
O dólar à vista iniciou o ano em queda firme nesta sexta-feira (02/01), em um pregão marcado por liquidez reduzida no mercado de câmbio, típico do primeiro dia útil após o feriado prolongado. A paridade entre o dólar norte-americano e o real brasileiro (FX:USDBRL) encerrou o dia com baixa de 1,19%, cotada a R$ 5,4238 na venda, após ter registrado perdas ainda mais intensas durante a manhã. O movimento reforça a leitura de ajuste técnico, após um 2025 caracterizado por forte desvalorização da moeda norte-americana frente ao real, com investidores aproveitando o ambiente mais calmo para reposicionar carteiras.
No ambiente interno, o real segue sustentado por um conjunto de fatores favoráveis, com destaque para o carry trade ainda bastante atrativo, impulsionado pela taxa Selic elevada, atualmente em 15%. Mesmo diante da queda dos preços do petróleo e do minério de ferro nesta sexta-feira (02/01), o mercado mantém uma visão construtiva. O minério, em especial, apresentou resiliência ao longo de 2025, permanecendo acima de US$ 100 por tonelada na maior parte do ano. Além disso, a expectativa predominante de manutenção da Selic na próxima reunião do Copom reforça a entrada de capital estrangeiro em busca de retorno, contribuindo para a pressão baixista sobre o dólar no Brasil.
No exterior, o dólar norte-americano também operou em queda, acompanhando o maior apetite por risco nos mercados globais. O movimento foi impulsionado pelo otimismo em torno de ações ligadas à inteligência artificial e pelas expectativas de novos cortes de juros pelo Federal Reserve ao longo de 2026. A leitura dominante é de que o banco central dos Estados Unidos deve pausar os ajustes de juros já em janeiro, reduzindo a atratividade relativa da moeda. Esse cenário se refletiu no índice DXY (CCOM:DXY), que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, favorecendo divisas de países emergentes, como o real.
No mercado de derivativos da B3, os contratos futuros de dólar (BMF:DOLFUT | BMF:WDOFUT) acompanharam a queda do dólar à vista, mas apresentaram comportamentos distintos ao longo da curva. Os vencimentos mais curtos refletiram o ajuste imediato e a baixa liquidez do pregão, enquanto os contratos mais longos mostraram oscilações mais moderadas, incorporando expectativas relacionadas à política monetária no Brasil e no exterior. Essa diferença de comportamento indica que, apesar do alívio observado no início do ano, o mercado ainda mantém uma postura cautelosa no médio prazo.
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