Em crise, BRF perde R$ 40 bi em 10 trimestres, mostra estudo

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A crise vivida pela BRF (BOV:BRFS3) resultou em perda de R$ 40 bilhões em dez trimestres seguidos, do terceiro trimestre de 2015 ao quarto trimestre de 2017, segundo estudo do doutor e professor de finanças corporativas na Fundação Getulio Vargas (FGV) EAESP, Oscar Malvessi. O estudo foi publicado pela Revista RI deste mês. Segundo Malvessi, o tamanho da queda equivale a praticamente a duas vezes o seu próprio valor de mercado no início da fusão entre Sadia e Perdigão.

O fato da empresa perder valor de mercado foi consequência do comportamento negativo dos indicadores de resultados e do fluxo de caixa. “Neste período, observou-se a diminuição acelerada das margens, dos indicadores de resultados e do fluxo de caixa livre, o que determinou a imensa destruição de valor no mercado”, diz o professor. Se fosse aplicado, o VEC – Criação de Valor, estes números estariam disponíveis e transparentes para a gestão, explica Malvesi.

Ao comparar os dados da BRF com outras empresas globais de alimentos, o professor destaca que o setor não vive uma fase confortável. As empresas globais ampliaram o faturamento de 2010 a 2017, apesar de taxas modestas, com aumento médio de 16%. Na BRF houve diminuição de 23%. “Companhias como Danone, Hormell Foods, Nestlé e Tyson Foods, conseguiram manter uma consistência que a gestão anterior da BRF não conseguiu”, diz.

A BRF enfrenta várias crises que podem ser consideradas um verdadeiro inferno astral. Elas começaram com a gestão da empresa pelo grupo liderado pelo empresário Abílio Diniz, ex-Pão de Açúcar, e pela gestora Tarpon Investimentos, e que resultou em prejuízos nos últimos dois anos. Além disso, a empresa foi envolvida no escândalo de suborno de fiscais sanitários da Operação Carne Fraca e, depois, em seu desdobramento, a Operação Trapaça,  envolvendo laboratórios de análise de contaminação por salmonella de produtos para exportação. As denúncias acabaram por levar à prisão temporária do ex-presidente da empresa Pedro de Andrade Faria, e à suspensão das importações de peito de frango pela União Europeia.

Os problemas de gestão provocaram um conflito entre os acionistas da BRF, dividindo os fundos de pensão, liderados por Previ e Petros, e o grupo de Abílio, formado pelo fundo da família Diniz, o Península, e a Tarpon. A disputa terminou com Abílio deixando a presidência do Conselho de Administração e colocando em seu lugar o então presidente da Petrobras e campeão da governança, Pedro Parente. Ontem, Parente, que se demitiu da Petrobras após o desgaste da greve dos caminhoneiros, foi indicado também para ser o presidente-executivo da BRF, devendo portanto tocar o dia a dia do negócio por 12 meses.

Em meio ao conflito entre os acionistas, a BRF foi prejudicada pela greve dos caminhoneiros, que cortou o suprimento de comida para aves e suínos e impediu o escoamento da produção. E, mais recentemente, a China decidiu suspender as importações de frango do Brasil alegando concorrência desleal com seus produtores.

Se não bastasse tudo isso, a BRF enfrenta ainda a concorrência da Seara, braço de frangos, suínos e carnes processadas da gigante JBS.

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