Juro real da NTN-B 2035 sobe para 5,96% ao ano, maior nível desde junho

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O juro real das Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B), papéis corrigidos pela inflação, chegou hoje pela manhã a 5,96% ao ano para os prazos mais longos, 2035 e 2045, as maiores taxas desde 19 de junho, segundo dados do site do Tesouro Direto. No fim do dia, as taxas recuaram para 5,91% ao ano mais IPCA, ainda assim acima dos 5,85% de ontem.

Os juros das NTN-B acompanharam a alta do dólar, das expectativas de inflação e do cenário internacional. O juro americano dos títulos de 10 anos do Tesouro dos EUA subiu hoje, 0,02 ponto percentual, para 3,09%. No Brasil, incertezas eleitorais e dúvidas sobre a continuidade dos ajustes fiscais e da Previdência forçam o dólar e os juros para cima. Hoje, o mercado elevou as estimativas para a inflação oficial, o IPCA, que também corrige as NTN-B.

Os títulos mais curtos, as NTN-B para 2024, pagavam hoje 5,80% ao ano mais IPCA, acima dos 5,73% de ontem

Os juros dos títulos prefixados mais longos, por sua vez, recuaram. O papel sem juros semestrais (LTN) para 2025 caiu de 11,77% ao ano ontem para 11, 74% hoje. Já a NTN-F, que paga juros semestrais, para 2029, caiu de 11,91% para 11,80%. No fim do dia, as taxas recuaram ainda mais, para 11,68% e 11,74% ao ano respectivamente.

A alta dos juros dos papéis do Tesouro provocou a queda no preço dos papéis que deve aparecer nos extratos dos investidores e nas cotas dos fundos de investimentos de renda fixa de duração longa, ou seja, de longo prazo. O título para 2045 foi o que mais perdeu nos últimos 30 dias, 9,79%, acumulando 8,58% no ano e 15,91% em 12 meses. Essa perda reflete a alta dos juros em relação à taxa da época. Como os juros sobem, os papéis antigos, com juros menores, perdem valor. Mas é uma perda virtual apenas e vale somente para quem vender o título hoje. Quem carregar o papel até o vencimento receberá exatamente o juro combinado.

Papéis mais curtos, como o 2035, têm perdas menores, 6,06% em 30 dias, 2,89% no ano e 7,14% em 12 meses. Já o 2024 cai 1,40% em 30 dias, mas sobe 2,27% no ano e 1,66% em 12 meses.

Os papéis prefixados com juros pagos no final, as LTNs, com vencimento 2023, sobem 1,12% em 30 dias, com ganho no ano de 2,13% e, em 12 meses, de 1,63%. O papel 2029 ganha 2,28% em 30 dias.

A taxa dos papéis do Tesouro terá forte impacto das eleições. Caso um candidato favorável às reformas fiscais e da Previdência vencer, os juros tendem a cair e quem tiver papéis com taxas mais altas terá ganhos. Já se um candidato com uma plataforma contrária às reformas poderá levar a um cenário de alta dos juros em um primeiro momento. Mas a expectativa é que, seja quem for o eleito, o futuro presidente terá de fazer algum ajuste para manter a governabilidade e a estabilidade da inflação. No curto prazo, porém, a incerteza pode elevar ainda mais as taxas de juros.

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