Perspectiva para o Brasil estabilizou, mas segue incerta

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Na quarta-feira, a agência de classificação de risco Moody’s manteve a nota de crédito do Brasil em ‘Ba2’, mas elevou a perspectiva do rating de negativa para estável, afirmando que a economia do país mostra sinais de recuperação, que as instituições voltaram a se fortalecer e apoiam reformas de ajuste fiscal e que diminuíram as chances de o governo precisar resgatar empresas como a Petrobras de uma potencial crise financeira.

A notícia teve pouco efeito sobre o mercado, pois os investidores já haviam embutido nos preços das ações e de outros ativos uma visão otimista sobre a situação brasileira, e inclusive tiveram de desfazer parte destas apostas recentemente em meio a receios com eventuais dificuldades que o governo pode enfrentar para aprovar reformas econômicas no Congresso e para atingir a meta de resultado primário.

Na Câmara dos Deputados, o projeto de emenda constitucional que contém a reforma da Previdência – um dos pontos mais importantes do processo de ajuste fiscal – recebeu mais de 100 emendas que serão analisadas. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tentou gerenciar expectativas e disse que um dos pontos mais polêmicos do projeto, a adoção de uma idade mínima de 65 anos para a aposentadoria, não é essencial, e que o mais importante é manter o equilíbrio do projeto.

Meirelles também indicou que o governo poderá recorrer a aumento de impostos para garantir o cumprimento da meta de resultado primário, tese que ganhou força após o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidir que o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) não se incorpora ao patrimônio do contribuinte e não pode integrar a base de cálculo das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) – o que deve diminuir a arrecadação federal.

Soma-se aos fatores que reduzem o otimismo com os ativos brasileiros a denúncia surgida na última sexta-feira de que frigoríficos brasileiros – entre eles a BRF e a JBS – estariam corrompendo fiscais da vigilância sanitária, e que partidos políticos podem fazer parte do esquema. Isso colocou em dúvida a qualidade dos produtos que estas empresas ofertam no mercado doméstico e no exterior. As ações de ambas caíram cerca de 10% no final da semana passada por causa desta suspeita.

O mercado também segue aguardando a liberação do sigilo das delações premiadas da Odebrecht e da Braskem, que estão sob análise do STF e que, na visão de analistas, podem desviar o foco das reformas econômicas pretendidas pelo governo se indicarem envolvimento de partidos aliados ao presidente Michel Temer em situações de corrupção.

Diante disso, é necessário ficar atento ao alerta que a Moody’s fez ao fim do comunicado sobre a nota de crédito do Brasil, afirmando que o ressurgimento de riscos econômicos e fiscais negativos podem fazer o rating do país diminuir – principalmente se houver uma retomada da turbulência política observada no ano passado.

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