PIB brasileiro retraiu 3,6% em 2016

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Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, nos doze meses de 2016, apresentou queda de 3,6% em relação a igual período de 2015. É a maior queda acumulada para o período de janeiro a setembro desde o início da série histórica iniciada em 1996. Em 2015, o PIB havia caído 3,8%. Em decorrência desta queda, o PIB per capita alcançou R$ 30.407 (em valores correntes) em 2016, após ter recuado (em termos reais) 4,4% em relação ao ano anterior. O PIB per capita é definido como a divisão do valor corrente do PIB pela população residente no meio do ano.

A queda do PIB resultou do recuo de 3,1% do Valor Adicionado a preços básicos e da contração de 6,4% nos Impostos sobre Produtos líquidos de Subsídios. O recuo dos impostos reflete, principalmente, a redução em volume do ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) de 5,5% e dos outros impostos (-5,6%), amplificado pela queda de 16,9% do Imposto de Importação e de 11,2% do IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados) – decorrente, em grande parte, do desempenho negativo da Indústria de transformação e das importações no ano.

O resultado do Valor Adicionado neste tipo de comparação refletiu o desempenho das três atividades que o compõem: Agropecuária (-6,6%), Indústria (-3,8%) e Serviços (-2,7%).

O decréscimo em volume do Valor Adicionado da Agropecuária no ano de 2016 (-6,6%) decorreu, principalmente, do desempenho da agricultura. Segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA/IBGE), divulgado em fevereiro de 2017, culturas importantes da lavoura registraram queda na estimativa anual de produção e perda de produtividade, tendo se destacado as seguintes culturas: milho (-25,7%), cana de açúcar (-2,7%) e soja (-1,8%). Em contrapartida, algumas lavouras como trigo (22,0%), café (15,5%) e mandioca (2,8%) apontaram variação positiva na estimativa de produção anual.

Na Indústria, o destaque positivo foi o desempenho da atividade de Eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana, que cresceu 4,7% em relação a 2015 influenciada pelo efeito-base gerado pelo desligamento das termelétricas entre os dois períodos.

A Indústria de transformação, por sua vez, teve queda de 5,2% no ano. O resultado da Indústria de transformação foi influenciado, principalmente, pela redução, em volume, do Valor Adicionado da fabricação de máquinas e equipamentos, indústria automotiva, metalurgia, alimentos e bebidas, móveis e produtos de metal, borracha e plástico.

A Construção sofreu contração de 5,2%, enquanto que a Extrativa mineral acumulou recuo de 2,9%, influenciada pela queda da extração de minérios ferrosos.

Dentre as atividades que compõem os Serviços, a atividade de Transporte, armazenagem e correio sofreu queda de 7,1%, seguida por Comércio (-6,3%), Outros serviços (-3,1%), Serviços de informação (-3,0%) e Intermediação financeira e seguros (-2,8%). As Atividades imobiliárias variaram positivamente em 0,2%, enquanto que a Administração, saúde e educação públicas (-0,1%) ficou praticamente estável em relação ao ano anterior.

Na análise da despesa, a contração de 10,2% da Formação Bruta de Capital Fixo foi o destaque do ano. Este recuo é justificado, principalmente, pela queda da produção interna e da importação de bens de capital, sendo influenciado ainda pelo desempenho negativo da construção neste período. Em 2014 e 2015, a Formação Bruta de Capital Fixo já havia registrado queda de 4,2% e de 13,9%, respectivamente.

A Despesa de Consumo das Famílias caiu 4,2% em relação ao ano anterior (quando havia caído 3,9%), o que pode ser explicado pelo comportamento dos indicadores de inflação, juros, crédito, emprego e renda ao longo de todo o ano de 2016. A Despesa do Consumo do Governo, por sua vez, caiu 0,6% – ante uma queda de 1,1% em 2015.

No âmbito do setor externo, as Exportações de Bens e Serviços cresceram 1,9%, enquanto que as Importações de Bens e Serviços tiveram queda de 10,3%. Entre os produtos e serviços da pauta de exportações, os maiores aumentos foram observados em petróleo e gás natural, açúcar, automóveis, embarcações e outros equipamentos de transporte. Já entre as importações, as maiores quedas foram observadas em máquinas e equipamentos, automóveis, materiais elétricos, petróleo e derivados, bem como os serviços de transportes.

Clique aqui para saber mais detalhes sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2016.

 

Série Histórica de Variação Percentual Acumulada nos Ano do PIB Brasileiro

Confira abaixo a tabela com todos os valores percentuais de variação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro acumulado no ano.

Período Agropecuária Indústria Serviços Famílias Governo Investimento           PIB
1996.I -1,9 -0,6 5,2 2,5 -0,2 -9,2 2,5
1996.II -1,7 -2,3 5,4 2,6 -0,7 -9,8 2,1
1996.III -3,7 0,5 4,0 3,3 -0,8 -4,4 2,3
1996.IV 3,0 1,0 2,3 3,2 -1,8 1,2 2,2
1997.I 4,1 3,3 2,1 5,5 -0,7 7,4 3,2
1997.II 4,7 6,1 1,8 6,5 -0,9 11,5 4,0
1997.III 5,2 3,1 1,3 5,6 -3,1 11,0 3,0
1997.IV 0,8 4,4 2,5 3,0 1,2 8,4 3,4
1998.I -1,3 3,6 2,4 1,1 1,2 6,6 2,8
1998.II 1,0 1,6 2,3 -0,6 2,0 4,4 2,0
1998.III 1,9 0,8 2,4 -1,1 5,0 1,9 1,6
1998.IV 3,4 -2,1 1,4 -0,7 3,2 -0,2 0,3
1999.I 7,2 -3,1 1,8 -0,8 3,1 -3,0 0,3
1999.II 4,0 -4,1 1,7 -0,7 2,8 -6,2 -0,2
1999.III 3,6 -4,3 1,5 -0,7 1,7 -8,8 -0,4
1999.IV 6,5 -2,6 1,8 0,4 1,7 -8,9 0,5
2000.I 4,9 -0,6 1,9 1,3 2,4 -7,0 1,3
2000.II 5,4 1,5 2,3 2,5 2,5 -3,4 2,4
2000.III 4,9 3,7 3,2 3,8 1,6 1,3 3,8
2000.IV 2,7 4,4 3,8 4,0 -0,2 4,8 4,4
2001.I 1,8 4,3 3,7 4,3 -0,7 7,4 4,2
2001.II 1,7 3,4 3,6 4,0 -0,5 6,9 3,7
2001.III 2,9 1,5 3,0 2,3 1,0 5,4 2,7
2001.IV 5,2 -0,6 2,1 0,8 2,6 1,3 1,4
2002.I 5,7 -2,1 2,2 -0,1 3,4 -3,1 0,7
2002.II 6,9 -1,7 2,0 -0,7 3,9 -4,6 0,7
2002.III 8,4 0,5 2,4 0,4 4,0 -5,0 1,6
2002.IV 8,0 3,8 3,1 1,3 3,8 -1,4 3,1
2003.I 11,0 4,4 2,8 1,3 2,6 1,3 3,6
2003.II 12,7 3,3 2,4 0,6 1,6 0,7 3,2
2003.III 9,9 2,3 1,7 -0,3 1,1 -0,9 2,3
2003.IV 8,3 0,1 1,0 -0,5 1,6 -4,0 1,1
2004.I 4,0 1,8 1,4 -0,3 2,7 -4,5 1,4
2004.II 1,1 4,4 2,5 1,0 4,2 0,0 2,8
2004.III 1,9 6,3 3,7 2,4 4,8 5,3 4,3
2004.IV 2,0 8,2 5,0 3,9 3,9 8,5 5,8
2005.I 2,9 7,4 5,3 5,0 3,9 8,6 5,8
2005.II 3,0 6,5 5,0 5,4 2,4 6,3 5,4
2005.III 1,3 3,9 4,5 5,3 1,8 3,0 4,2
2005.IV 1,1 2,0 3,7 4,4 2,0 2,0 3,2
2006.I 0,4 1,8 3,7 4,3 1,8 3,7 3,2
2006.II -0,4 0,1 3,6 4,6 2,3 3,9 2,7
2006.III 2,9 1,0 3,8 4,8 2,5 5,1 3,3
2006.IV 4,6 2,0 4,3 5,3 3,6 6,7 4,0
2007.I 5,6 2,2 4,6 5,6 3,9 6,3 4,2
2007.II 5,9 4,9 5,1 5,7 4,9 8,5 5,3
2007.III 4,3 6,0 5,4 5,9 5,5 10,7 5,6
2007.IV 3,2 6,2 5,8 6,4 4,1 12,0 6,1
2008.I 3,5 6,9 5,7 6,6 3,7 13,1 6,3
2008.II 6,4 6,0 5,7 6,8 2,2 13,4 6,3
2008.III 6,4 6,0 5,9 7,4 2,0 14,4 6,5
2008.IV 5,8 4,1 4,8 6,5 2,0 12,3 5,1
2009.I 4,0 -0,2 3,8 5,2 2,1 6,9 3,0
2009.II -0,5 -3,5 2,5 4,5 2,5 1,3 0,8
2009.III -3,8 -6,6 1,3 3,6 1,6 -4,1 -1,2
2009.IV -3,7 -4,7 2,1 4,5 2,9 -2,1 -0,1
2010.I -1,5 1,1 3,3 5,7 2,9 6,2 2,6
2010.II 2,8 6,3 4,7 6,1 3,6 14,0 5,3
2010.III 6,3 10,3 5,8 6,3 4,8 19,5 7,5
2010.IV 6,7 10,2 5,8 6,2 3,9 17,9 7,5
2011.I 6,3 8,0 5,4 6,0 3,8 13,1 6,6
2011.II 3,7 6,1 5,0 6,3 3,4 9,8 5,6
2011.III 4,2 5,0 4,3 5,9 2,6 7,4 4,8
2011.IV 5,6 4,1 3,5 4,8 2,2 6,8 4,0
2012.I 0,8 3,3 2,8 4,0 2,1 5,6 3,1
2012.II 0,6 1,2 2,4 2,9 1,8 3,9 2,2
2012.III -0,1 0,1 2,5 2,9 1,8 2,0 1,9
2012.IV -3,1 -0,7 2,9 3,5 2,3 0,8 1,9
2013.I 5,6 -1,6 3,1 3,7 1,7 0,7 2,2
2013.II 8,5 0,2 3,2 4,2 1,5 2,6 2,9
2013.III 6,4 1,1 3,1 4,0 1,6 4,8 3,0
2013.IV 8,4 2,2 2,8 3,5 1,5 5,8 3,0
2014.I 4,7 3,5 2,8 3,5 2,0 6,1 3,2
2014.II 2,1 1,5 2,1 2,8 2,0 2,3 2,1
2014.III 3,0 -0,2 1,5 2,3 1,6 -1,5 1,2
2014.IV 2,8 -1,5 1,0 2,3 0,8 -4,2 0,5
2015.I 2,9 -3,6 0,0 1,0 0,3 -7,5 -0,8
2015.II 4,2 -4,1 -0,6 -0,1 -0,2 -9,0 -1,4
2015.III 4,0 -4,8 -1,6 -1,5 -0,8 -10,9 -2,4
2015.IV 3,6 -6,3 -2,7 -3,9 -1,1 -13,9 -3,8
2016.I -1,2 -6,9 -3,3 -5,1 -1,3 -15,8 -4,7
2016.II -4,1 -6,3 -3,4 -5,5 -1,1 -15,0 -4,8
2016.III -5,6 -5,4 -3,2 -5,2 -0,9 -13,5 -4,4
2016.IV -6,6 -3,8 -2,7 -4,2 -0,6 -10,2 -3,6

A tabela acima apresenta as taxas de crescimento acumulado nos últimos quatro trimestres para o PIB a preços de mercado, a partir de 1996. Nota-se que, após elevação de 6,5% no terceiro trimestre de 2008, o PIB começou a recuar em função dos efeitos decorrentes da crise econômica internacional até chegar à queda de 1,2% no terceiro trimestre de 2009.

Após isso, voltou a acelerar e superou o patamar de crescimento observado no período pré-crise no terceiro trimestre de 2010 (7,5%). Em seguida, o PIB acumulado em quatro trimestres seguiu a trajetória de desaceleração no decorrer dos anos de 2011 e de 2012, voltando a acelerar apenas em 2013. Em 2014 observou-se nova desaceleração das taxas de crescimento do PIB no acumulado em quatro trimestres: a taxa foi de 3,2% no primeiro trimestre, 2,1% no segundo, 1,2% no terceiro e 0,5% no último trimestre do ano. A taxa no primeiro trimestre de 2015 (-0,8%) foi a primeira negativa desde o quarto trimestre de 2009. No segundo e terceiro trimestres do ano, o PIB voltou a sofrer contração nesta base de comparação, encerrando o ano com recuo de 3,8%. A trajetória descendente do PIB se manteve em todo o ano de 2016, que acumulou queda de 3,6%.

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