Pesquisa FOCUS - PIB, Inflação, Dólar, Juros, Dívida Pública

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PIB -A última edição da pesquisa Focus, divulgada segunda-feira (21/08), manteve a expectativa de crescimento do PIB de 2017 de 0,34% e a de 2018 em 2%.

A retomada do crescimento econômico será lenta. Tenho sido repetitivo, dizem alguns dos leitores que tenho. Não há discordância significativa, porém. São muitas as causas de emperramento do nosso crescimento. Destaco o alheamento das lideranças políticas aos problemas da economia real. Prevalecem no debate político, especialmente entre os congressistas, temas ligados ao futuro de cada um, à manutenção do poder que desfrutam e a dificuldade de financiamento de suas reeleições.

Estes temas são mais presentes entre o numeroso grupo de envolvidos com malfeitos apontados pela Lava-Jato. O legislativo federal fica dedicado à discussão de mecanismos de perpetuação de seus membros no poder e não consegue provocar o debate de importantes problemas que paralisam nosso desenvolvimento. Lamentavelmente, não se percebe qualquer tendência de mudança nesse comportamento coletivo. São poucos os que se dedicam a defender temas republicanos. Os políticos não invadiram esse terreno como fazem os sem-terra. Eles estão lá representando os eleitores que os elegeram. Logo, nós eleitores somos os únicos responsáveis pelas péssimas escolhas.

O regime democrático nos dá oportunidade de corrigir os erros de escolha a cada nova eleição. Antes de discutir os pecados dos eleitos, devemos procurar as virtudes dos que pretendemos eleger. Não há outro caminho para mudar os destinos de uma sociedade desiludida e cansada de tanta espoliação. A retomada do crescimento econômico será lenta, insisto, enquanto cada um de nós eleitores não fizer bem feita sua escolha e proporcionar uma gestão pública competente.

Conforme escreveu Delfim Neto: “O quadro econômico continua grave e preocupante, mas dá sinais de que melhora. A maior tragédia nacional, hoje, é o comportamento irresponsável e mesquinho de uma parte do Congresso Nacional, que, em pânico, revela a mais completa alienação com relação aos problemas da sociedade e está preocupada apenas em salvar o próprio umbigo… A ridícula reação às medidas de controle de gastos, o comportamento oportunista e a manifesta incapacidade de organizar-se para promover a mais importante das reformas no longo prazo —a política— sugere que, de onde nada se espera, não sairá nada mesmo…”.

Estudo do Credit Suisse demonstra que em países com recessão equivalente a do Brasil, cuja economia encolheu sete pontos percentuais desde 2014, o prazo de retomada do crescimento do PIB foi de 15 trimestres e a taxa de desemprego, de 17 trimestres. O PIB brasileiro precisa crescer 1,7% ao ano para que a taxa de desemprego comece recuar. Para que o desemprego caia mais rápido o PIB precisa crescer perto de 3% ou 4% ao ano, conclui o estudo.

Inflação – A pesquisa Focus alterou a expectativa de inflação de 2017 de 3,50% para 3,51%. A projeção para 2018 foi mantida em 4,20%.

O IPCA-15 de 0,35%, referente ao mês de agosto, índice calculado pelo IBGE e considerado indicador prévio da inflação, divulgado quarta-feira (23/08), revela uma alta inferior a que era esperada para o período por diversas fontes de análise. O índice acumulou de janeiro a agosto 1,79% e nos últimos doze meses 2,68%, sendo este o menor em quase vinte anos. A queda dos preços dos alimentos e bebidas (0,65%), assim como comunicações (0,32%) e vestuário (0,29), mais uma vez favoreceu o desempenho da inflação e dá condições para o Banco Central continuar com sua política de cortes da taxa de juros. A estimativa da pesquisa Focus para uma inflação de 3,51% este ano é factível desde que a taxa média mensal do período agosto/dezembro não ultrapasse a 0,407%. A inflação mensal média do período JAN/JUL foi de apenas 0,203%.

Dólar– O dólar à vista variou esta semana dos R$ 3,168 de segunda-feira (21/08) aos R$ 3,154 nesta sexta-feira (25/08). A pesquisa Focus desta semana reduziu a previsão da taxa do dólar de 2017 de R$ 3,25 para R$ 3,23 e a de 2018 de R$ 3,40, para R$ 3,39. A taxa de câmbio acumula alta de 0,38% na semana e de 1,25% no acumulado do mês. Apresenta queda de 2,86% no ano e de 2,62% nos últimos doze meses.

Juros – A pesquisa Focus desta semana manteve a estimativa da taxa Selic deste ano e a de 2018 em 7,50%. Com a tendência da inflação contida pelas ações do Banco Central e o trabalho da equipe econômica, a taxa dos juros passou de 14,5% para 9,25%. Economistas participantes da pesquisa tem expectativa de novos cortes nas próximas reuniões do Copom, o que torna viável atingir a taxa de 7,5% até dezembro.

Dívida Pública – A pesquisa alterou esta semana a previsão da dívida líquida do setor público de 2017 de 51,70 para 51,80% do PIB e a do exercício de 2018 de 55,13% para 55,29% do PIB. A dívida líquida do setor público corresponde ao saldo líquido do endividamento do setor público não financeiro e do Banco Central com o sistema financeiro (público e privado), o setor privado não financeiro e o resto do mundo. O saldo líquido é o balanceamento entre as dívidas e os créditos do setor público não financeiro e do Banco Central.

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