Índice Ibovespa na máxima histórica?

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Após anos no limbo e ostracismo, o índice Ibovespa, principal indicador do mercado acionário brasileiro vem ressurgindo das cinzas, alcançado novos patamares e apresentando rentabilidade acumulada no ano bem relevante. Ainda que, diferentemente do ano de 2016, ano em que o período pós-impeachment permitiu uma grande descompressão de risco-político no preço das ações e melhora nas expectativas dos agentes (o índice valorizou-se 39%), a alta atual do índice se apresenta mais sólida e essencialmente ligada a melhora gradual da economia, bons ventos vindos do exterior, queda da taxa de juros e melhora no resultado das empresas, ou seja, um conjunto de fatores muito mais benigno.

Então começam a pipocar notícias aqui e acolá, divulgando sobre a ótima performance do índice. Frases como “Ibovespa renova a máxima”, “Índice Ibovespa supera a máxima histórica”, “bolsa de valores volta a ser opção rentável” e outras análogas tem sido bastante divulgadas. Situação perfeita para capturar investidores desavisados, em especial os minoritários, que ao assistirem Willian Bonner anunciar no meio do Jornal Nacional que o índice rompeu a máxima e está subindo de vento em popa podem vir a tirar conclusões precipitadas.

As engrenagens do mercado começam a funcionar e então os fenômenos das finanças comportamentais se manifestarem com o movimento de manada iniciado, trazendo uma enxurrada de interessados para as corretoras e escritórios especializados. Não que isso não seja positivo, afinal nosso mercado de capitais, em especial o de financiamento via bolsa de valores, é ínfimo se comparado com a experiência internacional.

Em tempos de outrora, lá em 2008, quando todo o otimismo com o Brasil era bem elevado, crescimento nas alturas, empresas lucrando, desemprego em baixa e cenário político relativamente estável (Lula tinha alto índice de aprovação popular), o índice chegou a ser cotado a 73.516 no dia 20 de maio de 2008, auge do otimismo global pré-crise econômica. A questão é: realmente o índice Ibovespa estaria rompendo sua máxima histórica agora? Vamos aos dados – os dados corretos.

Bem, se analisarmos o índice de forma nominal, sim! De fato, o índice é uma carteira teórica composta por várias empresas. Contudo, quando vamos para uma análise mais séria, quando vamos comparar valores ao longo do tempo, ou seja, quando vamos analisar o valor da carteira em várias datas é necessário descontar a inflação do período, para no mínimo trazer para bases comparáveis.

Se deflacionarmos a série com o índice IPCA, principal indicador de inflação do Brasil, chegamos à conclusão que o índice Ibovespa está no mesmo patamar de marco de 2013, muito explicado por todo esse período de pressão inflacionário que tivemos recentemente; dessa forma, o índice estaria por volta de 40.000.

Além do mais, como sabemos, grande parte do fluxo na bolsa de valores é dinheiro internacional, vindo dos mercados desenvolvidos, ainda mais considerando o momento de liquidez global muito positivo. O acumulado de aporte de estrangeiros no ano (até agosto) é de +R$ 12,1 bi. Sendo assim, se analisarmos o valor do índice em dólares, estaremos no mesmo nível de 2009, que seria equivalente a 20.000 pontos, ainda que o período recente seja de desvalorização da moeda americana.

Terraço

Tais métricas sugerem duas coisas: i) o Ibovespa de fato ainda possui bastante espaço para valorização e ii) cuidado com a analises superficiais que você vê por ai. Talvez não estão te contando a história completa.

Em suma: o índice Ibovespa alcançou sua máxima histórica? Em termos nominais, sim. Em termos reais, após observação em deflação e em dolarização, ainda estamos bem longe disso.

O Terraço Econômico é um espaço para discussão de assuntos que afetam nosso cotidiano, sempre com uma análise aprofundada (e irreverente) visando entender quais são as implicações dos mais importantes eventos econômicos, políticos e sociais no Brasil e no mundo.
Acesse: http://terracoeconomico.com.br/

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