
A Amazon (NASDAQ:AMZN) encerrou o quarto trimestre de 2025 com um recado claro ao mercado: o ciclo de investimento em infraestrutura de inteligência artificial vai acelerar. A gigante do varejo afirmou que pretende investir cerca de US$ 200 bilhões em 2026 em data centers, chips e equipamentos, um número que ‘coloca lenha na fogueira’ das preocupações sobre a velocidade do retorno.
O pano de fundo é um 4T25 robusto em vendas e resultado operacional, mas com custos em alta. As vendas líquidas somaram US$ 213,4 bilhões, avanço anual de 14% frente a US$ 187,8 bilhões no 4T24. Sem o efeito cambial favorável de US$ 2,8 bilhões, o crescimento teria sido de 12%.
A dinâmica por segmentos mostrou um portfólio mais equilibrado, mas ainda dependente da nuvem para rentabilidade. A América do Norte cresceu 10% e atingiu US$ 127,1 bilhões. O segmento internacional avançou 17% para US$ 50,7 bilhões, ou 11% excluindo câmbio. A AWS cresceu 24%, chegando a US$ 35,6 bilhões.
No lado do lucro operacional, a Amazon reportou US$ 25,0 bilhões no 4T25, acima dos US$ 21,2 bilhões do 4T24. O número, porém, veio “carregado” por três itens especiais: US$ 1,1 bilhão em disputas tributárias na Itália e acordo judicial, US$ 730 milhões em indenizações por rescisões e US$ 610 milhões em baixas de ativos, sobretudo de lojas físicas.
Ao ajustar esses encargos, o lucro operacional teria alcançado US$ 27,4 bilhões, sinalizando que a eficiência operacional continuou avançando, mesmo com expansão acelerada de infraestrutura. Em termos de composição, o salto é relevante porque ocorreu junto ao aumento de despesas ligadas a tecnologia, data centers, entrega e expansão internacional, que tipicamente pressionam margens.
Por segmentos, a melhora foi puxada pelo mercado doméstico e pela AWS. O lucro operacional na América do Norte subiu para US$ 11,5 bilhões, ante US$ 9,3 bilhões um ano antes, ajudado por escala logística e maior participação de serviços. Porém, o segmento internacional caiu para US$ 1,0 bilhão, ante US$ 1,3 bilhão.
A nuvem segue sendo o principal motor de lucro, financiando apostas mais longas em IA, logística e novos negócios. A AWS entregou US$ 12,5 bilhões de lucro operacional no trimestre, acima dos US$ 10,6 bilhões do 4T24, com margem operacional de 35,0% sobre vendas de US$ 35,6 bilhões.
No resultado final, o lucro líquido foi de US$ 21,2 bilhões no 4T25, equivalente a US$ 1,95 por ação diluída, ante US$ 20,0 bilhões e US$ 1,86 por ação no 4T24. Vale notar que, no trimestre, o lucro básico por ação foi de US$ 1,98. Em termos de qualidade, houve melhora, mas sem “explosão” proporcional ao ritmo de investimentos.
No 4T25, a pressão se concentra no custo das vendas de US$ 110,0 bilhões, enquanto despesas de cumprimento somaram US$ 30,8 bilhões. A linha de tecnologia e infraestrutura subiu para US$ 29,4 bilhões, e vendas e marketing ficaram em US$ 14,3 bilhões. O conjunto elevou as despesas operacionais totais a US$ 188,4 bilhões.
Mesmo assim, a margem operacional do trimestre atingiu 11,7%, acima de 11,3% no 4T24, reflexo de mix mais favorável e produtividade. A receita não operacional total foi de US$ 1,6 bilhão, e a renda antes do imposto chegou a US$ 26,6 bilhões. A provisão de imposto de renda aumentou para US$ 4,9 bilhões, um ponto de atenção para 2026.
No acumulado de 2025, as vendas líquidas da Amazon alcançaram US$ 716,9 bilhões, crescimento anual de 12% sobre US$ 638,0 bilhões em 2024. O lucro operacional subiu para US$ 80,0 bilhões, ante US$ 68,6 bilhões, e o lucro líquido avançou para US$ 77,7 bilhões, ou US$ 7,17 por ação diluída, contra US$ 59,2 bilhões e US$ 5,53.
A expansão foi relativamente disseminada. A América do Norte somou US$ 426,3 bilhões em vendas no ano (+10%) e lucro operacional de US$ 29,6 bilhões. O internacional chegou a US$ 161,9 bilhões (+13%) com lucro operacional de US$ 4,7 bilhões. A AWS fechou 2025 com US$ 128,7 bilhões em vendas (+20%) e US$ 45,6 bilhões de lucro operacional.
O ponto mais sensível, contudo, está no caixa. O fluxo de caixa operacional (TTM) subiu 20% para US$ 139,5 bilhões, um avanço saudável. Em contrapartida, o fluxo de caixa livre caiu para US$ 11,2 bilhões, contra US$ 38,2 bilhões no período anterior, pressionado por um aumento anual de US$ 50,7 bilhões nas aquisições de imobilizado (líquidas de vendas e incentivos).
Em 2025, a Amazon registrou US$ 54,5 bilhões de caixa operacional no 4T, e US$ 139,5 bilhões nos doze meses. Já as aquisições de bens e equipamentos foram de US$ 39,5 bilhões no 4T e US$ 131,8 bilhões no ano, enquanto o fluxo de caixa líquido de investimento totalizou US$ 142,5 bilhões negativos no acumulado.
Esse padrão explica por que o anúncio de US$ 200 bilhões em capex para 2026 gera desconforto, mesmo com lucros recordes.
O mercado, na prática, pede uma equação simples: expansão de receita e lucro que acompanhe o ritmo do capital empregado. A própria Amazon reconhece que a restrição de capacidade no setor limita atender toda a demanda, exigindo investimento pesado para destravar crescimento.
A companhia tenta reforçar a narrativa de retorno com evidências operacionais da AWS e dos chips. Trainium e Graviton já teriam receita anual combinada acima de US$ 10 bilhões, crescendo a taxas de três dígitos. O Trainium2 estaria totalmente utilizado, com 1,4 milhão de chips instalados, e o Project Rainier operaria com mais de 500 mil chips, com a Anthropic usando o cluster para treinar o Claude.
Do lado de produtos e serviços, o 4T25 também mostrou vigor em linhas de alta margem. Publicidade chegou a US$ 21,3 bilhões no trimestre, alta anual de 23%, enquanto serviços de assinatura somaram US$ 13,1 bilhões, avanço de 14%. Serviços de vendedores terceirizados atingiram US$ 52,8 bilhões (+11%).
A projeção para o 1T26 gerou também uma certa tensão entre crescimento e investimento. A Amazon projeta vendas entre US$ 173,5 bilhões e US$ 178,5 bilhões, alta de 11% a 15% ano a ano, com impacto cambial favorável de cerca de 180 pontos-base. Para o lucro operacional, a faixa estimada é de US$ 16,5 bilhões a US$ 21,5 bilhões, abaixo do consenso típico de mercado.
Essa orientação inclui aproximadamente US$ 1 bilhão em custos adicionais ligados ao Amazon Leo, e investimentos em comércio rápido e preços mais competitivos em lojas internacionais. Em termos analíticos, é um recado: 2026 tende a ser um ano de execução e construção de capacidade, com volatilidade de margem no curto prazo, em troca de potencial expansão estrutural no médio prazo.
No balanço patrimonial, a alavancagem segue sob controle, mas o tamanho da “máquina” cresceu rápido. Os ativos totais saltaram de US$ 624,9 bilhões em 2024 para US$ 818,0 bilhões em 2025, com imóveis e equipamentos líquidos aumentando para US$ 357,0 bilhões. A dívida de longo prazo subiu para US$ 65,6 bilhões, enquanto o caixa e equivalentes fecharam em US$ 86,8 bilhões, com títulos negociáveis em US$ 36,2 bilhões.
A Amazon encerrou 2025 entregando crescimento de dois dígitos, avanço de lucro operacional e aceleração da AWS, mas escolheu reinvestir agressivamente o caixa em IA e infraestrutura, comprimindo o fluxo de caixa livre. Para o investidor, o debate de 2026 será menos “se a demanda existe” e mais “quão rápido o retorno aparece”… e em que nível de margem.
A Amazon também é negociada na B3 por meio da BDR (BOV:AMZO34).
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