Suno Research não recomenda compra da Tivit através da oferta pública

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Suno Research afirma que por mais que a Tivit (TVIT3) seja uma boa empresa, o seu preço representa um valuation pouco atrativo no momento. Em relatório assinado por Felipe Tadewald e Tiago Reis, eles argumentam que a empresa possui um futuro bastante promissor, tendo em vista seu crescimento histórico, mas ela ainda permanece em um patamar extremamente elevado quando comparado com outras companhias do mesmo segmento.

IPO (sigla em inglês para abertura de capital) está marcado para o dia 02 de outubro, com o preço médio por ação de R$ 47,00, até então. A oferta pública de distribuição secundária pode chegar a movimentar R$ 1,4 bilhão.

Aspectos Positivos

A Tivit teve um crescimento médio de 13,7% ao ano na recita, entre 2009 e 2016, enquanto o EBITDA cresceu na média de 24,2%, entre 2014 e 2016, o que representa uma das maiores margens do setor. Para a Suno, isso mostra que “seu modelo de negócios é mais resiliente e protegido contra a desaceleração da economia”. Ao mesmo tempo, como a taxa média de renovação de contratos foi de 97%, entre 2010 e 2016, a satisfação dos clientes se mostra evidente, o que garante a previsibilidade das suas receitas e margens.

Setor de Tecnologia da Informação e Software, no qual a Tivit participa, é um dos segmentos mais rentáveis de se investir, perdendo apenas para o setor farmacêutico. “O fato do mercado de TI ainda ser subpenetrado e pouco explorado por muitas empresas, é um fator preponderante que deverá guiar o crescimento da Companhia e do setor no longo prazo, com a ‘digitalização’ cada vez maior das atividades humanas e corporativas”, aponta a Suno.

Levando em consideração que a Tivit atua principalmente na América Latina, a baixa penetração de serviços de TI na região faz com que a empresa tenha uma boa oportunidade de crescimento.

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Quanto a receita líquida, a empresa saltou de R$ 413 milhões em 2009 para R$ 1,4 bilhão em 2016, o que representa uma taxa de crescimento composta de 19% ao ano. O EBITDA também passou de R$ 127,4 milhões para R$340,1 milhões no mesmo período, um crescimento composto de 15,1% que demonstra “a capacidade da empresa de crescer controlando custos e despesas operacionais”. Por outro lado, o resultado líquido da companhia se manteve estagnado entre 2014 e 2016, passando de R$ 61,1 milhões para R$ 63,6 milhões.

Aspectos negativos

A Suno demonstra preocupações com relação aos contratos da Tivit com clientes. Para eles, o curto período de vigência e as clausulas de desempenho podem prejudicar a companhia, reduzindo as suas receitas com rompimentos de contratos ou até mesmo, indenizações expressivas.

Ao mesmo tempo, a postura adotada nos últimos anos de realizar aquisições e reorganizações societárias pode fazer com que a empresa enfrente dificuldades diante de avaliações incorretas.

A research também aponta para o possível risco de “enfeite da noiva”, em que companhias reduzem custos e despesas “forçadamente” para serem melhores avaliadas nos IPOs. “O fato de inúmeros acionistas pessoas físicas estarem ‘zerando’ suas posições, e os controladores, diminuindo, é um ponto que pode levantar alguma suspeita sobre o desempenho futuro da empresa”, afirma o relatório.

Valuation

A Tivit está avaliada em R$ 4,38 bilhões, aproximadamente, de acordo com o preço médio de R$ 47,00. Uma vez que o lucro líquido dos últimos 12 meses foi de R$ 70,8 milhões, “a empresa seria negociada em bolsa com uma relação P/L de cerca de 62 vezes, o que é um patamar extremamente elevado” levando em consideração outras empresas da área, aponta a Sumo.

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“Desconsiderando o efeito da variação cambial no 1S17, que não tem efeito caixa, a relação P/L ficaria mais próxima de 54 vezes, o que está mais em linha com o segmento, mas ainda mais cara”, aponta o relatório. “Já avaliando a relação EV/Ebitda, que relaciona o valor de firma da empresa com sua geração de caixa operacional, vemos que a TVIT3 será negociada com uma relação de 13,14 vezes, o que representa um patamar atrativo, e bem abaixo dos pares do segmento”.

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