IRB Brasil (IRBR3): Nova diretoria aponta recompra irregular de ações no início do ano

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A IRB Brasil comunicou hoje ao mercado que a nova diretoria da empresa identificou operações de recompra de ações nos meses de março e fevereiro acima do permitido pelo Conselho de Administração, de 2,85 milhões. As informações vêm na esteira de dois inquéritos na Comissão de Valores Mobiliários, abertos para investigar uma série de irregularidades na companhia que vieram à tona desde o início do ano.

Em comunicado, a IRB Brasil (BOV:IRBR3) também também disse que uma investigação independente realizada pela KPMG e Felsberg Advogados apontou os responsáveis pela disseminação de informações falsas sobre a base acionária da empresa, particularmente sobre a Berkshire Hathaway. A notícia falsa começou a circular após a forte desvalorização dos papéis em fevereiro, impulsionando uma alta de até 9% na data da divulgação.

Segundo Valor Econômico, o IRB não cita em nenhum momento o nome de qualquer executivo. Entretanto, no mês passado a CVM abriu dois inquéritos que visam aprofundar investigações relacionadas ao IRB depois de questionamentos da gestora Squadra sobre os números da companhia. O caso também vai analisar os eventos subsequentes que reforçaram a queda das ações, culminando com a renúncia do presidente José Carlos Cardoso, e do vice-presidente executivo, financeiro e de relações com investidores, Fernando Passos.

O IRB diz que esses responsáveis praticaram os atos irregulares, “em caráter individual, fora de seus mandatos e de seus poderes regulares de gestão”.

Adicionalmente, companhia diz que em apurações internas a nova diretoria detectou a existência de irregularidades no pagamento de supostos bônus a um ex-diretor e outros colaboradores, em montante já identificado de aproximadamente R$ 60 milhões.

A nova diretoria, verificou ainda que em fevereiro e março foram realizadas operações de recompra de ações que ultrapassaram as quantidades autorizadas pelo conselho de administração em 2.850.000 papéis.

“Os responsáveis primários já identificados por todas estas irregularidades apuradas não integram mais os quadros da companhia. Todas essas operações foram realizadas à revelia do conselho de administração”, diz o IRB.

Segundo a companhia, as conclusões de todas as apurações foram encaminhadas ao Ministério Público Federal (MPF), Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Superintendência de Seguros Privados (Susep). “A companhia irá colaborar com as investigações que vierem a ser conduzidas pelas autoridades competentes, fornecendo os devidos esclarecimentos, informações e documentos que se fizerem necessários.”

O IRB diz ainda que tomará as devidas providências legais a fim de se ressarcir de todos os prejuízos que lhe foram causados pelas condutas irregulares cometidas pelos indivíduos envolvidos

A resseguradora diz ainda que está comprometida em prosseguir no processo de aprimoramento constante de seus mecanismos de compliance, integridade corporativa, governança e controles internos e que pretende atuar para aperfeiçoar pontos de atenção identificados por meio das referidas investigações. “O IRB reafirma o seu compromisso com a transparência, integridade e boas práticas de governança corporativa e não admite a prática de atos irregulares por integrantes de seus quadros”.

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