Situação divergente entre Brasil e EUA requer cautela do investidor

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As sinalizações divergentes do Federal Reserve e do Banco Central a respeito da trajetória das taxas de juros nos Estados Unidos e no Brasil pesaram sobre o sentimento do mercado e levaram o dólar a encerrar a semana passada no maior nível desde dezembro de 2017 na comparação ao real, acrescentando pressão à valorização da moeda norte-americana, que está em trajetória de alta desde que o governo brasileiro trocou a reforma da Previdência pela intervenção na segurança do Rio de Janeiro.

Na última quarta-feira, o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, aumentou a taxa básica de juros do país conforme o previsto, mas indicou que em 2019 espera um aperto monetário mais intenso do que o anteriormente projetado. No mesmo dia, o Banco Central cortou a Selic para uma mínima histórica, de 6,50% ao ano, e destacou que na próxima reunião do comitê de política monetária, em maio, poderá fazer uma nova redução na taxa, dada a fraqueza da inflação.

Ambos os posicionamentos sugerem que a economia brasileira pode estar se recuperando bem mais lentamente do que o projetado, ao passo que a dos Estados Unidos ganha força suficiente para voltar a um ambiente inflacionário sadio – o que significa más notícias para os ativos brasileiros, que atualmente operam no mesmo nível de risco de investimentos considerados pouco seguros.

Soma-se a esta perspectiva o ano eleitoral, que aguarda a definição dos candidatos presidenciais para ser efetivamente precificado pelo mercado, e a tensão crescente nas relações comerciais de Estados Unidos e China, que pode alterar a dinâmica de vários setores produtivos em todo o mundo se culminar numa guerra de tarifas e barreiras à importação.

Não por acaso, o Ibovespa opera praticamente no mesmo intervalo desde 26 de janeiro. Poucos dias antes, os investidores haviam recebido uma das últimas notícias realmente construtivas para desenhar o cenário do mercado neste ano – a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em segunda instância. De lá para cá, cautela foi o nome do jogo, e aparentemente continuará sendo pelas próximas semanas.

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