Poupança capta R$ 2,43 bi em novembro, menor valor em dois anos; rendimento pode ficar abaixo da inflação; veja quando a caderneta vale a pena

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Aplicação financeira mais tradicional do país, a caderneta de poupança registrou a maior captação líquida para meses de novembro em dois anos. No mês passado, os depósitos superaram os saques em R$ 2,43 bilhões, informou hoje (5) o Banco Central. Este é o melhor resultado para o mês desde novembro de 2017, quando a poupança tinha registrado captação líquida de R$ 3,92 bilhões.

Em novembro do ano passado, os correntistas tinham depositado R$ 684,5 milhões a mais do que tinham sacado. De janeiro a novembro, os brasileiros retiraram R$ 3,88 bilhões a mais do que depositaram na caderneta. O desempenho está pior do que em 2018. No mesmo período do ano passado, as captações (depósitos) tinham superado as retiradas em R$ 23,65 bilhões.

Até 2014, os brasileiros depositavam mais do que retiravam da poupança. Naquele ano, as captações líquidas chegaram a R$ 24 bilhões. Com o início da recessão econômica, em 2015, os investidores passaram a retirar dinheiro da caderneta para cobrir dívidas, em um cenário de queda da renda e de aumento de desemprego.

Em 2015, R$ 53,57 bilhões foram sacados da poupança, a maior retirada líquida da história. Em 2016, os saques superaram os depósitos em R$ 40,7 bilhões. A tendência inverteu-se em 2017, quando as captações excederam as retiradas em R$ 17,12 bilhões, e em 2018 – captação líquida de R$ 38,26 bilhões.

Com rendimento de 70% da Taxa Selic (juros básicos da economia) para depósitos feitos a partir de 4 de maio de 2012, a poupança atraiu recursos em novembro apesar de se tornar menos atrativa porque os juros básicos estão no menor nível da história. Com a redução da Selic para 5% ao ano, o investimento deixará de render mais do que a inflação.

Para 2020, o Boletim Focus, pesquisa com instituições financeiras divulgada toda semana pelo Banco Central, prevê inflação oficial pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 3,6%. Com a atual fórmula de rendimento, a poupança renderá 3,5% no próximo ano, caso a Selic permaneça em 5%. Se a Selic for reduzida para 4,5% na semana que vem, como prevê o mercado e já indicou o Banco Central, a poupança renderá ainda menos, 3,15% ao ano ou 0,26% ao mês, líquidos de impostos.

Mas isso não vale para depósitos feitos antes de 4 de maio de 2012. Esses depósitos continuam rendendo pela regra anterior, de 0,5% ao mês, ou 6,17% ao ano, mais que o juro básico bruto. Nesses casos, vale a pena deixar o dinheiro na caderneta.

Mesmo os depósitos novos em poupança renderão mais que fundos de investimento em renda fixa conservadores, como os DI, que tenham taxa de administração acima de 0,5% ao ano. Isso ocorre porque, além da taxa de administração cobrada pelo banco, o investidor paga imposto de renda de 15% a 22,5% sobre o rendimento. Por isso, muitos bancos estão anunciando a redução das taxas de seus fundos.

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