Desemprego recua para 13%, abaixo do esperado; 13,5 milhões buscam vaga, mas sinais são de melhora

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No segundo trimestre, a taxa de desocupação (razão entre o número de pessoas desocupadas – que buscam trabalho e não encontram – e o número de pessoas na força de trabalho) recuou para 13,0%, abaixo do esperado pelo mercado, que trabalhava com 13,4% na mediana das projeções.  Os dados foram divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O percentual ficou menor que o dado do trimestre anterior (13,7%) e teve avanço mais moderado em relação ao mesmo trimestre do ano passado (11,3%), de apenas 1,7 ponto percentual, ate avanço de 2,8 pontos entre o primeiro trimestre de 2016 e 2017.

O rendimento real caiu sobre o trimestre anterior, 1%, para R$ 2.104,00, mas subiu em relação ao mesmo trimestre de 2016, 3% (ver abaixo).

Indicador / Período abril-junho 2017 janeiro-março 2017 abril-junho 2016
Taxa de desocupação 13,0% 13,7% 11,3%
Rendimento real habitual R$ 2.104 R$ 2.125 R$ 2.043
Valor do rendimento em relação a: -1,0% (estável) 3,0% (estáv

Consultorias destacam que a melhora ocorre apesar do aumento do número de pessoas procurando emprego, a chamada participação da força de trabalho na população em idade ativa. Isso indica maior força da economia. A maioria dos empregos, porém, foi sem carteira assinada e de autônomos. A indústria puxou as contratações.

Segundo a Rosenberg Associados, que trabalhava também com 13,4% de desemprego para o segundo trimestre, a melhora do mercado de trabalho está ocorrendo de maneira antecipada e reflete melhora do pessoal ocupado, devendo continuar no segundo semestre do ano.

Primeira queda mensal desde 2014

No segundo trimestre do ano, havia aproximadamente 13,5 milhões de pessoas desocupadas no Brasil, 16,3% mais que em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Foi o menor crescimento de desempregados verificada nesta base de comparação desde o primeiro trimestre de 2015. Em relação ao primeiro trimestre, a população desocupada recuou 4,9% – o primeiro recuo nesta base de comparação desde o último trimestre de 2014.

Mais gente procurando emprego

A taxa de participação (número de pessoas dispostas a trabalhar entre os que têm mais de 14 anos) atingiu 61,7%, nível recorde histórico, mostrando que há muitas pessoas buscando trabalho e a melhora da taxa de desocupação decorre de genuíno aumento da população ocupada. Ótimo sinal para a recuperação da atividade econômica, segundo a Rosenberg.

Queda do número de empregados é menor desde 2015

O nível da ocupação (razão entre o número de pessoas ocupadas e o número de pessoas com mais de 14 anos) voltou a subir na leitura do trimestre encerrado em junho, atingindo 53,7%. O pessoal ocupado (90,2 milhões) recuou 0,61% em relação ao segundo trimestre de 2016, a menor queda nesta base de comparação desde o terceiro trimestre de 2015. Na comparação com o primeiro trimestre de 2017, houve avanço de 1,4%, maior nesta base de comparação desde o segundo trimestre de 2012.

Mais 1,3 milhão de empregados no segundo trimestre

O contingente de ocupados aumentou em 1,3 milhão de pessoas no segundo trimestre em relação ao primeiro, enquanto o contingente de desocupados caiu em 0,7 milhão.

Empregados sem carteira assinada crescem e já são 10,6 milhões

O contingente de empregados no setor privado com carteira de trabalho assinada (exclusive trabalhadores domésticos), estimado em 33,3 milhões de pessoas, ficou estável frente ao trimestre anterior (janeiro a março de 2017). Em relação ao mesmo trimestre de 2016, houve queda de 3,2% (menos 1,1 milhão de pessoas). O número de empregados sem carteira de trabalho assinada (10,6 milhões de pessoas) cresceu 4,3% no trimestre (mais 442 mil pessoas) e subiu 5,4% (mais 540 mil pessoas) em relação ao mesmo trimestre de 2016.

Conta própria aumenta em 396 mil, para 22,5 milhões

O número de trabalhadores por conta própria (22,5 milhões de pessoas) cresceu 1,8% na comparação com o trimestre anterior (mais 396 mil pessoas) e recuou 1,8% em relação a 2016 (menos 415 mil pessoas). O número de empregadores (4,2 milhões de pessoas) ficou estável frente ao trimestre imediatamente anterior e cresceu 13,1% (mais 484 mil pessoas) em relação ao mesmo trimestre de 2016. Já entre os trabalhadores domésticos (6,1 milhões de pessoas) a ocupação ficou estável em ambos os trimestres comparativos.

Indústria puxa o emprego e Construção demite

Por setor da economia, o emprego do primeiro para o segundo trimestre foi puxado pela indústria. Houve aumento nas categorias: Indústria Geral (3,3% ou mais 375 mil pessoas), Transporte, Armazenagem e Correio (2,9%, ou mais 131 mil pessoas), Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (3,2% ou mais 485 mil pessoas) e em Outros serviços (5,6% ou mais 238 mil pessoas). Os demais grupamentos ficaram estáveis.

Em relação ao mesmo trimestre de 2016, houve reduções nos grupamentos da Construção (-9,2% ou – 683 mil pessoas), e da Agricultura, Pecuária, Produção Florestal, Pesca e Aquicultura (-8,1% ou – 765 mil pessoas) e altas em Alojamento e Alimentação (12,9% ou mais 579 mil pessoas) e em Outros serviços (7,8% ou mais 323 mil pessoas). Nos demais grupamentos não ocorreram variações significativas.

Rendimento médio real sobe na agricultura

O rendimento médio real habitualmente recebido em todos os trabalhos pelas pessoas ocupadas foi estimado em R$ 2.104 no trimestre de abril a junho de 2017, mostrando estabilidade tanto frente ao trimestre de janeiro / março de 2017 (R$ 2.125) quanto em relação ao mesmo trimestre de 2016 (R$ 2.043), observa a Rosenberg.

Em relação ao mesmo trimestre de 2016, o rendimento médio real habitual ficou estável em todos os grupamentos de atividade, exceto no da Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, que teve alta de 13,6%. Na comparação com o trimestre janeiro-março de 2017, houve estabilidade em todos os grupamentos de atividade.

A massa de rendimento real habitualmente recebido em todos os trabalhos pelas pessoas ocupadas foi estimada em R$ 185,1 bilhões para o trimestre abril / junho de 2017 e ficou estável em ambas as comparações.

Revisão para melhor das projeções

A partir dos dados divulgados hoje, melhores que o esperado, a Rosenberg informou que vai revisar a expectativa de desemprego para este ano para baixo. A taxa de desocupação no terceiro e quarto trimestres do ano deve ficar em  12,8% e 12%, respectivamente, o que é compatível com uma taxa dessazonalizada em torno de 12,8%. No ano, isso significa uma taxa de desocupação média de 12,9%, abaixo dos 13,2% anteriormente esperados.

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