Julho começa com mercados de olho na reforma da Previdência, queda nos juros, guerra comercial e conflito no Irã

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O mês de julho nos mercados financeiros, que começa com o feriado do Dia da Independência nos Estados Unidos na quinta-feira, deve ser marcado pela votação da reforma da Previdência na Comissão Especial da Câmara e no plenário da Casa. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, deve correr contra o tempo para tentar aprovar o texto no plenário até o dia 18, antes do recesso parlamentar. Se não conseguir, o adiamento da votação para agosto cairá como um balde de água fria nos mercados e nos planos do governo e de grande parte dos empresários do país.

A redução dos juros, por exemplo, pedida por nove entre dez economistas, e que pode acontecer já na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de julho, depende do avanço dessa reforma, que vai garantir o equilíbrio mínimo das contas públicas e da inflação.

Lá fora, outro fator que pode influenciar a decisão do Copom e os mercados brasileiros é a retomada das negociações entre Estados Unidos e China, anunciada neste fim de semana. Segundo o presidente Donald Trump, as conversas continuarão “sem pressa”, indicando uma dificuldade muito maior para se atingir um acordo que coloque fim na guerra comercial que ameaça a economia mundial.

O conflito entre Estados Unidos e Irã também será um complicador para os mercados, ao aumentar os preços do petróleo, o que pode afetar a inflação em todo o mundo, incluindo o Brasil, e ameaçar novos protestos de caminhoneiros.

BB vê Ibovespa nos 110 mil pontos

Nos mercados, novas emissões de ações e papéis devem continuar atraindo investidores, enquanto os juros dos papéis do governo seguirão em baixa, a menos que ocorra uma piora muito grave na tramitação da Previdência ou no cenário internacional. Com a aprovação do texto, porém, o índice pode continuar em alta, atingindo 110 mil pontos no fim deste ano, uma alta de quase 9%, de acordo com as projeções do BB Investimentos.

O primeiro passo dessa caminhada ocorre nesta semana. Nesta terça-feira, o relator Samuel Moreira (PSDB-SP) lerá o texto da proposta final, já com as mudanças negociadas pelo governo e com parlamentares e grupos de pressão em relação à versão inicial, e que previa a economia de R$ 1,1 trilhão, mas com concessões a funcionários públicos e aumento de impostos sobre instituições financeiras.

Haverá ainda uma última tentativa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, de incluir os Estados e municípios na reforma nesta segunda-feira. Se tudo correr bem, a proposta pode ser votada na comissão e depois seguir para o Plenário, onde será votada em dois turnos. A votação na comissão dará uma ideia do apoio que a proposta terá no plenário. O risco é de ela ser ainda mais desidratada ou desfigurada.

Alívio com retomada das negociações EUA-China

Nesta semana, o mercado também reagirá positivamente à retomada das negociações entre EUA e China, depois do encontro entre Trump e Xi Jimping. E haverá um alívio também com a retomada das negociações entre EUA e Coreia do Norte. A esperança do mercado é que o espírito conciliador de Trump se estenda ao Irã, para reduzir a tensão no Oriente Médio e no mercado de petróleo.

Recesso pode ser suspenso para votar Previdência

A semana promete em termos de tensões com relação ao relatório complementar da reforma da Previdência e votação na comissão especial, depois de sucessivos adiamentos, afirma Álvaro Bandeira, economista-chefe do banco digital ModalMais. Ele lembra que os efeitos da reforma são de longo prazo, mas a rápida aprovação seria bom sinal do capital político do governo, que anda em baixa. Há ainda discussões de suspender o recesso do Congresso, e se isso não acontecer pode ser difícil conseguir votar em primeiro turno na Câmara até 17 de julho.

“Vamos ter muita volatilidade nos mercados de risco, e a tendência da Bovespa segue sendo de alta, com alguns sustos, é claro. Precisamos ter força par vazar o recorde de pontuação anterior em 102.012 pontos, obtido em 21 de junho”, afirma Bandeira.

Juros são destaque e podem influenciar ações

Alguns sinais de que uma eventual redução na taxa de juros no Brasil possa ocorrer nas próximas reuniões do Copom ficaram mais claros no decorrer das últimas semanas, embora o mercado ainda divida suas apostas sobre qual seria a amplitude e duração de eventual corte, afirma a equipe de análise do BB Investimentos. Para o braço de investimentos do Banco do Brasil, o novo patamar que a bolsa atingiu em junho, superando os 100 mil pontos, decorre do entendimento de que, por fatores conjunturais ou estruturais, o Banco Central vai cortar a taxa Selic, hoje de 6,5% ao ano, o que tem impacto no cálculo do preço das ações.

Sem grandes lucros das empresas, esperança é a Selic

Sob o ponto de vista de fundamentos das empresas, não há “nada novo”, diz o BB. Após o final da temporada do primeiro trimestre, a avaliação é que, de forma agregada, os números das empresas foram neutros. “Acreditamos que os resultados permaneçam assim nos próximos períodos”, diz o banco. Uma mudança desse cenário viria apenas no caso de um corte mais forte nas taxas de juros.

Cenário externo favorece redução da taxa pelo Copom

Externamente, os riscos com a desaceleração do comércio mundial têm reduzido as expectativas de crescimento mundial, com a ausência de pressão inflacionária no curto e médio prazos diminuindo as chances de movimentos de aperto monetário nos países desenvolvidos, avalia o BB Investimentos. Os retornos (yields) dos títulos de 10 anos dos EUA retornaram ao patamar de 2% ao ano, contexto que reduz o risco de apreciação mais forte do dólar no curto prazo e abre espaço para que o mercado doméstico reduza os prêmios embutidos por toda a extensão da curva de juros, reforçando a tese da redução nas taxas de desconto usadas nos cálculos das ações. Quanto menor o juro, maior o valor presente das ações.

Nova projeção de Ibovespa

Nesse contexto, o BB aproveitou a virada do semestre para revisar a pontuação-alvo do Ibovespa em 2019 para 110 mil pontos, o que representa 8,9% de upside em relação ao fechamento de junho.

Semana terá feriado nos EUA, atividade industrial e emprego nos EUA

Nesta semana, que terá na quinta-feira o feriado nos EUA, o investidor deve ficar atento na agenda econômica aos dados de emprego nos Estados Unidos, que saem na quarta e na sexta-feira. Eles pode influenciar a tendência dos juros americanos. No Brasil, na terça-feira, serão conhecidos os dados de Produção Industrial de maio.

Por aqui, na segunda, sai o Relatório Focus, do Banco Central, com as projeções do mercado. Também nesta segunda, a Neo Energia estreia suas ações na bolsa após a oferta feita na semana passada.

A Fundação Getulio Vargas (FGV) divulga na segunda também o Índice de Confiança Empresarial de junho e o Índice de Preços Semanal (IPC-S) final do mês passado. A CNI divulga os indicadores industriais de maio e o Ministério da Economia, a balança comercial de junho. Na Europa, sai o Índice de Gerentes de Compras (PMI) industrial da zona do euro e da Alemanha de junho, bem como a taxa de desemprego de maio. Nos EUA, além do PMI, sai o Índice dos Gerentes de Suprimento (ISM) de junho e os gastos com construção, importantes indicadores de atividade.

Na terça, o IBGE divulga a Produção Industrial de maio. O Banco Safra espera uma queda de 0,9% no mês e um crescimento de 5,8% em 12 meses. E a Fenabrave anuncia as vendas de veículos de junho. Na Alemanha, saem as vendas no varejo de maio. Na zona do euro, será conhecida a inflação no atacado, ou PPI de junho.

Na quarta-feira, O BC divulga o Índice de Commodities Brasil (IC-Br) de junho. Serão conhecidos o PMI de serviços da zona do euro e da Alemanha relativos a junho. No Brasil, a Fipe divulga seu índice de preços ao consumidor (IPC) de junho. Nos EUA, saem dados de emprego do setor privado da consultoria ADP. Saem também encomendas de bens duráveis às empresas americanas de maio.

Na quinta-feira, feriado nos Estados Unidos, a expectativa é de menor volume nos mercados também no Brasil. A Anfavea divulgará a produção de veículos de junho.

Na sexta-feira, saem as encomendas industriais na Alemanha e, nos EUA, os dados de emprego do payroll, que podem influenciar as taxas de juros do Federal Reserve (Fed, banco central americano).

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