Alta do petróleo prevalece como principal evento para os mercados

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As ações brasileiras estão em alta e isso acontece em um dia com muitas notícias contraditórias. Dirigentes do banco central dos EUA falaram ontem e falam hoje novamente, sinalizando que os juros subirão antes do final do ano. Alguém na Europa alerta que o Banco Central Europeu pode paras com as compras mensais de títulos que vem fazendo há anos e que injetam mais de US$ 1 trilhão de moeda por ano no sistema financeiro da Zona do Euro. Mas o que tem feito os mercados subir, aqui e nos EUA, é o petróleo, que disparou mais de 2% como consequência da queda dos estoques nos EUA.

A Agência de Energia dos EUA anunciou que os estoques de petróleo cru caíram de 504,6 milhões de barris para 502,7 milhões na semana passada. Ainda que esteja muito acima do que esteve há um ano (457,9 milhões), os preços subiram fortemente. Veja o gráfico dos estoques:

 

O Barril de petróleo do tipo WTI está sendo cotado a US$ 49,8, recuperando o nível de outubro do ano passado, mas ainda está muito abaixo do que estava em 2014, ao redor dos US$ 80.

Com essa nova alta, os mercados passaram a subir, com destaque para as grandes empresas do setor Petrobrás 2,7%, Esso, 1%, Shell 2%, British Petroleum 1,15% e Repsol 2,44%.

Bom para os mercados, que escapam da turbulência que potencialmente poderia ocorrer hoje se as conversas acerca de política monetária ganhassem destaque. Com o início do último trimestre do ano os agentes começam a se perguntar o que vai acontecer com as políticas monetárias ao redor do mundo, que estão aumentando a oferta de moeda e mantendo juros muito próximos de zero há anos. Muita gente começa a acreditar que a hora de interromper os estímulos está chegando e isso tornaria os juros atuais insustentáveis. Note que os juros de títulos do Tesouro dos EUA, para dez anos, estão flutuando entre 1,5% e 1,7% há anos. Na Alemanha e Japão estão negativos, entre -0,05% e -0,10%. A Itália, que tem a maior dívida global (como proporção do PIB) os juros ficam entre 1% e 1,5% e mesmo a Espanha, que quase “quebrou” há alguns anos, está com juros abaixo de 1%. Os céticos acreditam que manter esses juros por muito tempo é impossível e que eles subirão inevitavelmente. Então, quando alguém dá um grito um pouco mais forte, todos correm para debaixo da mesa. Os grandes bancos, fundo hedge e fundos de pensão estão com posições enormes nesses títulos e se houver uma alta nos juros a perdas podem ser “trilhonárias”. Por conta disso os gestores ficam temerosos com qualquer ameaça e logo saem em busca de proteção quando alguém conta uma história diferente da que é contada todos os dias pelos bancos centrais: as economias estão crescendo muito pouco e se há riscos, eles estão do lado de ocorrerem mais desacelerações ou recessões. O FMI, que produz o melhor relatório econômico global, o World Economic Outlook, acaba de rebaixar suas expectativas de crescimento para as economias avançadas: de 1,8% para 1,6%. O destaque é o crescimento dos EUA que caiu de 2,2% para 1,6% em 2016 e de 2,5% para 2,2%.

A discussão que está realmente sendo feita entre os principais BC’s do mundo não é sobre quando as políticas de estímulo serão encerradas, mas sobre como elas serão reforçadas já que senão estão conseguindo evitar a desaceleração do mundo. Logo não há muito espaço para acreditar nos alertas alarmistas sobre as altas dos juros. Eles devem continuar muito baixos por muito tempo.

Mas como os mercados são soberanos, no sentido de acreditarem no que querem acreditar e, sobretudo, porque têm posições enormes, essa verdade precisa ser testada e questionada todos os dias. Com isso a turbulência sempre é uma opção.

 

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