BTG Pactual lucra R$ 940 mi no 2º tri, queda de 8%; Deutsche recomenda manter ação

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O BTG Pactual apresentou um lucro líquido de R$ 940 milhões no segundo trimestre. O resultado representa uma queda de 8% ante o mesmo período de 2015, com um forte aumento das despesas operacionais, que subiram 55% na comparação com o segundo trimestre de 2015, para R$ 1,578 bilhão. O retorno sobre o patrimônio líquido caiu para 16,1%, ante 18,8% no primeiro trimestre e 21% no mesmo período do ano passado.

O banco sofre ainda o impacto da prisão de seu fundador e então presidente, André Esteves, no fim do ano passado, na Operação Lava Jato, que provocou resgates de papéis e de fundos e migração de investidores de private banking.

Preço-alvo de R$ 30,00

Os números consolidados do BTG vieram abaixo do esperado por analistas consultados pela agência Bloomberg, que projetavam um resultado 15% maior, e pelo Deutsche Bank, que esperava um lucro líquido 13% maior. Apesar do fraco desempenho, a recomendação do analista Tito Labarta, do Deutsche Bank, é de manutenção dos papéis do BTG, com preço-alvo de R$ 30,00. A instituição  informou que a venda do negócio de commodities e do BSI para a EFG International deve ser concluída no terceiro trimestre.

A alta nas despesas do banco sobre o ano passado foi influenciada pelos custos com redução de pessoal, que somaram R$ 17 milhões, e custos legais, que foram de R$ 75 milhões. Excluindo esses dois gastos, o Deutsche Bank estima que as despesas do BTG teriam sido menores, com aumento de 14% na comparação com o trimestre anterior e de 46% sobre o mesmo período do ano passado.

As receitas totais do grupo somaram R$ 2,595 bilhões entre abril e junho, aumento de 27% sobre um ano antes, mas recuo de 28% na comparação com o primeiro trimestre do ano.

Excluindo as recompras de papéis de emissão própria, as receitas de tesouraria do banco somaram R$ 1,1 bilhão, queda de 38% em relação ao 1º trimestre, mas equivalentes ao triplo do ano passado, e bem acima dos R$ 550 milhões esperados pelo banco alemão, graças a ganhos com juros e commodities, que compensaram perdas com câmbio e a Brasil Energia.

Banco de investimento e receita de crédito ficam abaixo do esperado

Os resultados do banco de investimento subiram 29% na comparação trimestral, mas apresentaram queda de 51% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os números foram impulsionados principalmente por um maior número de transações de fusões e aquisições no período, mas ainda ficaram 29% abaixo das projeções do Deutsche Bank.

As receitas de crédito a grandes empresas cresceram 34% no trimestre, com recuperações mais elevadas de atrasos, mas ficaram 45% abaixo das projeções do banco alemão. Já os resultados das receitas de gestão de ativos tiveram queda de 29% no trimestre e de 52% na comparação interanual, também abaixo das projeções do Deutsche Bank, refletindo a queda no volume de ativos sob gestão, de 13% no trimestre e de 45% sobre 2015.

As receitas de administração de fortunas caíram 54% em comparação com o trimestre anterior, mas ainda conseguiram superar as estimativas do banco alemão em 29%. Os ativos da área de gestão de fortunas caíram 16% no trimestre, para R$ 310 bilhões. A queda trimestral, segundo o Deutsche, foi devida ao benefício não recorrente da alienação da empresa de tecnologia da informação B-Source no primeiro trimestre, bem como à recente valorização do real frente ao dólar.

 

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