Ibovespa mantém os 64 mil pontos com balanços e Efeito Trump; dólar sobe para R$ 3,20

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O Índice Bovespa fechou praticamente estável nesta sexta-feira, com alta de 0,09%, aos 64.307 pontos, apesar da piora dos mercados internacionais. O índice acumulou alta de 0,31% na semana e 10,18% no mês. No ano, a alta é de 48,25%, em boa parte impulsionada pelos investidores estrangeiros, animados com a melhora do cenário político e pelo avanço das reformas fiscais.

As bolsas americanas fecharam em queda após a divulgação de que o FBI, a polícia federal americana, estaria reabrindo a investigação sobre o uso de e-mail pessoal pela candidata democrata Hillary Clinton quando era secretária de Estado.

O risco de o candidato Donald Trump, do Partido Republicano, ganhar a eleição fez também o peso mexicano despencar, já que o país vizinho seria o principal prejudicado pelas políticas anti-imigração do empresário xenófobo.

Alliar cai na estreia na retomada dos IPOs

As ações da empresa de diagnósticos Alliar Médicos à Frente (BOV:AALR3), que estreou hoje no mercado, fecharam em queda de 4%, negociadas a R$ 19,20. Os papéis foram vendidos na oferta a R$ 20,00 e marcaram a retomada dos IPOs depois de 16 meses sem uma única operação. A expectativa da bolsa é de até 25 IPOs no ano que vem. O sócio da Allians e gestor de fundos, o Pátria Investimentos, diz que mais duas empresas de saúde de sua carteira podem vir a mercado este ano.

Balanço da Ambev decepciona

Os destaques do dia ficaram com as empresas que divulgaram seus resultados. Ambev ON,(BOV:ABEV3) segundo maior peso do Ibovespa, caiu 2,05% mesmo após divulgar balanço com um lucro líquido de R$ 3,4 bilhões. O número ficou abaixo das expectativas do mercado, de R$ 4,7 bilhões, segundo a XP Investimentos. Além disso, os volumes de vendas caíram no Brasil e na Argentina, seus principais mercados, e a empresa teve perdas com hedge (proteção) cambial pela queda do dólar. A empresa reduziu as projeções de crescimento da receita no Brasil pela segunda vez este ano, citando o “ambiente desafiador” do quarto trimestre e o fato de os volumes da indústria de bebidas continuarem fracos.

Usiminas sobe 11%

Já Usiminas PNA (BOV:USIM5) foi destaque de alta, com 11,30% de ganho. Apesar da queda da receita líquida, de 6,8% sobre o terceiro trimestre do ano passado divulgada hoje, este foi o melhor resultado desde 2014. O volume de aço vendido caiu 18,7%, mas isso foi compensado pelo reajuste dos preços, segundo a Ativa Investimentos. Já o BB Investimentos destaca que o setor de mineração da empresa não ajudou muito o resultado, pois não exportou.

A renegociação da dívida da empresa, alongada por 10 anos com três de carência reduziu bastante o custo financeiro da companhia. Além disso, 90% do débito é atrelado ao juro diário do CDI, que tende a cair com a redução da Selic. A corretora lembra, porém, que a briga entre os sócios Nippon Steel e Ternium continua ameaçando a empresa.

Petrobras cai com petróleo

Petrobras acompanhou a queda do petróleo, com mais dificuldades previstas na reunião dos produtores na Opep. O papel PN (BOV:PETR4) fechou estável, mas o ON (BOV:PETR3) recuou 0,63%. Já Vale subiu, 0,29% o papel PNA (BOV:VALE5) e 0,64% o ON (BOV:VALE3). Nos bancos, que têm o maior peso no índice, não houve uma tendência única, com Itaú Unibanco PN (BOV:ITUB4) subindo 0,84% e Bradesco PN (BOV:BBDC4), 0,37%, enquanto Banco do Brasil ON (BOV:BBAS3) caiu 1,57%.

Pão de Açúcar

As maiores altas do Ibovespa foram de Usiminas PNA (BOV:USIM5), seguida de Pão de Açúcar PN (BOV:PCAR4), 3,49%, BR Foods ON (BOV:BRFS3), 3,07% e Gerdau Metalúrgia PN (BOV:GOAU4), 3,02%. Pão de Açúcar subiu após divulgar um aumento de 45,7% nas vendas nas mesmas lojas no terceiro trimestre, mas a receita não acompanhou e as despesas subiram 8,2%, fazendo com que o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização caísse 9,8%. O prejuízo no trimestre foi de R$ 308 milhões.

BR Foods

Já BR Foods teve um lucro de R$ 18,4 milhões, bem abaixo dos R$ 687 milhões do mesmo período do ano passado. A corretora Coinvalores, porém, acredita que essa piora reflete o mercado brasileiro em recessão, que responde por metade da receitas da BR Foods, e pela forte queda de consumo na Rússia também. Mas, nos próximos trimestres, a corretora espera uma retomada da rentabilidade, com ganhos de sinergia de empresas adquiridas.

As maiores quedas do Ibovespa foram de JBS ON (BOV:JBSS3), -2,50%, seguidas por Ambev ON (BOV:ABEV3) e Banco do Brasil ON (BOV:BBAS3).

As maiores altas da semana do Ibovespa foram lideradas por Usiminas PNA (BOV:USIM5), 16,92%, Vale PNA (BOV:VALE5), 11,48%, Cemig PN (BOV:CMIG4), 11,25% e Vale ON (BOV:VALE3), 11,20%, segundo dados da Economática. Já as maiores baixas foram de JBS ON (BOV:JBSS3), 18,18%, Natura ON (BOV:NATU3), 6,97%, Estácio Participações (BOV:ESTC3), 6,69% e Kroton ON (BOV:KROT3), 5,86%.

Dólar sobe com cenário externo

No mercado de câmbio, o dólar comercial subiu 1,26%, para R$ 3,197, impulsionado pelo nervosismo no exterior e pelo PIB americano, que subiu mais que o esperado no terceiro trimestre, reforçando a expectativa de alta dos juros em dezembro. O dólar turismo subiu 2,13%, para R$ 3,35. O BC manterá o horário de registro de câmbio até 23 horas até segunda-feira, quando termina o prazo de repatriação.

No mercado de juros, as projeções caíram, com os contratos para janeiro de 2017 recuando 0,005 ponto percentual, para 13,720% ao ano. Para 2018, a queda foi de 0,010 ponto, para 12,230% e, para 2021, de 0,020%, para 11,32%. Hoje, o IGP-M de outubro mostrou inflação de 0,16% no mês, ainda modesta, mas de 8,78% em 12 meses. O índice é usado na correção dos aluguéis.

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