A Vale vai mudar para o Novo Mercado. E agora?

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A mineradora Vale, uma das empresas mais importantes do Brasil e do mundo, está prestes a mudar drasticamente no que se refere a bolsa de valores. A empresa irá migrar para o Novo Mercado e os acionistas tem até a próxima sexta-feira, dia 11 de agosto, para decidir se irão converter suas ações ou não. Mas o que isso significa?

Atualmente, as ações da empresa estão divididas entre ações preferenciais PN (VALE5), que não dá direito voto ao acionista que a possui e ações ordinárias ON (VALE3), que conferem direito de voto em assembleias. Para a migração ao Novo Mercado, as ações preferenciais devem ser convertidas para ordinárias.

Esta conversão, além de adequar a Vale ao modelo de mercado mundial, fará com que as participações estatais da companhia diminuam drasticamente, diluindo o controle e reduzindo a influência do Governo na empresa. Com a mudança, o grupo controlador da Vale, que hoje detém mais de 51% de ações, passará a ter menos de 50%. A previsão da empresa é que, em 3 anos, a dissolução do acordo de voto será completa e nenhum acionista ou grupo de acionistas poderá deter mais de 25% do total das ações da companhia. Para Fábio Schvartsman, CEO da Vale, este é o passo mais importante para a construção de novos valores para a companhia.

Para alcançar a eficácia da conversão, será necessário que ao menos 54,09% das ações PN  sejam convertidas em ON até dia 11 de agosto. Com isso em mente, existem alguns aspectos que o investidor deve levar em consideração antes de realizar a conversão.

De acordo com Schvartsman, há um apoio positivo dos acionistas e a expectativa da Vale é de atingir o quórum mínimo, logo, quem optar por continuar com as PN poderá sofrer com uma liquidez reduzida dessas ações, ou seja, será mais difícil se desfazer delas. Um ponto positivo da conversão é que as ações ON garantem ao acionista direito de voto na eleição de membros do conselho de administração da empresa e ainda dará ao acionista o “tag along”, mecanismo de proteção que permite acionistas minoritários receberem o mesmo valor pago para todos os acionistas em caso de mudanças de controle na companhia.

Em entrevista, Marcelo Coutinho, trader financista e coaching, dá a dica. “A expectativa do mercado com a conversão fará as ações da Vale subirem e isso tudo gera um movimento. Para o investidor, é importante avaliar como este movimento impacta sua vida financeira”. Ele ainda reforça que a modificação em si não trará benefícios, é apenas uma operação de troca simples.

Caso o acionista optar por realizar a conversão, que não é obrigatória, é importante saber que cada ação preferencial será convertida em 0,9342 ação ordinária.

Bruna Calazans é repórter ADVFN e estudante de Jornalismo pela Universidade Anhembi Morumbi. Também é responsável pelas colunas Balança Comercial, Mercado Diário, Análise Criptomoedas e Carteira Recomendada. Contato: brunac@advfn.com.br

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