
O Banco Central divulgou nesta segunda-feira (29/12) a atualização do Boletim Focus, trazendo novos ajustes nas expectativas para os principais indicadores econômicos do país. As estimativas para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) voltaram a recuar, enquanto a taxa Selic permanece em patamar elevado, refletindo a estratégia atual da política monetária.
A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2025 foi revisada de 4,33% para 4,32%, marcando a sétima queda consecutiva. O número permanece 0,18 ponto porcentual abaixo do teto da meta de inflação, fixado em 4,50%. Para 2026, a projeção passou de 4,06% para 4,05%, registrando a sexta redução seguida nas estimativas.
De acordo com a trajetória apresentada pelo Banco Central no comunicado da reunião de dezembro do Comitê de Política Monetária (Copom), publicado na última semana, a autoridade monetária projeta inflação de 4,4% em 2025 e de 3,5% em 2026. No horizonte relevante da política monetária, o segundo trimestre de 2027, a expectativa é de que a inflação acumulada em 12 meses atinja 3,2%.
Na decisão mais recente, o Copom manteve a taxa Selic em 15% pela quarta reunião consecutiva. No comunicado, o colegiado avaliou que a estratégia atual — de manutenção do nível corrente da taxa de juros por um período bastante prolongado — é adequada para garantir a convergência da inflação à meta. O comitê também afirmou que seguirá vigilante e destacou que os “passos futuros da política monetária poderão ser ajustados” e que, como de costume, não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso considere apropriado.
Desde este ano, o regime de metas de inflação passou a ser contínuo, considerando o IPCA acumulado em 12 meses. O centro da meta é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo. Caso a inflação permaneça fora desse intervalo por seis meses consecutivos, o Banco Central é considerado como tendo descumprido o objetivo.
Essa situação foi caracterizada após a divulgação do IPCA de junho, em 10 de julho, quando a autoridade monetária publicou uma carta aberta informando que espera que a taxa fique abaixo de 4,50% ao final do primeiro trimestre de 2026.
As projeções de mais longo prazo também se mantiveram estáveis. A mediana do Focus para a inflação de 2027 permaneceu em 3,80% pela oitava semana seguida, enquanto a estimativa para 2028 continuou em 3,50%, repetindo a oitava leitura consecutiva.
No campo dos juros, a mediana do relatório Focus para a Selic ao final de 2026 segue em 12,25%, acima dos 12,0% projetados há um mês. Considerando apenas as 88 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana recuou de 12,25% para 12,13%. Para 2027, a projeção permanece em 10,50% pela 46ª semana consecutiva, enquanto a estimativa para o fim de 2028 ficou em 9,75%, acima dos 9,50% registrados há um mês.
Do ponto de vista do mercado financeiro, a combinação de inflação em trajetória de acomodação e juros elevados por mais tempo tende a impactar diretamente a precificação dos ativos. Taxas de juros altas costumam pressionar o mercado de ações, favorecer aplicações em renda fixa e influenciar o câmbio, ao sustentar a atratividade do real frente a moedas de países com política monetária mais frouxa.
(BC)
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