervalo de 0,25 – 0,50% para 0,50% a 0,75%, primeiro aumento desde dezembro/15. Com Donald Trump na Casa Branca podemos esperar uma política fiscal expansionista e uma economia mais forte, fazendo com que o FED continue subindo os juros. Nossa Opinião: mais 3 aumentos ao longo de 2017.

Apesar de dezembro ter sido um mês turbulento para o mercado financeiro, levando-se em conta os problemas do Congresso Nacional, a confusão com o Presidente do Senado, Renan Calheiros, as medidas anti-corrupção, Lava Jato, delações, FED e Donald Trump, terminamos o ano reticentes, porém não menos otimista.

Abaixo, estimativas para 2017:

Dados 2017
Taxa de crescimento anual do PIB 0,50%
Taxa de juros Selic – no final do ano 10,5%a.a.
Inflação anual 4,50%
Taxa de câmbio – no final do ano R$3,50
Balança comercial – saldo no final do ano US$ 47 bi
Bovespa 72.000 pontos

Fonte: RTIVertex

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