Plano do Fed para reduzir balanço fez juros caírem em vez de subirem

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Na quarta-feira, o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, apresentou as linhas gerais do plano que irá seguir para se desfazer dos trilhões em títulos de dívida que mantém em carteira e, diferentemente do que se esperava, a notícia provocou um declínio nas taxas de juros norte-americanas.

Atualmente, o balanço do Fed possui pouco mais de US$ 4,5 trilhões em ativos, sendo a maioria deles títulos da dívida pública norte-americana e títulos que representam dívidas hipotecárias. Esses papéis foram adquiridos ao longo dos últimos anos pelo banco central para manter as taxas de juros em níveis baixos o suficiente para estimular a recuperação da inflação, do crédito e do consumo nos anos pós-crise.

Ao entrar no mercado de títulos de dívida como comprador, o Fed aumentou o preço desses ativos e provocou o movimento inverso nos juros oferecidos ao investidor. Quando parou de adquirir os títulos em 2014, o Fed continuou reinvestindo o dinheiro recebido após o vencimento destes papéis em mais títulos de dívida, de forma a evitar que o estímulo fosse revertido.

O plano anunciado pelas autoridades, porém, tem como objetivo diminuir o volume de ativos nas mãos do banco central. Sob a proposta, o Fed determinará possivelmente ainda este ano o quanto deixará de reinvestir mensalmente em títulos de dívida. O valor inicialmente será baixo, mas aumentará de três em três meses. Com isso, a instituição terá cada vez menos títulos em carteira, pois deixará de repor os papéis que forem vencendo.

Diferentemente do que se esperava, as taxas de juros nos Estados Unidos caíram após a divulgação do plano. Os investidores, aparentemente, esperavam que o Fed fosse mais agressivo em sua estratégia para drenar a liquidez injetada no sistema financeiro ao longo dos últimos anos.

O movimento impõe um novo desafio ao banco central, que vem defendendo juros maiores nos Estados Unidos para evitar que a inflação, cada vez mais perto da meta de 2% ao ano, fique muito além deste limite. Também indica que, em outros países do mundo, os juros devem permanecer baixos por mais tempo, ou cair com mais rapidez, visto que o mercado, ao que parece, segue amplamente tolerante às iniciativas do Fed para apertar a política monetária.

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