Lucro do Itaú recua 9,6% e retorno vai a 19,7% com perdas de crédito; empréstimos caem 4,8%

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O Itaú Unibanco (BOV:ITUB4) e (BOV:ITUB3) anunciou hoje um lucro no primeiro semestre de R$ 5,184 bilhões, 9,6% inferior aos R$ 5,733 bilhões do mesmo período do ano passado. Descontados eventos extraordinários, o chamado lucro recorrente do banco foi de R$ 5,235 bilhões, 9,9% inferior aos R$ 5,808 bilhões do primeiro trimestre do ano passado. A rentabilidade sobre o patrimônio líquido do banco também caiu, de 24,2% no primeiro trimestre de 2015 para 19,7%. Usando como base o lucro recorrente, o retorno também caiu, para 19,9%, ante 24,5% no ano passado.

A queda no lucro e no retorno reflete um aumento da inadimplência, que passou de 3% da carteira total no ano passado para 3,9% este ano, considerando os créditos vencidos há mais de 90 dias, e de 2,9% para 3,1% da carteira nos vencimentos entre 15 e 90 dias. O valor de provisões que o banco tem para cobrir essas perdas cresceu de 200% para 210%, mostrando uma política mais cautelosa com relação aos atrasos.

Com isso,  a despesa de provisão para atrasos subiu para R$ 7,231 bilhões no primeiro trimestre deste ano, 31,1% acima dos R$ 5,515 bilhões do ano passado. A recuperação de créditos, por sua vez, caiu 21,8%, o que fez o resultado do banco com créditos duvidosos ficar negativo em R$ 6,402 bilhões, 43,7% acima do prejuízo do mesmo período do ano passado.

O banco melhorou seu Índice da Basileia, que mostra a solidez de seu capital em relação a seus empréstimos, ponderados pelo risco. O índice subiu de 15,3% em março do ano passado para 17,7% neste ano. Um pouco pior, porém, do que o de dezembro, que era de 17,8%. Ou seja, o banco teria capital para cobrir perdas de até 17,7% de seus ativos.

Os ativos totais do banco alcançaram R$ 1,283 trilhões, com retração de 0,90% sobre março do ano passado e de 5,6% sobre dezembro. A carteira de crédito do banco caiu, 4,8% em 12 meses e 5,6% neste ano, fechando março com R$ 517,484 bilhões.

A carteira de crédito sem o efeito do dólar teria recuado menos no ano, 3,5% no trimestre, e mais em 12 meses, 5,5%. O Itaú concluiu em abril a compra do CorpBanca, o que aumentou suas operações internacionais.

Menos crédito para grandes empresas

O Itaú reduziu o crédito em todos os segmentos de clientes. Pessoas físicas recuaram 1,6% em 12 meses, mesmo com crescimento de 4,8% em consignado e de 17,1% em crédito imobiliário, compensados pela queda de 31,2% em veículos e 2,6% em cartão de crédito. No primeiro trimestre, a queda foi ainda maior, de 1,8%, puxada por um recuo de 6,3% em cartão de crédito e 9,4% em veículos. Crédito pessoal e consignado cresceram este ano, 0,7% e 2,9%, respectivamente, enquanto imobiliário aumentou 2,1%.

Nas empresas, a queda foi ainda maior, 8,1% no trimestre e 9,9% em 12 meses. A carteira de grandes empresas puxou a queda, com 9,8% em 12 meses e 9,2% no ano. Sem a variação cambial, já que muitos empréstimos para grandes empresas são em dólar, a queda seria de 6,8% no ano e 12,5% em 12 meses. Essa redução equivale a uma diminuição de quase R$ 22 bilhões em 12 meses e R$ 20 bilhões só neste ano na carteira de crédito para esse segmento.

Já pequenas e médias empresas tiveram uma queda de 4,9% neste ano e de 9,9% em 12 meses. As operações para a América Latina  caíram R$ 5,2% no ano, mas subiram 9,8% em 12 meses.

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