Petrobras (PETR4): lucro líquido de R$ 7,1 bilhões em 2020, queda de 82,3%. Veja a opinião dos analistas

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A Petrobras registrou lucro de R$ 7,1 bilhões em 2020, queda de 82,3% em relação ao montante de 2019. A redução foi atribuída a alguns fatores como a queda de 35% do preço do petróleo, maiores perdas de valor de ativos, menores ganhos com desinvestimentos e desvalorização de 31% do dólar frente ao real.

Os resultados da Petrobras (BOV:PETR3) (BOV:PETR4) referentes suas operações do quarto trimestre de 2020 foram divulgados no dia 24/02/2021. Confira o Press Release completo!

⇒ Confira a agenda completa da divulgação dos resultados do 4T20 e referente ao ano de 2020. Confira a cobertura completa de todos os balanços referente ao ano de 2020 das empresas negociadas na B3.

O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, afirmou em sua provável última Carta do Presidente na divulgação do resultado do exercício de 2020, que entregou a recuperação em “J” que havia prometido, e que a empresa teve um desempenho excepcional em 2020, apesar do ambiente desafiador da pandemia de covid-19.

4T20

A Petrobras fechou o quarto trimestre de 2020 com lucro de R$ 59,89 bilhões, resultado 634,6% superior ao de igual período de 2019, quando a empresa teve lucro de R$ 8,15 bilhões.

Na divulgação dos resultados, a empresa afirmou que contribuiu para o lucro a reversão de “impairment” em R$ 31 bilhões, ganhos cambiais de R$ 20 bilhões e reversão de gastos passados do plano de saúde AMS, em R$ 13,1 bilhões, decorrente da revisão de obrigações futuras da empresa.

O lucro Ebitda ajustado somou R$ 47 bilhões entre outubro e dezembro, alta de 28,8% ante o mesmo período de 2019. A receita líquida do quarto trimestre somou R$ 75 bilhões, queda de 8,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O endividamento líquido da Petrobras chegou a R$ 328,27 bilhões no fim de 2020, queda de 12,1% ante o endividamento do fim de setembro do ano passado, de R$ 373,51 bilhões. Em dezembro de 2019, a cifra tinha chegado a R$ 317,86 bilhões.

Com isso, a alavancagem financeira medida pela relação entre dívida líquida e resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado chegou a 2,22 vezes, ante 2,33 vezes no fim de setembro e 2,41 vezes em dezembro de 2019.

Em dólares, a dívida líquida da estatal atingiu US$ 63,16 bilhões, ante US$ 66,21 bilhões em setembro e US$ 78,86 bilhões ao fim de dezembro de 2019.

A Petrobras investiu US$ 2,05 bilhões no quarto trimestre, queda de 35,3% na comparação com o mesmo período de 2019. Do montante, 67% correspondem a investimentos em crescimento, ou seja, para aumentar a capacidade de ativos existentes, implantar novos ativos de produção, escoamento e armazenagem e para melhora da infraestrutura. O restante foi utilizado para investimentos em manutenção.

No ano completo, os investimentos somaram US$ 8,1 bilhões — 25% abaixo que o registrado em 2019. Segundo a petroleira, a variação reflete as medidas de resiliência adotadas em março, no início da pandemia, e a revisão do portfólio de exploração e produção.

Dividendos

A Petrobras informou que seu conselho de administração aprovou remuneração aos acionistas sob a forma de dividendos no valor de R$ 10,3 bilhões, equivalente a R$ 0,787446 por ação ordinária e preferencial em circulação, com base no resultado anual de 2020.

O retorno total para o acionista Petrobras tem sido muito fraco ao longo dos últimos anos”, afirmou o presidente da companhia, Roberto Castello Branco, em carta aos acionistas publicada junto ao balanço do ano de 2020 na noite de hoje. Segundo o executivo, o valor dos dividendos é “ainda relativamente modesto”.

Porém, para o presidente da petroleira, a companhia teve “performance excepcional em um ambiente muito desafiador”.

“Em meio à severa recessão global e aos efeitos de um grande choque na indústria de petróleo, nós prometemos estruturar uma recuperação em ‘J’. A meta era sair da crise melhor que antes. Nós entregamos nossas promessas”, disse Castello Branco.

Segundo também o presidente da companhia, a Petrobras encerrou o ano de 2020 com US$ 12,4 bilhões em caixa, um valor que está “acima do nível ótimo”. Na carta aos acionistas, o executivo explicou que a companhia se beneficiou da geração de caixa para desalavancar o balanço.

“O caixa deve ser reduzido ao longo do tempo para melhorar a eficiência da alocação de capital à medida que aparecem oportunidades atrativas para pré-pagamentos de dívidas”, disse Castello Branco. “Menores endividamento e pagamentos de juros são fundamentais para melhorar a percepção de risco e liberar recursos a serem investidos”, destacou.

VISÃO DO MERCADO

Bradesco BBI

O Bradesco BBI destacou que a estatal teve um trimestre sólido, em linha com os altos padrões gerenciais da gestão de Roberto Castello Branco.

Apesar do bom resultado, o BBI apontou que várias incertezas permanecem em relação ao futuro da Petrobras e, dadas as potenciais dificuldades que a empresa possa ter em aumentar os preços dos combustíveis, prefere cases de outras companhias de exploração e produção de petróleo na América Latina.

Credit Suisse

O Credit Suisse avalia que a Petrobras cumpriu com as suas metas para 2020, apesar da queda da demanda, baixa dos preços do petróleo e problemas operacionais causados pela pandemia do coronavírus. O banco aponta que a meta de dívida em US$ 60 bilhões parece viável e destaca a alta da produção de petróleo. Mesmo assim, mantém avaliação de undeperform para os papéis da Petrobras, e preço-alvo em US$ 8 para os papéis negociados na Bolsa de Nova York.

Itaú BBA

O Itaú BBA apontou que o resultado ficou em linha com suas expectativas. Apesar de o valor dos papéis estar em nível atrativo, o banco alerta que espera volatilidade e incertezas, em meio a mudanças na gestão. Tanto sua avaliação quanto o preço-alvo estão em revisão até que o banco tenha clareza sobre o assunto.

Morgan Stanley

O Morgan Stanley comentou os resultados da Petrobras, afirmando que o Ebitda normalizado superou seu modelo e o do consenso em entre 6% e 7%.

O banco diz que, apesar do ano desafiador, a empresa anunciou dividendos totais de US$ 2 bilhões, 25% abaixo de 2019, o que considerou uma diferença modesta, destacando que fica o dobro do mínimo exigido pela lei.

Mas o Morgan Stanley destaca a percepção mais forte sobre intervenção do governo nas últimas semanas, após o anúncio da mudança do presidente da companhia (Roberto Castello Branco), que vinha tendo um bom desempenho, por um general da reserva (Joaquim Luna e Silva). O banco diz que vai avaliar a reação do mercado nas próximas semanas, ligada a fatores como uma potencial resignação de membros do conselho e outros executivos.

Os fundamentos econômicos não se alteraram, mas não devem ser o único fator no futuro, avalia o banco. Devido à incerteza, Morgan Stanley não está mantendo avaliação de risco ou preço-alvo sobre a Petrobras.

XP Investimentos

Segundo os analistas da XP Investimentos, Gabriel Francisco e Maira Maldonado, esse valor deve ser olhado com cuidado, pois há um efeito combinado de R$ 44,0 bilhões sobre o lucro divulgado que não reflete as operações da companhia.

Eles destacaram em relatório que, além disso, o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) em termos ajustados foi de R$ 31,7 bilhões, em linha com a estimativa de R$ 30,7 bilhões por uma diferença de 3%, mas 5,8% abaixo do consenso de mercado de R$ 33,6 bilhões, segundo compilação da Bloomberg.

“Notamos que nosso cálculo de Ebitda ajustado difere daquele divulgado pela companhia por excluirmos diversos efeitos não-recorrentes (ou seja, que não refletem a realidade operacional da companhia) e sem efeito caixa, de forma a tornar o resultado o mais limpo possível para efeitos de comparação”, avaliam.

Os analistas da XP ainda apontam que a Petrobras divulgou uma geração de caixa (excluindo efeitos não-recorrentes, como venda de ativos) de R$ 19,4 bilhões. “Ainda que tal geração de caixa ainda possa ser considerada saudável, notamos que configura uma redução de 29% em relação aos níveis de R$ 29,5 bilhões do terceiro trimestre”, apontam.

Já do lado positivo, a dívida líquida ao final do quarto trimestre foi de R$ 328,3 bilhões, uma redução de 2,2% em relação ao terceiro trimestre, de R$373,5 bilhões. A relação entre dívida líquida e o Ebitda ajustado da Petrobras no quarto trimestre foi de 2,22 vezes, também uma redução em relação ao nível de 2,33 vezes do terceiro trimestre de 2020, redução de endividamento que pode ser considerada como positiva por investidores, avaliam.

“A principal razão para a manutenção da nossa visão negativa para as ações da Petrobras diz respeito aos riscos que enxergamos para a companhia continuar a praticar uma política de preços de combustíveis alinhada com a paridade de importação. Notamos que mesmo após o significativo reajuste de 14,6% dos preços do diesel implementado em 19 de Fevereiro de 2021, a defasagem dos preços do diesel ainda segue elevada: estimamos 8,6% de defasagem em relação aos preços internacionais para este combustível, acrescidos da margem adicional para cumprir custos de importação”, avalia a XP.

De acordo com Franscisco e Maira, os resultados da Petrobras no quarto trimestre já ilustram a indicação de que a estatal não estava praticando preços de diesel inteiramente alinhados à paridade de importação desde meados de novembro-dezembro de 2020. “Tal prática de preços já se manifestou nos resultados do segmento de refino no quarto trimestre, com a margem bruta do segmento recuando para 10,2% ante 13,4% no terceiro trimestre (ou uma diferença de R$ 2,0 bilhões)”, avaliam. Eles também destacam que as ações da Petrobras têm apresentado elevada volatilidade desde o anúncio pelo Governo de substituição de Roberto Castello Branco como Conselheiro e Presidente da companhia pelo General Joaquim de Silva e Luna.

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A Petrobras atua nos segmentos de exploração, produção, refino, comercialização, transporte e distribuição de óleo, gás natural, energia elétrica e biocombustíveis. Possui a grande maioria dos campos de exploração do Brasil.

Fundado em 1953, deixou seu monopólio em 1997 mas continua sendo uma das mais importantes empresas do setor de energia do mundo. União possui 50% das ações da empresa.

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Governança Corporativa

As ações da Petrobras são listadas no nível 2. O IPO ocorreu em 16/03/1998.

Composição Acionária

Grupo de controle 4.793.629.957 36,75%
  Governo Federal 3.740.470.811 28,67%
  BNDESPar 917.910.888 7,04%
  BNDES 135.248.258 1,04%
Investidores não-brasileiros* 5.623.016.365 43,11%
   NYSE – ADRs 2.534.137.632 19,43%
   B3 3.088.878.733 23,68%
Investidores brasileiros* 2.627.554.939 20,14%
   Investidores institucionais 1.235.462.521 9,47%
 Varejo 1.392.092.418 10,67%
   Fundos FMP-FGTS/FIA 166.019.713 1,27%
   Varejo em geral 1.226.072.705 9,40%
Total outstanding** 13.044.201.261 100.00%
  Ações em tesouraria 295.669 0.00%
Total 13.044.496.930 100.00%
*Free float 8.250.571.304 63,25%

Ações Ordinárias (PETR3)

Grupo de controle 3.758,171.203 50.50%
  Governo Federal 3.740.470.811 50.26%
  BNDESPar 17.700.392 0.24%
Investidores não-brasileiros* 3.001.656.617
40,33%
  NYSE – ADRs 1.889.954.302 25,39%
  B3 1.111.702.315 14,94%
Investidores brasileiros* 682.403.562 9,17%
  Investidores institucionais 292.709.608 3,93%
Varejo 389.693.954 5,24%
  Fundos FMP-FGTS/FIA 150.331.690 2,02%
  Varejo em geral 239.362.264 3,22%
Total outstanding** 7.442.231.382 100.00%
  Ações em tesouraria 222.760 0.00%
Total 7.442.454.142 100.00%
*Free float 3.684.060.179 49.50%

Ações Preferenciais (PETR4)

Grupo de controle 1.035.458.754 18.48%
  BNDESPar 900.210.496 16.07%
  BNDES 135.248.258 2.41%
Investidores não-brasileiros* 2.621.359.748 46,79%
  NYSE – ADRs 644.018.330 11,50%
  B3 1.977.176.418 35,29%
Investidores brasileiros* 1.945.151.377
34,73%
  Investidores institucionais 942.752.913 16,83%
Varejo 1.002.398.464
17,90%
  Fundo FMP-FGTS/FIA 15.688.023 0,28%
  Varejo em geral 986.710.441 17,62%
Total outstanding** 5.601.969.879 100.00%
  Ações em tesouraria 72.909 0.00%
Total 5.602.042.788 100.0%
*Free float 4.566.511.125 81,52%

Desempenho da empresa na B3

No último ano, as ações da Petrobras oscilaram entre a mínima de R$ 10,85 e a máxima de R$ 31,76. No último pregão antes da divulgação do resultado do 4T20, a empresa fechou em alta de 1,41%, negociada a R$ 24,40.

Confira o histórico da Petrobras (PETR4)

Período Abertura Máxima Mínima Preço Médio Vol Médio Variação %
1 Semana 28,03 28,49 21,40 23,55 265.132.820 -5,79 -20,66%
1 Mês 27,52 30,92 21,40 25,51 123.808.122 -5,28 -19,19%
3 Meses 27,19 31,76 21,40 26,92 82.323.679 -4,95 -18,21%
6 Meses 22,78 31,76 17,74 24,09 74.830.458 -0,54 -2,37%
1 Ano 27,04 31,76 10,85 21,17 82.273.750 -4,80 -17,75%
3 Anos 21,40 31,76 10,85 23,17 67.353.791 0,84 3,93%
5 Anos 5,02 31,76 4,83 19,96 59.560.368 17,22 343,03%
* Com informações da ADVFN, RI das empresas, Valor, Infomoney, Estadão, Reuters

Comentários

  1. Manuel Jaime Hernandez Albarran diz:

    Que acionista tem direito ao dividendo da PETR4. Como é feita a esta definição?

Deixe um comentário para Manuel Jaime Hernandez Albarran