UBS vê impacto negativo para bancos do tabelamento de taxas de cartões de débito pelo BC

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O Banco Central emitiu hoje três resoluções relativas a pagamentos que podem afetar a rentabilidade dos bancos, mas pode até beneficiar as empresas de adquirência do mercado, segundo o UBS. O principal impacto vem de um limite na tarifa de  débito, em linha com o que já aconteceu nos EUA e na Europa. “Isso foi antecipado pelo mercado”, diz o UBS, que destaca que o BC definiu um limite na tarifa de débito para cada transação em um intervalo entre 0,50% e 0,80% do volume, acima da experiência internacional.

O UBS destaca que a taxa média de débito atingiu 0,81% a partir do quarto trimestre de 2016 para o sistema (últimos dados disponíveis). Assim, o tabelamento da cobrança em um percentual reduzido é negativo para os bancos, enquanto o impacto é incerto para os adquirentes. “Temos uma indicação de compra em PAGSeguro e venda na Cielo”, diz o banco em relatório.

Segundo o UBS, em uma avaliação inicial, haverá um impacto potencial nos lucros por ação em 2018 de aproximadamente 0% para a Cielo e de + 9% para a PAGSeguro. “Nós sinalizamos três impactos. 1) Em um primeiro momento, a redução na tarifa de débito deixa mais espaço para os adquirentes”, diz o banco. O regulamento não força uma redução no MDR (taxa líquida de desconto cobrada dos lojistas) bruto. Em outras palavras, os adquirentes teoricamente poderiam manter 0,31 pontos percentuais em MDR extra (0,81% atuais ante 0,5% pretendidos pelo BC) para débito. Esse impacto positivo representa +10% do lucro por ação na Cielo e + 9% na PAGSeguro, nos cálculos do UBS. 2) “No entanto, achamos que isso é apenas um impacto teórico e o efeito de segunda rodada seria uma compressão no MDR geral bruto, que é o objetivo final do regulador e pode se materializar dentro de um a dois anos”, acrescenta o UBS. 3) Apenas para a Cielo, também haveria um impacto negativo na Cateno (subsidiária emissora), o que poderia impactar o lucro por ação em –10%.

No geral, o UBS acredita que a melhor perspectiva macro suportará melhores volumes de cartões para a Cielo (10% contra 7% em 2017), enquanto o PAGSeguro cresce 81%. “Esperamos crescimento de lucro por ação (EPS) de 106% no PAGS e de 4% na Cielo em 2018”, avalia o UBS.

Segundo o banco suíço, o PagSeguro é negociado a 36,2 vezes o lucro por ação de 2018 e a Cielo em 14,3 vezes o lucro. O UBS tem recomendação de compra para PagSeguro e de venda para Cielo, pela pressão competitiva. Os principais riscos são regulamentação, PIB mais lento, concorrência e disrupções tecnológicas que criem alternativas de pagamentos.

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