Com o apoio do PSDB à reforma da Previdência, JURO-DIs aceleram queda

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Após o PSDB anunciar que fechou questão a favor da reforma da Previdência, as taxas dos contratos futuros de juros aprofundaram a trajetória de queda no início da tarde. Um detalhe que pode ajudar no trabalho de convencimento do presidente Michel Temer para garantir os votos que ainda faltam para votar o texto na semana que vem.

Influenciadas pela definição de data para o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da divulgação de dados, as taxas ate então, vinham operando em queda,mais fracos do que o esperado das vendas no varejo em outubro.

Para o operador da Renascença Corretora, Thiago Catellan, “A notícia do PSDB agrada, porém, trata-se de um partido que ainda segue rachado e o desfecho pode não ser o esperado”,  ao acrescentar que “a cada dia que passa aumentam as chances de a reforma ser votada somente no ano que vem”.

Com o apoio do PSDB a favor da reforma, o dólar renovou a mínima da sessão, o que também influenciou os DIs, muito embora os investidores saibam que nada está ganho ainda e segue a cautela. Na véspera, o presidente Michel Temer cobrou “um esforço concentrado” durante uma reunião com mais de 150 representantes no Palácio do Planalto, para pressionar os deputados a aprovar a reforma da Previdência ainda este ano.

Enquanto isso, o relator e deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), disse que o sentimento majoritário é de deixar a votação para o ano que vem. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região marcou para o dia 24 de janeiro o julgamento de Lula na ação em que o petista foi condenado pelo juiz Sérgio Moro no caso do tríplex do Guarujá.

“Se a sentença for mantida, Lula, em teoria, pode ficar inelegível para as eleições de 2018, mas parece-nos simplista pensar que a decisão do TRF,  por si só será o fim da
novela”, comentou a corretora Guide em relatório. O resultado mais fraco do que o esperado das vendas no varejo em outubro também foi fundamental para o viés de baixa
dos negócios nesta sessão. De acordo com o IBGE, as vendas no varejo no país caíram 0,9% em outubro ante setembro, ante perspectiva de que subiriam 0,20% em pesquisa da Reuters, o que abre espaço para juros mais baixos no país. “Varejo mais fraco reforça a percepção de espaço para novo corte de juros, mas a Previdência ainda é dúvida. Por isso, a curva continua tão inclinada”, justificou um gestor de um banco nacional.

Na ata do último encontro de política monetária divulgada na véspera, o Banco Central informou que mantinha sua “liberdade de ação” para decidir os próximos passos daqui para frente, mas ressaltou que suas decisões serão tomadas com “cautela”, mantendo o caminho pavimentado para novo corte, porém menor, da taxa básica de juros no início de 2018.
O BC cortou a Selic para o piso histórico de 7% ano na semana passada , após redução de 0,50 ponto percentual. A curva a termo mantinha nesta sessão a precificação em cerca de 70% de chances de redução de 0,25 ponto percentual da Selic em fevereiro, próxima reunião do Copom, com o restante sinalizando manutenção, segundo operadores. Para o encontro de março, as apostas de novo corte de 0,25 ponto ainda eram pequenas, ao redor de 25% com o restante vendo manutenção.

*Com informações da Reuters

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