A Weg avalia que a margem de lucro consolidado vai ser pressionada a partir de meados do primeiro semestre de 2024, quando a empresa espera obter todas as aprovações para a integração da fabricante norte-americana de motores e componentes elétricos Regal Rexnord.

O comunicado foi feito pela companhia (BOV:WEGE3) nesta sexta-feira (08).

“(A aquisição da Regal Rexnord) é um processo em sete países. Se tudo correr bem, em algum momento do segundo trimestre receberemos autorizações para o fechamento da transação e para iniciarmos a integração”, disse o vice-presidente financeiro da Weg, André Rodrigues, em apresentação a investidores nesta sexta-feira.

A compra de parte dos ativos da Regal Rexnord marcou a maior aquisição na história de cerca de 60 anos da Weg. A compra, anunciada em setembro, envolveu 10 fábricas nos Estados Unidos, México, China, Índia, Itália, Holanda e Canadá, além de filiais comerciais em 11 mercados, por cerca de US$ 400 milhões.

“Os ativos têm margem de um dígito, menores que as margens da Weg…É natural que no momento da integração vai haver queda da margem consolidada. Não vai ser uma integração simples”, disse Rodrigues. O executivo reafirmou que a companhia espera conseguir elevar as margens dos ativos da Regal Rexnord para próximo dos níveis registrados nos países onde a Weg já opera.

Além disso, a aquisição e os investimentos que a Weg já vinha fazendo para crescer tanto no Brasil quanto em outros países como a Índia e China também devem surtir um efeito de “acomodação” na expansão do retorno sobre capital investido (Roic), a métrica que a empresa usa para avaliar seu desempenho.

Nos nove primeiros meses deste ano, a Weg teve Roic 35,4%, uma expansão de 7,5 pontos percentuais sobre um ano antes e maior nível desde 2012, quando estava em 14%.

“Apesar da acomodação, vamos trabalhar para entregar retornos acima da média do mercado”, disse Rodrigues.

TRANSMISSÃO

Mais cedo, a Weg estimou uma aceleração no ritmo de sua capacidade de produção de sistemas de transmissão e distribuição de energia.

A companhia, que vinha elevando sua capacidade em 6,5% ao ano entre 2018 e 2023, em média, estima apertar o passo para 8,4% entre 2024 e 2025, disse o diretor da área, Carlos Diether Prinz.

O executivo citou como exemplos dos motivos para aceleração as perspectivas no Brasil, que deve injetar cerca de 16 bilhões de reais por ano para conseguir interligar regiões consumidores aos novos polos produtores de energia “verde” do Nordeste.

Além disso, segundo Prinz, os Estados Unidos veem o mercado de transformadores crescer 5% a 7% ao ano entre 2022 e 2031, enquanto no México há expectativa de o governo conceder incentivos para acelerar o aumento da capacidade de geração e transmissão de energia.

A Weg tem cinco fábricas de transformadores no Brasil, 2 no México e 3 nos EUA.

MOBILIDADE

No segmento de mobilidade elétrica, um dos de mais rápido crescimento no mundo e um dos mais novos na Weg, o foco da companhia tem se dado principalmente em soluções para recarga de baterias, em um momento em que as vendas de veículos eletrificados no Brasil e no mundo passa por forte aceleração.

A associação de montadoras instaladas no Brasil, Anfavea, afirmou na véspera que espera crescimento de 61% nas vendas desses veículos no próximo ano no país, para 142 mil unidades.

“Começa agora, agora mesmo, um grande movimento de criação de hubs de recarga no Brasil”, disse o diretor da área na Weg, Carlos Grillo.

A Weg tem parcerias com 24 montadoras de veículos elétricos, entre elas a Volvo, uma das marcas que mais tem apostado na expansão de rede de recarga pelo país.

A companhia deve lançar no primeiro semestre de 2024 um carregador ultrarrápido, de até 720 quilowatt/hora, capaz de recarregar um veículo em menos de 30 minutos, além de outros dois modelos, dos quais um é portátil, mas de carga lenta. Atualmente, a empresa trabalha com dois tipos de estação de recarga com capacidade para até 150 kW, disse Grillo. Segundo o executivo, a Weg já produziu mais de 10 mil carregadores, com as vendas ocorrendo principalmente no Brasil desde 2021, com a unidade mostrando expansão média anual de 150%.

No início do próximo ano, a Weg deve inaugurar a expansão de fábrica de motores de tração em Santa Catarina, que inclui uma unidade de produção de packs de baterias para veículos eletrificados. Além disso, a empresa tem investido em expansão de capacidade de montagem de estações de recarga.

“O crescimento dos veículos elétricos de passeio será muito elevado e estamos focando na recarga, e esse naturalmente é um mercado em que posicionamento local faz diferença”, disse Grillo citando vantagem da produção nacional pela empresa no Brasil que ajuda na construção de parcerias com os concessionários de veículos.

Paralelalemente, a Weg tem estudado avançar com a internacionalização dos negócios de recarga de bateria, principalmente na Europa. “Estamos em fase de entender e escolher os caminhos para acelerarmos o desenvolvimento de produtos”, disse Grillo.

Informações Reuters
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