Mercados aguardam decisão dos juros nos EUA; petróleo cai; Copom deve cortar Selic para 5,5%

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Os mercados financeiros começam o dia em compasso de espera, aguardando a decisão do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed, banco central americano), que deve ser anunciada hoje às 15 horas. Apesar de a maioria acreditar que a decisão já está dada, um corte de 0,25 ponto percentual, reduzindo o juro básico nos EUA de 2% a 2,25% para 1,75% a 2%, há a expectativa com a entrevista do presidente do Fed, Jerome Powell, às 15h30, que pode dar indícios de novos cortes ou do impacto da disparada do petróleo por conta dos ataques a instalações da Arábia Saudita.

Powell deve falar também sobre a disparada dos juros de curtíssimo prazo nos EUA ontem, que chegaram a 9% ao ano, quando o normal seria uma taxa próxima do juro básico, de 2,25% no máximo. A disparada mostra que faltou dinheiro no mercado e analistas reclamam que o Fed demorou para atuar, fazendo empréstimos para equilibrar as taxas, em sua primeira grande atuação desde a crise de 2008.

Outro assunto de Powell deve ser a guerra comercial. Hoje, o vice-ministro das Finanças da China chega aos EUA para retomar as negociações entre os dois países.

Petróleo em queda

O petróleo está em queda novamente, de 1,7% em Nova York, com o barril do petróleo do tipo WTI sendo negociado a US$ 58,36. Ontem, a Arábia Saudita acalmou os mercados ao afirmar que deve retomar a produção em duas semanas.

Nas bolsas, o Índice Dow Jones futuro indica queda, de 0,08%, e o Standard & Poor’s 500, de 0,09%, mesmo percentual de queda do Nasdaq. Já na Europa, as bolsas estão em ligeira alta, com o Índice Stoxx 600 subindo 0,06%, o DAX, de Frankfurt, 0,12% e o CAC, de Paris, 0,14%.

Ibovespa cai e mercado aguarda o Copom

No Brasil, o Índice Bovespa começa o dia praticamente estável, em baixa de 0,09%, aos 104.517 pontos, acompanhando os mercados internacionais e aguardando a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que deve baixar os juros básicos brasileiros de 6% ao ano para 5,5% ao ano. A decisão do Copom sai depois das 18 horas de hoje e o mercado estará atento às informações do comunicado que acompanha o anúncio da taxa.

Petróleo continua influenciando Petrobras e aéreas

A grande observação do mercado nas próximas semanas será a velocidade de recuperação da produtividade na Arábia Saudita, afirma Bruno Di Giacomo, sócio da BlackBird Investimentos. O governo saudita já informou que 50% da produção poderia voltar esta semana e o restante em algumas semanas. “E o mercado vai continuar acompanhando”, diz.

Outro termômetro será quanto tempo o governo de Donald Trump vai liberar o uso das reservas de emergência nos EUA. A preocupação do presidente é segurar a inflação para permitir queda dos juros e evitar uma recessão no país. “Se o petróleo subir muito, vai bater na inflação e o Fed para de cortar os juros”, diz.

Segundo ele, Petrobras segue como um dos papéis mais beneficiados pela alta do petróleo, apesar das declarações de que a estatal pretende segurar os preços por enquando. “A questão é quanto ela tempo consegue segurar”, diz Giacomo, comparando a situação brasileira à de Trump nos EUA. “Até podemos segurar os preços, mas o problema é o custo disso”, afirma. O etanol também acaba beneficiado pois seu preço acompanha o da gasolina, o que deve ajudar empresas produtoras como Cosan.

Já as companhias aéreas seguem como principais prejudicadas pelo aumento do petróleo. Elas não costumam ser beneficiadas por controles de preços e o combustível representa 30% de seu custo. “Podemos ter ajustes, como ontem, mas a curto e médio prazo o efeito é maléfico para as companhias aéreas”, diz.

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