A Palavra do Gestor - Abril/2017

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A Bolsa de Valores terminou o mês de março com uma queda de 2,52% a 64,984 pontos, sendo a 1ª queda desde dezembro de 2016. Entretanto, temos que ressaltar que a bolsa acumula ganho de 7,9% no trimestre. O dólar encerrou em R$ 3,13 com valorização de 0,60%, no trimestre desvalorização de 3,70%. O mês de março apresentou grande volatilidade seja na bolsa seja no dólar, causados por muitos eventos externos e internos.

Os investidores estrangeiros contribuíram com boa parte da queda, com a retirada de R$ 3,3 bilhões do mercado de capitais, porém o saldo acumulado continua positivo em R$ 3,5 bilhões em 2017. No âmbito externo, o presidente dos EUA, Donald Trump, continua testando o Congresso e acumulando novas derrotas num curto espaço de tempo, de menos de 100 dias de governo. Hoje, muitos passam a duvidar se terá força para aprovar as reformas no setor bancário e reduzir impostos, já que as mudanças de saúde, o “Obamacare” precisou sair da pauta por um possível fracasso na aprovação, ou seja, por enquanto este sistema continua valendo.

Do lado positivo, o Fed, embora na última reunião em março, decidiu por aumentar 0,25bp para o intervalo de 0,75%-1,00% a.a., o discurso mais Dovish fez com que os mercados subissem e o dólar caísse. A expectativa é que possa haver mais 2 aumentos de 0,25bp ao invés de 3.

Internamente, o final de semana de 19/03 caiu como uma bomba, a Operação Carne Fraca da Polícia Federal, cuja investigação corre por 2 anos. Esta notícia ocasionou drástica queda nas ações das empresas de frigoríficos, colocando em risco as exportações brasileiras. Entretanto, alguns países como a China pararam de receber produtos brasileiros, até que tudo seja resolvido. Em 2016, o Brasil exportou para 150 destinos gerando uma receita de R$ 13,7 bilhões. Ainda, o processo corre sem decisão final.

No mercado local, as notícias da área econômica não podiam ser melhores. Inflação em queda, atingindo o centro da meta. O câmbio estável. O Banco Central indicando cortes mais agressivos. E por fim, a balança comercial batendo recordes. Na última reunião do Copom em fevereiro, o Banco Central cortou a taxa básica em 0,75% colocando a Selic em 12,25%. Com os últimos dados econômicos, a expectativa é de um corte de 1% na próxima reunião em 11-12 de abril.

Em março, a boa notícia foi da Agência de rating, Moody´s, melhorando a perspectiva do Brasil de negativo para estável, considerando que as reformas da Previdência sejam aprovadas. A grande questão é saber quando e como ela será aprovada. O governo continua apostando na aprovação, mas o ponto principal é a aprovação na sua íntegra. O presidente Michael Temer deu prazo de 6 meses para que os municípios e os estados façam a sua própria reestruturação, caso nada seja feito até a data estabelecida, prevalecerá as decisões do Governo Federal.

No final do mês, o presidente Temer sancionou a Lei da Terceirização, que já havia sido aprovada pela Câmara. Esta lei deixará o custo Brasil mais barato e menos pesado para as empresas, embora polêmico, permitirá o aumento da contratação e o crescimento do país.

Na parte política em março, temos que ressaltar que não foi bom, começando pela famosa lista do Janot, agora com a versão 2.0. Após as delações da Odebrecht, foram divulgadas a lista do Janot contendo nomes de ministros, senadores, governadores e deputados de todos os partidos, além de atingir o núcleo duro do governo. Para início de abril começará a votação para a cassação da chapa Dilma-Temer. O relator Herman Benjamin já possui quase 8.000 páginas de documentos e muito provavelmente votará pela cassação. Existem muitas manobras para atrasar esta votação, tal como, o pedido de vistas por parte de algum ministro, na tentativa de atrasar o processo. Em última instância, caso a chapa seja cassada, Michael Temer volta ao poder de forma indireta pelo Congresso. Aparentemente, o mercado parece não se importar com este evento. Na verdade, a maior preocupação é sem dúvida a aprovação da reforma da Previdência.

Apesar das más notícias do mês de março, os dados econômicos são positivos. Continuamos otimistas com a bolsa.

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