Citibank anuncia que venderá banco de varejo no Brasil, na Argentina e na Colômbia

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O Citibank(NYSE:C) anunciou hoje em Nova York que vai encerrar as atividades de banco de varejo no Brasil, na Argentina e na Colômbia, e se concentrará apenas em grandes clientes institucionais. As operações do chamado ”Consumer Bank” incluem o banco de varejo e a empresa de cartões de crédito, que serão transferidos do Citicorp para a Citi Holdings e que depois se encarregará de vendê-las.

Segundo o comunicado, o Citi “manterá uma sólida presença no Brasil, na Argentina e na Colômbia com o objetivo de continuar atendendo seus principais clientes corporativos e institucionais nestes mercados”. O banco continuará com as operações com clientes pessoa física de alta renda do private bank, que é um dos maiores do país.

O banco tem hoje 450 mil clientes no Brasil e 1 milhão de cartões de crédito. O total de ativos, que inclui tanto a parte de varejo quanto a de atacado ou corporate, era de R$ 84 bilhões no ano passado, colocando o banco em 11º lugar no ranking de instituições financeiras.

Segundo banco estrangeiro saindo

A saída do Citi do varejo brasileiro é a segunda de um importante banco estrangeiro. No ano passado, o britânico HSBC vendeu suas operações para o Bradesco. Outros bancos, como Barclays e Goldman Sachs, mais atuantes na área de investimentos, também reduziram suas operações, em meio à forte queda da atividade do mercado de capitais que acompanhou a retração da economia nos últimos dois anos e que parece continuar neste ano.

Falta de escala

No caso do Citi, a falta de escala e de perspectivas de crescimento nesses países, não só no Brasil, pesou na decisão de encerrar as operações de varejo. O custo de manter uma estrutura pequena, com a forte concorrência dos bancos locais, torna o negócio menos interessante do que em outras regiões onde o banco já tem presença maior. Além disso, há todo o custo regulatório e de prestação de contas para as autoridades brasileiras e, especialmente, para as americanas.

Assim, a decisão foi manter as operações em que o banco tem presença consolidada, como o private bank, o segmento de grandes empresas e o banco de investimentos. O Citi é o maior custodiante de investimentos estrangeiros no Brasil e líder em valor de operações de câmbio.

A venda é mais uma das várias idas e vindas do Citibank no varejo no Brasil. O banco já tentou ampliar sua presença nos anos 1990, mas voltou atrás. Fez o mesmo pelo menos mais duas vezes, em meio a fases de maior crescimento do país.

Regiões mais lucrativas

A explicação do presidente executivo do Citi, Michael Corbat, é que o objetivo da mudança é concentrar esforços nas atividades e regiões mais lucrativas para o banco. ”Embora os nossos negócios de varejo no Brasil, na Argentina e na Colômbia sejam de alta qualidade, decidimos focar esforços nas oportunidades com os nossos clientes institucionais nesses países e em toda a região”, disse. Ele destacou que o Citi está “comprometido com a América Latina, onde operamos há mais de um século e construímos uma inigualável rede que atravessa 23 países”.

A estratégia mostra que o foco no varejo não apresentava perspectivas muito boas na região diante da forte concorrência dos bancos locais, que praticamente dominam todo o mercado brasileiro. “Alocamos os nossos recursos onde possam gerar o melhor retorno possível para os nossos acionistas”, disse Corbat. “Estas ações simplificarão ainda mais o nosso Global Consumer Bank, nos permitindo distribuir os recursos de forma mais eficiente, onde tivermos a capacidade de atingir maior escala dentro dos nossos segmentos-alvo e observarmos a maior possibilidade de crescimento,” concluiu.

Segundo o comunicado, o Global Consumer Bank atenderá 54 milhões de clientes nos Estados Unidos, no México, no Pacífico Asiático, na Europa e no Oriente Médio, abrangendo 93% da base de receita existente e, ao mesmo tempo, simplificando as operações e melhorando o desempenho da área.

Comentários

  1. José de Sousa Malaquias diz:

    …Que as autoridades brasileiras não pratiquem o mesmo mal, facilitando os barões Itaú,Santander e Bradesco como o fez na venda do HSBC. Sonho vê o Citibank na mão de um chinês ou americano, para melhorar a concorrência.

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