Juro menor e desempregado cuidando mais da saúde reduzem ganho do Bradesco

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O lucro da seguradora do Bradesco (BOV:BBDC4) caiu neste ano por conta dos ganhos menores com juros. Como parte dos ganhos da seguradora vem da aplicação dos recursos obtidos com os prêmios recebidos no mercado financeiro, a queda da Selic para 11,25% ao ano reduziu a remuneração.

A seguradora do Bradesco teve um lucro líquido de R$ 1,374 bilhão, 0,4% abaixo do obtido no mesmo período de 2016. O lucro da seguradora contribuiu com 30% do resultado total do banco no primeiro trimestre deste ano, menos que os 34% dos dois trimestres anteriores e do mesmo período do ano passado. O retorno sobre o patrimônio da seguradora caiu de 24,9% para 20,2%.

Outro impacto para o resultado da seguradora, mais forte no ano passado, foi o aumento dos sinistros, ou seja, do uso do seguro saúde, afirma Carlos Firetti, diretor de Relações com Investidores do banco. “Com a crise financeira, houve um aumento de demissões e cancelamentos de planos de saúde por empresas, e isso provocou um aumento de sinistros em seguro saúde por conta do maior uso”, disse. “Pegamos um movimento de cauda (retardado) desse aumento do desemprego, que faz as pessoas usarem mais os serviços dos planos antes que a cobertura acabe”, explica.

Assim, a melhora dos sinistros de saúde ocorre também com a melhora da economia, quando as pessoas têm mais segurança e usam menos os planos de saúde. “Isso deve acontecer concomitantemente com a melhora da economia, e quando voltar a crescer o número de participantes em seguro saúde, tem efeito contrário”, afirmou. “Mas independentemente desses sinistros e da queda dos juros, acreditamos que a tendência, após esses ajustes, é de crescimento no seguimento de seguros no longo prazo”.

Segundo Alexandre Glohel, vice-presidente do banco, o uso maior dos seguros saúde está ligado ao desemprego. “O ano de 2016 foi desafiador pelo aumento do desemprego, que disparou um ciclo de busca por atendimento por parte do funcionário demitido”, diz. “Tem um período após a demissão que a empresa ainda dá a cobertura do seguro e o desempregado procura colocar saúde em dia, procura médios, faz exame e aumenta sinistralidade do plano”, explica. “Podemos dizer que o pior disso já passou, apesar de o desemprego estar alto, a dinâmica mudou, o crescimento do desemprego não é tão forte quanto 2015 e 2016, e isso não deve impactar a sinistralidade”.

Apesar dos aumentos de sinistros e da queda do lucro e da rentabilidade, a seguradora do Bradesco fechou o primeiro trimestre com um crescimento em prêmios de 10,6% em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 5,793 bilhões. O destaque no ano foi a área de vida e previdência, que subiu 29% em total de prêmios, para R$ 9,273 bilhões.

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