Suno Research não vê atratividade em IPO da Camil

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Na manhã de ontem (20), a Camil divulgou oficialmente o adiamento da data de fixação do preço na oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). O processo, que estava previsto para acontecer ainda esta semana, deve ocorrer até o dia 28 de setembro, quando terá início a negociação das ações da empresa no segmento Novo Mercado da B3. Para a Suno Research, os investidores não devem participar da oferta.

Este será a segunda tentativa de abertura de capital da Camil na bolsa e o processo faz parte de uma revitalização das ofertas de ações no mercado brasileiro. Tiago Reis, analista da Suno Research, acredita que o IPO do Grupo tenha seu lado positivo no momento atual. “É fato que a empresa vem apresentando crescimento expressivo ao longo dos últimos anos, e é detentora de marcas valiosas, o que agrega valor e é uma clara vantagem competitiva”, afirma.

Veja a opinião da Empiricus sobre o IPO da Camil. 

Nos últimos anos, a receita da Camil saltou de R$ 3,6 bi em 2014 para R$ 4,94 bi em 2016, o que revela um desempenho significativo no segmento alimentício. Por outro lado, de acordo com Tiago, um dos fatores que tira a atratividade do IPO é “a dependência que a empresa tem em relação aos custos de matérias primas e commodities agrícolas”, explica. Ele também ressalta que o valuation pouco atrativo, menores margens em comparação com outros players do segmento e dividend yeld projeto baixo da Camil tornam a oferta pouco interessante.

Ainda, o analista fala sobre o risco do “enfeite da noiva”. O IPO é um processo que consiste, basicamente, na venda de uma parte da empresa para acionistas gerais. Para que isso ocorra, é preciso deixar a empresa atrativa para quem compra ações. Deste modo, algumas companhias decidem reduzir despesas de maneira “forçada”, justamente para demonstrar resultados mais chamativos para os investidores e alcançar sucesso maior na oferta pública. Apesar de ter dobrado seu lucro líquido nos últimos anos, a Camil possui um cronograma de amortização de dívida relevante no futuro e 97% da dívida bruta vence nos próximos 5 anos.

Este crescimento expressivo da Camil pode levar o investidor a pensar que esse é o ritmo natural das coisas e ignorar o endividamento da empresa. “Aguardem os próximos resultados e operacional da empresa, livre dos possíveis ‘enfeites da noiva'”, aconselha Tiago.

Bruna Calazans é repórter ADVFN e estudante de Jornalismo pela Universidade Anhembi Morumbi. Também é responsável pelas colunas Balança Comercial, Mercado Diário, Análise Criptomoedas e Carteira Recomendada. Contato: brunac@advfn.com.br

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