Crise na Europa: Grécia tem greve contra cortes no setor público

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Atenas, 16 de Julho de 2013 – Trens pararam e hospitais se limitaram a atender casos de emergências na Grécia nesta terça-feira, dia de greve em protesto contra a provável demissão de milhares de funcionários públicos. Mais de uma semana de passeatas de funcionários municipais culminaram em um comício em frente ao Parlamento. Garis, motoristas de ônibus, bancários e jornalistas estão entre as categorias que aderiram ao protesto.

Os trabalhadores gregos foram convocados a uma greve geral nesta terça-feira pelas duas principais forças sindicais do país – a do setor público (ADEDY) e a do setor privado (GSEE) – contra a demissão de funcionários prevista pelo novo acordo com a Troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional).

Durante a jornada de protesto, o setor de transporte foi amplamente afetado, já que as ferrovias não funcionaram e os controladores aéreos não trabalharam entre o meio-dia e as 16h locais.

Por conta desta paralisação, um total de 30 voos sofreram atrasos e outros 11 foram cancelados, todos eles da companhia grega Olympic Air e com saídas de Atenas.

No início da manhã, a polícia fechou três estações de metrô no centro de Atenas para dificultar o acesso dos manifestantes ao Parlamento, cujo plenário de hoje começará a debater a lei ônibus que inclui as demissões dos funcionários públicos.

Diversos serviços na capital grega, como o de coleta de lixo, não funcionam há vários dias, e o lixo acumulado já pode ser visto em diversas ruas.

O novo acordo entre Grécia e Troika

O governo grego precisa promover reformas e reduzir os serviços públicos para continuar recebendo dinheiro de credores internacionais, mas o novo plano para a demissão de funcionários públicos gerou indignação na Grécia, onde o desemprego já se aproxima de 27%.

As medidas incluem a demissão de professores, policiais municipais e funcionários de governos locais.

O governo negociou com a troika a demissão de 4 mil funcionários públicos para este ano e a passagem de 25 mil ao esquema de reserva laboral, pelo qual cobrarão 75% de seu salário durante 8 meses. Se nesse período o mesmo não for realocado, será despedido em definitivo.

Na quarta-feira, o Parlamento vota reformas definidas em conjunto com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional para conceder um resgate financeiro de 6,8 bilhões de euros (8,9 bilhões de dólares) ao governo.

Na quinta-feira estão previstos novos protestos, durante visita a Atenas de Wolfgang Schaeuble, ministro de Finanças da Alemanha, país que mais incentiva a Grécia a adotar medidas de austeridade.

Os credores gregos, que já ofereceram dois resgates num total de 240 bilhões de euros, estão cada vez mais impacientes com a lentidão do governo grego em enxugar um setor público que tem 600 mil funcionários e é amplamente considerado corrupto e ineficiente.

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