Os Conselhos de Administração da Iguatemi e da sua controladora, a Jereissati Participações (BOV:JPSA3), estão encaminhando aos acionistas minoritários uma proposta de reorganização societária, transformando as duas companhias em uma só.

O fato relevante foi feito pela empresa (BOV:IGTA3) nesta segunda-feira (07). Confira o comunicado na íntegra.

O objetivo é ampliar a liquidez dos papéis negociados na Bolsa e, principalmente, abrir caminho para uma futura emissão de ações e captação de novos recursos junto a investidores. O grupo aposta no crescimento por meio da aquisição de concorrentes.

Ao mesmo tempo, a reorganização visa a garantir a permanência do controle nas mãos da família Jereissati mesmo que ela não participe dos futuros aportes de capital na mesma proporção de outros investidores.

A proposta que será submetida para assembleia de acionistas prevê que a Iguatemi Empresa de Shoppings (IGTA3) seja incorporada pela Jereissati Participações (JPSA3) e se torne uma subsidiária integral. Em troca, os atuais acionistas da empresa de shoppings receberão um prêmio de 10% sobre a cotação média das suas ações nos 30 dias anteriores, conforme o comunicado ao mercado.

Com esse movimento, as ações pulverizadas entre diversos investidores fora do grupo controlador (o chamado free float) subiria em 45%, ampliando sua liquidez potencial, segundo o comunicado.

A nova empresa passará a se chamar Iguatemi S.A. e terá papéis negociados na forma de certificados de depósito de valores mobiliários (units). Cada unit será composta por uma ação ordinária (ON) e duas preferenciais (PN). Hoje, a Iguatemi têm apenas papéis ON.

Vale lembrar que as ações ON têm direito a voto nas assembleias, enquanto as PN têm prioridade para receber dividendos. Neste caso, as ações PN terão direitos econômicos equivalentes a três vezes os da ON.

A família Jereissati controla a companhia de shoppings por meio da empresa Jereissati Participações, que funciona como uma holding. Hoje, a família possui um peso de 50,7% nos votos em assembleia e uma fatia de 30,6% no bolo dos lucros. Após a reorganização, passará a deter 65% dos votos e 29% dos lucros.

Caso a Iguatemi S.A. faça uma futura emissão de units para atrair novos investidores e a família Jereissati não acompanhe a injeção de dinheiro na empresa, o seu poder de voto não será ameaçado, visto que os novos sócios receberão principalmente ações PN – sem direito a voto.

A assembleia para deliberação da proposta ocorrerá no dia 8 de julho, às 10h. Os controladores não votarão.

“A unificação das bases acionárias permitirá o aumento da sua capacidade de investimento e crescimento, sem o aumento do endividamento”, informa o comunicado.

“Isso colocará as companhias em uma posição mais favorável para participar das oportunidades futuras de consolidação, combinações de negócios e aquisição de ativos estratégicos, aumentando a sua relevância no mercado imobiliário brasileiro”.

Governança

O conselho de administração da Iguatemi anunciou também a substituição do CEO, Carlos Jereissati Filho, no cargo desde 2006, pela vice-presidente financeira e de relações com investidores, Cristina Betts, que ingressou na empresa em 2008. A mudança nos postos ocorrerá a partir de 1º de janeiro de 2022. O antigo CEO continuará no grupo como membro do conselho.

A nova empresa será listada no Nível 1 da B3, um degrau abaixo do Novo Mercado, que é o mais alto nível de governança corporativa entre as empresas listadas. Isso se dará porque a nova companhia passará a negociar ações preferenciais, o que não é permitido no Novo Mercado.

A mudança para um patamar de governança inferior demanda que o controlador faça uma oferta pública de aquisição de ações dos minoritários, o que não está nos planos da família. Portanto, os minoritários precisarão aprovar tanto a mudança e a dispensa de tal oferta.

Os conselhos de administração da holding e da empresa de shoppings ainda se comprometeram a manter todas as práticas, regras e recomendações do Novo Mercado no estatuto da Nova Iguatemi.

Também serão instituídos na Iguatemi S.A. quatro comitês estatutários para apoiar o futuro conselho de administração: Finanças e Alocação de Capital; Auditoria e Partes Relacionadas; Pessoas, Cultura e Organização; e Riscos e Compliance.

VISÃO DO MERCADO 

Ágora 

Ágora classificou o acordo como estrategicamente “positivo e necessário, o que deve ajudar a Iguatemi a justificar o atual prêmio de avaliação sobre os pares”.

No entanto, a Ágora diz que a saída dos padrões de governança do Novo Mercado da B3 é menos relevante nesta fase, pois a diluição do poder de voto dos minoritários não mudará o processo decisório existente nem o acionista controlador.

No próprio comunicado, a Iguatemi deixa claro que apesar da saída do segmento, continuará com as mesmas práticas corporativas.

Credit Suisse

O Credit Suisse, a operação indica um prêmio de 5% em relação ao fechamento para IGTA3 e para JPSA3 um re-rating de 40%. Os analistas do banco comentaram que a transação precisaria passar por dois estágios principais: 1) conversão das ações de JPSA para unit (1 ordinária e 2 preferenciais) 2) acionistas de IGTA irão receber a unit emitida pela JPSA com 10% de premio em relação aos últimos 30 dias ou 5% em relação ao fechamento de segunda-feira, relacionado a incorporação da IGTA pela JPSA.

A transação ainda esta pendente de aprovação dos minoritários e os analistas avaliam que os investidores devem aceitar a operação, mas pedir um prêmio maior dado que o balanço parece bem mais favorável para os acionistas de JPSA. A mudança de CEO pode ser vista como natural dado que Carlos ainda continuara no Conselho e Cristina tem uma carreira bastante sólida.

De forma geral, os analistas veem mérito na transação e acreditam que tem espaço para destravar crescimento. O aumento de free float, liquidez e algum prêmio para os acionistas de IGTA também podem ser vistos por um ângulo positivo.

O contraponto pode vir de que o prêmio oferecido para os acionistas de IGTA3 não é muito alto dada a estrutura de units e um histórico de fusões e aquisições principalmente na aquisição de participação de minoritários dos shoppings em que já possuem presença.

Adicionalmente, pode ser lembrado que alguns pares listados aceitaram diluição para continuarem a crescer. Os analistas avaliam que realmente existe espaço para crescimento e que pragmaticamente parece fazer sentido estar do lado de uma gestão de muita qualidade e um portfólio de alta qualidade nestes termos.

Eleven Financial 

Com base na nossa avaliação, o movimento de mercado é positivo para a nova companhia, que poderá realizar nova emissão de ações de até R$ 4,0 bilhões para crescimento e M&A, sem perder o controle. Caso seja alavancado, o valor pode chegar a R$ 5,0 a R$ 6,0 bilhões, possibilitando ampliar em até 50% o ABL atual, com múltiplos NOI atrativos, dado o momento de mercado. Assim, acreditamos que uma nova aquisição pode adicionar R$ 6,0 no preço-alvo e alteramos o nosso preço-alvo para R$ 49,00. Contudo, as ações de Iguatemi foram as que mais valorizaram no setor de 2021 e alteramos a recomendação de compra para neutra.

Guide Investimentos 

Para o analista Luis Sales, o fato da troca na listagem no Novo Mercado pelo Nível 1 da B3, que pode prejudicar a nota de governança da nova companhia na métrica ESG (Ambiental, Social e Governança), pode ser compensando com a possível redução de despesas operacionais e financeiras, que deve melhorar suas margens, o que permitiria futuras aquisições e resultados mais robustos. Vemos também com bons olhos a indicação de Cristina Betts para o cargo de presidente do grupo.

Itaú BBA

O Itaú BBA comentou a perspectiva de consolidação em uma única entidade de Iguatemi e Jereissati Participações, com o objetivo de impulsionar o poder do Iguatemi para se beneficiar de oportunidades de consolidação de mercado.

O banco diz ver o anúncio como positivo para Iguatemi devido ao acréscimo de valor que poderia ser gerado com fusões e aquisições. Mas diz que deve haver um impacto negativo do ponto de vista da governança corporativa.

Itaú BBA mantém recomendação de compra, e preço-alvo de R$ 42,80.

Safra

Na visão do Safra, mesmo que a Iguatemi não tenha um longo histórico de grandes fusões e aquisições, a crise da Covid-19 pode trazer oportunidades de negócios interessantes para a empresa.

“O processo é um sinal claro de que a empresa está se antecipando ao mercado, ou mesmo se preparando para uma grande aquisição, que ainda é muito cedo para dizer”, afirma.

Iguatemi (IGTA3): lucro líquido três vezes maior mas pandemia derruba receitas

Iguatemi registrou lucro líquido de R$39,84 milhões – quase três vezes maior que o registrado no mesmo período em 2020, quando a pandemia dava o primeiro grande baque na economia do país.

A Iguatemi reportou lucro líquido e receita líquida acima do consenso, reflexo do crescimento de 99,6% na receita advinda de programas criados para compensar perdas vistas desde o início da pandemia em aluguéis, taxas de administração e estacionamento, como o i-Retail e Iguatemi 365.

receita líquida da companhia subiu 8% no período e somou R$ 169,4 milhões na mesma base de comparação.

O Iguatemi viu a receita bruta cair 4,6% ano a ano, para R$ 193,1 milhões. Já o faturamento líquido subiu 7,6%, devido sobretudo a uma política de escalonamento dos descontos para lojistas nos aluguéis.

Já o Ebitda – lucro antes de juros, impostos depreciação e amortização – foi de R$ 101,4 milhões, 1,4% menor que o reportado um ano antes.

As vendas no conceito mesmas lojas, que considera unidades abertas há pelo menos 12 meses, caíram 25,6% no período, queda de 12,8 pontos percentuais (pp).

No período, as vendas totais caíram 28,4% e totalizaram R$ 1,885 bilhão.

A companhia viu seu índice de inadimplência líquida saltar 7,6 pontos percentuais sobre um ano antes, para 11,3%. A taxa de ocupação caiu quase quatro pontos, para 90,3%.

(informação Broadcast)

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