A desvalorização do dólar e a queda nos preços dos combustíveis têm aliviado a pressão sobre os custos no setor aéreo da América Latina, levando as empresas desse segmento a recuperarem o interesse dos investidores. O tráfego de passageiros está retornando aos níveis pré-pandemia, e a conjuntura mostra-se favorável para a recuperação das margens. No entanto, o sentimento de otimismo não é uniforme para todas as companhias aéreas, e as brasileiras, Azul e Gol, ainda enfrentam cautela.

Apesar de ambas as empresas terem mostrado progresso nas negociações de suas dívidas e apresentado números operacionais sólidos, Azul e Gol sofreram as maiores perdas no índice Ibovespa no mês passado. No acumulado do ano, porém, é importante destacar que as ações ainda registram ganhos significativos.

Os analistas observaram uma melhoria sequencial na rentabilidade da empresa aérea, com aumento nas receitas e redução nos custos. No entanto, eles ressaltam que a alavancagem das companhias ainda se mantém elevada, mesmo após uma redução em suas dívidas líquidas.

A gestão dos custos do endividamento também é um desafio para a Azul, segundo os analistas, e a empresa divulgará os resultados referentes ao segundo trimestre de 2023 no próximo dia 10 de agosto.

Em um recente relatório sobre o setor de transportes na América Latina, o Goldman Sachs expressou a crença de que tanto a Azul (BOV:AZUL4) quanto a Gol (BOV:GOLL4) devem se beneficiar do cenário de combustíveis mais baratos e alcançar margens pré-pandemia nos próximos anos. Os analistas avaliam que as empresas têm conduzido suas operações de maneira racional, repassando parcialmente a queda nos custos para o preço das tarifas.

Apesar de reconhecer o progresso, o Goldman Sachs alterou sua recomendação para a Gol, classificando-a como neutra, enquanto aumentou o preço-alvo de suas ações, GOLL4, para R$ 13,50. Quanto à Azul, o banco também elevou o preço-alvo de suas ações, AZUL4, para R$ 22,40, mas manteve a recomendação neutra.

O Goldman Sachs reafirmou sua preferência pelas companhias aéreas Copa Airlines e Volaris, do Panamá e México, respectivamente. O banco acredita que essas empresas estão em melhor posição para se beneficiar da queda nos preços dos combustíveis e apresentam menor risco de competição. Além disso, o crescimento consistente do tráfego no México nos últimos anos superou o do Brasil, o que fortalece a posição das empresas mexicanas em relação às brasileiras.

O JPMorgan também demonstrou otimismo em relação ao setor aéreo da América Latina, revisando suas projeções para a Gol e Azul, mas ainda mantendo uma visão cautelosa devido à volatilidade macroeconômica que afeta as companhias aéreas brasileiras.

O CEO da Gol, Celso Ferrer, enfatizou a volatilidade no câmbio e nos preços dos combustíveis, que são fatores cruciais para os resultados das empresas aéreas. Embora o combustível tenha apresentado uma redução, ainda é considerado caro em comparação com outras regiões do mundo. A empresa está trabalhando para manter tarifas baixas e atrair clientes, mas a exposição às variações cambiais e aos preços do combustível torna o setor aéreo brasileiro menos atraente para alguns investidores.

No acumulado do ano, as ações da Gol apresentaram um aumento de cerca de 40%, enquanto as da Azul tiveram uma valorização de 71,84%.

AZUL PN (BOV:AZUL4)
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