IPP: 19 das 24 atividades industriais brasileiras apresentaram crescimento de preços em Setembro de 2017

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Em setembro de 2017, o Índice de Preços ao Produtor teve variação de 1,50% em relação ao mês anterior, número bem superior ao observado na comparação entre agosto e julho de deste ano (0,29%). Entre as 24 atividades, dezenove tiveram alta de preços, contra doze do mês anterior. As outras cinco atividades pesquisadas tiveram retração nos preços medidos na porta das fábricas.

As quatro maiores variações observadas em setembro/2017 se deram entre os produtos compreendidos nas seguintes atividades industriais: indústrias extrativas (14,05%), refino de petróleo e produtos de álcool (4,47%), perfumaria, sabões e produtos de limpeza (2,64%) e outros produtos químicos (2,35%). Em termos de influência, na comparação entre setembro/2017 e agosto/2017 (1,50%), sobressaíram refino de petróleo e produtos de álcool (0,47 ponto percentual), indústrias extrativas (0,46 ponto percentual), outros produtos químicos (0,22 ponto percentual) e metalurgia (0,15 ponto percentual).

No acumulado no ano (setembro de 2017 contra dezembro de 2016), as atividades que tiveram as maiores variações percentuais foramalimentos (-8,27%), refino de petróleo e produtos de álcool (7,72%), metalurgia (6,54%) e papel e celulose (6,06%). Ainda no acumulado, os setores de maior influência foram alimentos (-1,77 ponto percentual), refino de petróleo e produtos de álcool (0,77 ponto percentual), metalurgia (0,48 ponto percentual) e veículos automotores (0,40 ponto percentual).

Em relação ao mesmo mês do ano anterior, comparando setembro de 2017 com setembro de 2016, as quatro maiores variações de preços ocorreram em indústrias extrativas (20,68%), refino de petróleo e produtos de álcool (11,39%), metalurgia (10,96%) e alimentos (-7,60%). Neste indicador, os setores de maior influência foram: alimentos (-1,65 ponto percentual), refino de petróleo e produtos de álcool (1,13 ponto percentual), metalurgia (0,79 ponto percentual) e indústrias extrativas (0,64 ponto percentual).

O Índice de Preços ao Produtor (IPP) das Indústrias Extrativas e de Transformação mede a evolução dos preços de produtos na porta de fábrica, sem impostos e fretes, e abrange informações por grandes categorias econômicas, ou seja, bens de capital, bens intermediários e bens de consumo (duráveis e semiduráveis e não duráveis). Clique aqui para saber mais detalhes sobre a performance do IPP em setembro de 2017.

A seguir são analisados com mais detalhes 8 setores que no mês de setembro 2017 encontravam-se entre os 4 principais destaques em pelo menos um dos seguintes critérios: maiores variações de preços, maiores influências, ambos nas três comparações: M/M-1, acumulado no ano e M/M-12, e as principais ponderações.

Indústrias extrativas: neste mês, os preços das indústrias extrativas tiveram variação positiva de 14,05%, uma aceleração em relação ao mês de agosto, quando os preços já haviam demonstrado variação positiva de 6,21%. Com isso, o acumulado do ano voltou a ser positivo (0,69%), algo que não se observava desde abril de 2017. Na comparação com setembro do ano anterior, houve variação positiva de 20,68%.

Alimentos: os preços do setor variaram, em média, -0,19%, a oitava variação negativa no ano. Com este resultado, as comparações de mais longo prazo, o acumulado no ano e o acumulado de 12 meses, alcançaram as maiores variações negativas da série, -8,27% e -7,60%, respectivamente. No caso do acumulado, 2017 tem as três maiores variações negativas da série (a quarta é de março de 2013, -5,23%). No caso do acumulado dos últimos doze meses, a série (iniciada em dezembro de 2010) tem apenas cinco resultados negativos, quatro nos últimos quatro meses. Vale observar que, em termos de número-índice, o de setembro, 115,15, é o menor desde novembro de 2015 (114,55), ou seja, em termos de nível de preços o atual gira em torno aos de final de 2015. Entre os produtos destacados não há interseção entre os destaques em termos de variação e os em termos de influência (veja quadro a seguir). No caso da influência, os derivados de soja impactaram positivamente o resultado, que foi contrabalançado pelas variações nos preços de “açúcar cristal” e “leite esterilizado / UHT / Longa Vida”.

Papel e celulose: em setembro, a atividade apresentou variação positiva de 0,62%, em relação a agosto. Pelo sexto mês seguido, o indicador acumulado do ano manteve-se positivo (6,06%). Comparativamente a setembro do ano anterior (M/M-12), houve variação positiva de 7,41%. Na influência, nos três indicadores, destaque para os preços da “celulose”, em linha com o mercado internacional, impulsionado pela demanda da China e da Europa.

Refino de petróleo e produtos de álcool: ao longo de 2017, os preços do setor tiveram variação positiva em quatro meses e negativa nos outros cinco. Assim mesmo, com a variação de setembro contra agosto, de 4,47%, a série alcançou o maior resultado no acumulado no ano (7,72%) e também no M/M-12, 11,39%. Vale dizer que, no caso do acumulado, até julho a variação era de -3,17%, portanto, os resultados de agosto e setembro (em setembro contra julho a variação foi de 11.24%) inverteram a tendência anterior.

Perfumaria, sabões e produtos de limpeza: os preços do setor cresceram em média 2,64%, mantendo a tendência de aumento ocorrida no mês passado, quando o índice M/M-1 foi de 3,05%, que, por sua vez, ocorreu após a maior queda de preços da série histórica (-2,22% em julho/2017). Foi a segunda maior variação positiva do ano, o qual caracterizou-se principalmente por um maior número de meses com queda de preços (5 meses com queda contra 4 com alta de preços, em média). Este índice, 2,64%, foi um dos destaques do mês por ser o terceiro maior M/M-1 da indústria geral e o segundo da indústria de transformação. A variação de preços que, em 2017, acumulava 0,43% até agosto passou a 3,08% em setembro. No acumulado em 12 meses, os preços do setor alcançaram variação de 6,89%, magnitude inferior ao que havia alcançado em setembro de 2016, com 12,60% no indicador M/M-12.

Outros produtos químicos: os preços do setor variaram, em média, 2,35%, revertendo a queda de agosto (-2,12%)e fazendo com que o patamar de preços acumulados no ano da atividade retorne a um valor positivo (1,68%). Em relação ao acumulado nos últimos 12 meses, o índice ficou em 1,94%, maior valor alcançado desde março de 2016 (5,34%), para este indicador. Estes resultados devem ser vistos à luz de uma pressão de alta nos preços dos produtos químicos, em parte função de interrupções de operações em algumas plantas que foram afetadas pelos problemas climáticos recentes.

Metalurgia: ao comparar os preços de setembro contra agosto, houve uma variação de 1,87%, sexto resultado positivo no ano, quebrando uma sequência observada de três variações negativas consecutivas. Desta forma, o setor acumulou no ano uma variação de 6,54% e, nos últimos 12 meses (M/M- 12), de 10,96%, sendo em ambos os casos a terceira maior variação observada na pesquisa. Para efeito de uma simples comparação, em setembro de 2016 o setor metalúrgico apresentava uma variação positiva de 0,05% no acumulado em 12 meses.

Veículos automotores: em setembro, a variação observada no setor foi de 0,68%, quando comparada com o mês imediatamente anterior, invertendo o sinal observado no mês passado e apresentando o terceiro maior aumento no ano, atrás apenas de janeiro (cuja variação foi de 0,74%) e de maio (1,35%). Com isso, a variação acumulada no ano alcançou 3,69%. A título de comparação, em setembro de 2016 o acumulado era de 2,39%. Nos últimos 12 meses, o setor acumulou uma variação de 5,21%, segunda maior variação para o mês de setembro neste indicador em toda a série histórica, menor apenas que o resultado apresentado em setembro de 2015, com 8,00%.

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