Ambev (ABEV3): lucro líquido de R$ 3,747 bilhões no 4T21, queda de 45,6%

LinkedIn

A cervejaria Ambev teve lucro líquido de R$ 3,747 bilhões no quarto trimestre de 2021, recuo de 45,6% ante o ganho de R$ 6,890 bilhões em igual período de 2020, segundo demonstrações financeiras enviadas à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nesta quinta-feira. Os valores referem-se aos atribuíveis aos controladores.

A queda expressiva no resultado, segundo a empresa, deve-se à forte base de comparativo de 2020, quando os números foram beneficiados por créditos fiscais não recorrentes, explica a empresa em se release de resultados.

A receita líquida totalizou R$ 22,010 bilhões nos últimos três meses de 2021, um avanço de 18,6% ante o reportado no mesmo período do ano anterior.

Segundo a Ambev, o desempenho foi impulsionada pelo crescimento da receita líquida por hectolitro (ROL/hl) de 15,2% no 4T21. A receita líquida cresceu em todos os mercados.

Ebitda – lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização – ajustado somou R$ 6,784 bilhões no quarto trimestre do ano passado, queda de 24,1% ante o Ebitda ajustado de R$ 8,937 bilhões no mesmo período de 2020. Já a margem Ebitda alcançou 48,2% no 4T21, baixa de 17,4 pontos percentuais na comparação com igual trimestre de 2020.

O lucro bruto totalizou R$ 11,514 bilhões no quarto trimestre do ano passado, crescimento de 11,2% em relação ao mesmo trimestre de 2020.

A margem bruta da companhia foi de 52,3% entre outubro e dezembro de 2021, baixa de 3,5 pontos percentuais.

A geração de caixa das atividades operacionais aumentou 40,5% comparado com R$ 8,393 bilhões no 4T20. Em 2021, o fluxo de caixa das atividades operacionais totalizou R$ 22,901 bilhões comparado com R$ 18,855 bilhões em 2020 (+21,5%).

A cervejaria encerrou o ano de 2021 com caixa líquido de R$ 15,411 bilhões, contra R$ 13,998 de dezembro de 2020.

⇒ Produção

O volume produzido atingiu 51,3 milhões de hectolitros no 4T21, incremento de 0,8% em relação ao mesmo período de 2020, com oito dos dez principais mercados da companhia crescendo, mais uma vez, acima de 2019.

As operações internacionais da Ambev cresceram 6,8% em volume no 4T21: América Latina Sul (LAS) +8,7%, Canadá +4,3% e América Central e Caribe (CAC) +2,5%. Cerveja Brasil reduziu em 3,1%, impactado por uma indústria fraca e por base de comparação difícil no 4T20. NAB Brasil cresceu 1,9%.

No ano, a produção total alcançou 180,3 milhões de hectolitros, crescimento de 8,8% na comparação com 2020.

⇒ Ambev estima aumento de custos

A Ambev espera que o CPV (custo dos produtos vendidos) por hectolitro, excluindo depreciação e amortização, para seu negócio de cervejas no Brasil apresente crescimento entre 16 e 19% no ano de 2022 (excluindo a venda de produtos de marketplace não Ambev e assumindo os atuais preços das commodities), em decorrência do aumento do preço das commodities e da depreciação do real.

Os resultados da Ambev (BOV:ABEV3) referentes às suas operações do quarto trimestre de 2021 foram divulgados no dia 24/02/2022. Confira o Press release na íntegra!

Teleconferência

Os executivos da Ambev, durante a teleconferência, afirmaram que apesar da ameaça da alta dos preços, com a projeção de que o custo de produtos vendidos cresça de 16% a 19% neste ano, veem o Ebitda e a receita avançando.

“De modo geral, a questão do preço já esta endereçada. Estamos confiantes com a melhoria do mix ao longo do ano. Acho que as tendências estão a nosso favor. As garrafas de 600 ml estão ganhando tração. As inovações estão dando resultados”, defendeu o diretor-executivo (CEO) da companhia, Jean Jereissati.

Os executivos da Ambev endossaram que veem seus segmentos core plus – intermediário entre as marcas populares e as marcas premium – e premium ganhando espaço ao longo de 2022 – as marcas já seriam suficientemente fortes e a fatia de mercado ainda não acompanha essa performance.

“Nossa visão de longo prazo para o portfólio premium era ter força de marca acima de market share. Construir desejo, conectar com o consumidor. Estamos fazendo isso há algum tempo e tem se mostrado uma estratégia bem sucedida. Agora, estamos vendo a demanda por essas marcas crescer. É um componente principal da nossa estratégia para aumentar margem”, afirmou Jereissati.

A companhia, com os maiores custos, pontuou que voltou a reforçar a sua participação no setor de garrafas retornáveis, que tende a diminuir os gastos com embalagens.

⇒ Cervejaria pretende continuar investindo em novas tecnologias

A Ambev destacou também que vem também fortalecendo suas plataformas de tecnologia com o Zé Delivery no segmento B2C (business to consumer ou negócio-cliente, em tradução livre), e com o BEES no B2B (business to business ou negócio-negócio).

“Estamos desenvolvendo depósitos ‘ambidestros’ que atendem tanto aos clientes quanto aos consumidores” explicou o CEO. “Temos 80% de volume na sexta-feira à noite e no sábado com clientes do B2C. Enquanto no B2B a demanda é majoritariamente distribuída ao longo da semana. São estruturas complementares”, defendeu.

Segundo ele, a margem de programas como o Zé Delivery e o BEES ainda está aquém dos demais produtos e serviços da companhia. Isso porém está mudando conforme a maturação das iniciativas – os motoristas do B2C, por exemplo, começaram a pouco a realizar duas entregas em apenas uma viagem, enxugando custos, e no B2B a empresa ainda avança, entre outras coisas, na redução das visitas de representantes comerciais a clientes.

Por fim, ainda em operação, a Ambev assegurou que nesse ano as suas despesas não crescerão tanto como no último. “Quando olhamos para 2022 e falamos em gastos, vemos menos crescimento vindo do administrativo, nos manteremos disciplinados em aumento de custo fixos”, explicou Lucas Lira, diretor financeiro (CFO). “Porém, não teremos medo de investir em tecnologia”.

De acordo com a diretoria, os US$ 3 bilhões que a Ambev tem em caixa serão destinados, prioritariamente, às melhorias tecnológicas e no crescimento. “Nossa prioridade número um é investir no futuro. Vamos continuar a retornar excesso de caixa aos acionistas, como temos feito nos últimos anos, em que já melhoramos a nossa distribuição”. disse Lira ao ser indagado sobre a distribuição de dividendos. “Seja em negócios base, seja em tecnologia, em crescimento não-orgânico: estamos sempre analisando oportunidades interessantes em mercados que ainda têm espaços para crescermos”.

⇒ Impulsionada por maiores volumes

Os executivos que fizeram parte da teleconferência veem 2022 como um ano melhor para os volumes do que 2021 – o esperado, por exemplo, é que a Covid-19 perca força e que o consumo não tenha mais altos e baixos.

Além disso, destacam também que o ano conta com uma série de eventos impulsionadores da indústria – dois carnavais, um em fevereiro e outro em abril, “apesar do consumo não ser igual”, eleições e ainda uma copa do mundo no verão, algo que nunca aconteceu.

“Quando olhamos para 2022, dado que já começamos melhor do que ano passado, enxergamos Brasil recuperando o Ebitda após três anos. Dado o tamanho da importância do Brasil, isso só já nos dá confiança de que conseguiremos entregar o desempenho melhorado para 2022”, afirmou Lira. “Além disso, o Canadá e a América Central tem sido fáceis de prever. Estamos indo bem. O Chile está acelerando, bem como o Paraguai e Argentina”, completou.

VISÃO DO MERCADO

Ativa Investimentos

Conforme estimávamos, Ambev reportou um trimestre fortemente impactado pelas pressões cambiais e de commodities.

O volume total apresentou ligeira expansão de 0,8% YoY, negativamente afetado por uma indústria mais fraca no segmento de Cerveja Brasil.

De positivo, as iniciativas da companhia para premiunização do portfólio, inovação e gestão de receitas impulsionaram um crescimento de 15,2% YoY na ROL/hl consolidada.

As regiões de destaque no crescimento de volume foram América Latina Sul, América Central e Caribe, além do NAB Brasil também estar demonstrando recuperação contínua nos volumes.

No entanto, as margens bruta (-3,5 p.p YoY) e Ebitda (-16,9 p.p YoY) foram puxadas para baixo com o aumento nos custos e maiores provisões para remuneração variável.

Apesar do crescimento de volumes e ROL/hl na maioria dos segmentos e regiões, a piora no câmbio e elevação nos custos dos insumos exerceram forte impacto sob o resultado do trimestre, potencializado pelo aumento nas despesas gerais e administrativas da companhia.

No curto prazo, considerando os patamares atuais das commodities, ainda enxergamos um cenário de desafios e volatilidade pela frente, à medida que a empresa estima um aumento de 16-19% no CPV/hl no segmento de Cerveja Brasil.

Ativa tem recomendação de compra com preço-alvo de R$ 14,80…

Bank of America

Os comentários do Bank of America foram no mesmo sentido. “A Ambev planeja fazer seu Ebitda ajustado crescer em 2022 com o aumento de preços, de mix, com sua iniciativa B2B (BEES) e com crescimento de portfólio”, destacam Isabella Simonato e Guilherme Palhares. Os dois, apesar de elogiarem a política de top line da Ambev em 2021, lembraram que os preços maiores não foram suficientes para proteger as margens.

Bank of America tem recomendação neutra com preço-alvo de R$ 18,60…

 Bradesco BBI

“A Ambev reportou um quarto trimestre neutro. Neutro porque o Ebitda [lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações] ficou apenas 2% abaixo do consenso e os volumes da sua divisão brasileira de cervejas (o mais importante) ficaram em linha com as expectativas de queda de 3% ao ano”, afirmaram os analistas do Bradesco BBI, em relatório.

O BBI aponta, para o futuro, que a Ambev pode ter espaço para avançar no Brasil no curto prazo, pelo fato de o seu maior concorrente, a Heineken, ter aumentado seus preços em fevereiro e também porque a terceira maior produtora, a Petrópolis, deve continuar enfrentando dificuldades para recuperar sua lucratividade. “Esse cenário pode proporcionar um momento positivo para a Ambev em 2022”, afirmou Leandro Fontanesi, analista da casa para a companhia.

O banco, entretanto, aponta que há risco considerável de a cervejaria ver suas margens caírem por conta da crise no leste europeu, que vem impulsionando os preços das commodities – atualmente, a Ucrânia é responsável pela produção de 13% do milho e 7% do trigo mundiais e é também um maiores exportadores mundiais de outros grãos, como cevada e centeio.

Bradesco BBI tem recomendação de compra com preço-alvo de R$ 21,00…

Citi

Os analistas do Citi esperam queda no valor de negociação da ação da Ambev e dizem que os investidores poderiam aproveitar o momento de fraqueza do papel para ir às compras esperando uma recuperação sequencial. O pregão começa às 10h e o papel terminou o dia de ontem a R$ 14,81. O banco recomenda compra da ação, com preço-alvo de R$ 18,50.

Em uma breve análise, a equipe do banco destacou que o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia caiu 2% limitado pela margem Ebitda da operação brasileira, que anulou parcialmente o crescimento dos mercados da América do Sul e América Central e Caribe. A pressão na margem do Brasil refletiu itens conhecidos como câmbio, commodities, bônus e marketing.

A projeção prevê um aumento de 16% a 19% no custo por hectolitro no Brasil, “mas também um crescimento de vendas impulsionado pelo preço, resultando em aceleração do crescimento orgânico Ebitda (comparado a 11% de 2021), apesar da contração da margem do grupo. No quarto trimestre, o Ebitda foi de R$ 6,8 bilhões, 1% abaixo das estimativas do banco.

Credit Suisse

O resultado da Ambev no quarto trimestre superou em 5% a estimativa do banco Credit Suisse para receita, mas ainda ficou 11% abaixo no lucro por ação por perdas maiores do que as esperadas em derivativos. Ainda assim, o banco espera que a reação do mercado hoje para o desempenho e para a perspectiva de aumento de 16% a 19% no custo por hectolitro de cerveja no Brasil seja neutra.

A analista Marcella Recchia, que assina o relatório destacou que a companhia bateu recorde de volume, chegando a 180 milhões de hectolitros no ano para toda sua operação.

“Juntamente com o forte preço/mix (+9,3% na base anual), consistente com os pares, a receita de cerveja do Brasil subiu 5,9% ante mesmo trimestre de 2020. A já conhecida pressão de custo de insumos e maiores despesas gerais, de vendas e administrativas, incluindo acúmulo de bônus e investimentos em marketing, levaram o Ebitda [lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização] a cair 19,6% na base anual organicamente para R$ 2,8 bilhões, implicando em uma margem Ebitda de 30,2% (-3,1 pontos percentuais), também de acordo com nossas estimativas.”

Além da perspectiva de crescimento orgânico de receita e Ebitda em 2022, a analista destacou a informação de que a plataforma Zé Delivery superou o terceiro trimestre e chegou a 17 milhões em pedidos.

A Donus (braço fintech focado em pequenos e médios varejistas) triplicou o volume de transações feitas em comparação ao terceiro trimestre e ampliou em 50% sua base de clientes, para 240 mil usuários.

Itaú BBA

Os analistas Gustavo Troyano, Renan Moura e Victor Gaspar, do Itaú BBA, destacaram que a Ambev indicou em seu guidance que uma queda de margem é esperada para 2022, apesar de esperar que esta seja mitigada por uma alta das receitas.

Itaú BBA tem recomendação neutra com preço-alvo de R$ 18,00

XP Investimentos

A Ambev registrou um quarto trimestre positivo, com recorde de volume e performance acima da média da indústria, diz a equipe da XP Investimentos.

“Esperamos um ano desafiador pela frente, com pressão de custos em todas as operações e inflação persistente, mas continuamos otimistas e impressionados com a rapidez com que uma empresa com mais de 100 anos conseguiu mudar durante a pior crise de todos os tempos, aumentando sua vantagem sobre seus pares, principalmente na frente comercial, portanto mantemos nossa recomendação de compra e preço-alvo de R$ 18,8/ação”, escreveram Leonardo Alencar e Pedro Fonseca, analistas da corretora.

O volume de cerveja vendida no Brasil atingiu 25,58 milhões de hectlitros, em linha com a projeção da XP. Os analistas observam que a pressão de custos persiste e mesmo com os esforços nos canais digitais (Bees e Zé Delivery) e um processo contínuo de “premiumização” do portfólio, a taxa de câmbio e as matérias-primas pressionaram a margem Ebitda para 30,8%, melhorando na comparação com o terceiro trimestre, mas menor na base anual e ainda em um patamar baixo em relação aos níveis históricos.

Para 2022, a empresa divulgou uma projeção de custo por produto vendido com aumento entre 16% e 19%, enquanto a taxa de câmbio média está em R$ 5,39 por dólar. “Como o volume não é mais uma variável estratégica, estamos ansiosos para ver como as margens podem melhorar à medida que a dinâmica do canal on-trade (bares e restaurantes) for retomada, juntamente com o impacto positivo dos Bees atingindo 85% da base de consumidores”, argumentam os analistas.

* Com informações da ADVFN, RI das empresas, Valor, Infomoney, Estadão, Reuters

Deixe um comentário