Petrobras tem prejuízo de R$ 37 bi no 4º tri e fecha ano com perda de R$ 34,8 bi

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A Petrobras anunciou há pouco um prejuízo de R$ 36,938 bilhões no quarto trimestre do ano passado, perda superior à de R$ 26,6 bilhões do mesmo período do ano anterior. O prejuízo ocorreu por conta de provisões e ajustes contábeis pela queda do preço do petróleo e pela perda do grau de investimento pelo Brasil, que elevou os juros pagos pela empresa, além de despesas de juros e o efeito da alta do dólar. Com isso, a estatal fechou o ano com um prejuízo de R$ 34,836 bilhões, o maior de sua história, superando em 61% a perda de R$ 21,587 bilhões de 2014.

A perda do quarto trimestre foi provocada por provisões de ativos e investimentos, principalmente em função do declínio dos preços do petróleo no mercado internacional. Houve também um ajuste na taxa de juros usada para avaliar os ativos a valor presente, que teve de subir diante do aumento das taxas pagas pelo país depois que o Brasil perdeu o selo de bom pagador das agências internacionais, o chamado grau de investimento. No total, essas provisões atingiram R$ 49,748 bilhões.

Além delas, a estatal informou uma despesa com juros e perdas cambiais de mais R$ 32,9 bilhões.

A Petrobras divulgou uma geração de caixa livre, medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Lajida ou Ebitda) ajustado de R$ 73,859 bilhões no ano de 2015, 25% superior ao de 2014, pelos maiores preços do diesel e da gasolina, além da redução dos gastos com participações governamentas e importações de petróleo e derivados. O fluxo de caixa livre foi positivo, em R$ 15,626 bilhões em 2015, ante um resultado negativo de R$ 19,554 bilhões em 2014.

Já o endividamento líquido da companhia fechou 2015 em R$ 100,379 bilhões, 5% superior ao valor de dezembro de 2014. Já o prazo médio da dívida da estatal aumentou de 6,1o anos para 7,14 anos.

A empresa anunciou ainda uma redução de investimentos de 12% no ano passado, para R$ 76,315 bilhões.

Apenas no quarto trimestre, o prejuízo da empresa foi de R$ 36,938 bilhões. Entre as causas do prejuízo, a empresa cita “o impairment (ajuste) de ativos e de investimentos, principalmente em função do declínio dos preços do petróleo e incremento nas taxas de desconto, reflexo do aumento do risco Brasil pela perda do grau de investimento (R$ 49,748 bilhões); despesas de juros e perda cambial (R$ 32,908 bilhões).

O prejuízo operacional ficou em R$ 12,4 bilhões , o que significa queda de 42%, se comparado com o ano anterior.

Os investimentos somaram R$ 76,3 bilhões, representando redução de 12% em relação a 2014.

De acordo com a Petrobras (BOV:PETR3 e BOV:PETR4), a queda do barril de petróleo tipo Brent provocou impacto negativo no resultado da empresa, que apontou ainda a desvalorização cambial como influência negativa.

O presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, disse que, apesar de um resultado contábil negativo, a empresa teve um resultado gerencial positivo. Segundo Bendine, depois de oito anos, a companhia apresentou geração de fluxo de caixa positivo e as despesas administrativas recuaram significativamente. “Mesmo em ano tão difícil, como foi 2015, com a valorização do dólar frente ao real, tivemos um recuo forte na nossa dívida líquida e uma disciplina muito forte, não só de capital, mas em uma busca de eficiência muito grande.”

Comentários

  1. Fernando Rui Castanho Paes diz:

    Risco Brasil maior e perda do grau de investimento refletiram diretamente na elevação dos juros em cima de uma dívida cuja parte dolarizada sofreu também o impacto da forte variação cambial. Como se isso não bastasse, o preço médio do barril caíu 47% relativamente a 2014. Mesmo assim, o fluxo de caixa foi positivo e o endividamento em dólar caíu 5%. Como o barril de petróleo apresenta tendência de alta e o Real está valorizando face ao crescimento na probabilidade de “impeachment”, o pior está passando. A VALE não foi melhor e já havia feito antes o dever de casa antes …

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