Semana terá Petrobras, IPCA, IGP-DI, dados de produção industrial e de veículos

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A primeira semana de junho deve ser agitada pelos desdobramentos ainda da greve dos caminhoneiros na economia e da saída de Pedro Parente do comando da Petrobras. O mercado estará atento a qualquer sinal de que o governo pretende mudar a política de preços da companhia, apesar de ter indicado um nome ligado a Parente para comandar a estatal, Ivan Monteiro, diretor-financeiro.

Os investidores vão acompanhar ainda os movimentos dos juros, do dólar e dos preços das ações da estatal que, com o pedido de demissão do executivo, caíram quase 15% na B3 na sexta-feira, uma perda de R$ 40 bilhões de valor de mercado em um só dia. Na agenda doméstica, entre os principais destaques econômicos estão a divulgação de resultados da produção industrial, relativos a abril, que saem entre segunda e terça-feira, e da inflação oficial de maio, com o IBGE apresentando na sexta-feira o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado pelo Banco Central para acompanhar os objetivos definidos no sistema de metas de inflação.

Será importante acompanhar também nesta segunda-feira, o relatório Focus, pesquisa semanal feita pelo Banco Central (BC) que mostra as projeções do mercado para a economia. Diante do impacto da greve dos caminhoneiros, as projeções do PIB devem ter queda, acentuando o movimento mais pessimista da semana anterior.

Produção de veículos e IGP-DI: sinalizadores para o PIB

Saem também dados de produção de veículos, referentes a maio, que a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) apresenta na semana (data ainda indefinida), e que contribuem para balizar as projeções para o PIB do segundo trimestre. Na quarta-feira, será conhecido o IC-Br, também de maio, indicador do BC que reflete as variações dos preços de commodities nos mercados internacionais. E, na quinta-feira, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulga o IGP-DI de maio. O indicador mede a inflação de preços desde as matérias-primas agrícolas e industriais até bens e serviços finais, além de ser referência para correções de preços e valores contratuais, e diretamente empregado no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB).

Cenário externo complicado aprofundou clima de incerteza

Analistas do Banco Fator lembram que o mês de maio se caracterizou pela complicação do cenário externo, com incerteza política na Europa, os juros italianos praticamente dobrando. A Itália deve seguir no centro das atenções depois que o partido populista Movimento 5 Estrelas e o de extrema direita Liga conseguiram montar um governo que deve ser contrário à União Europeia, sob comando do jurista Giuseppe Conte. Na Espanha, a expectativa é com o novo governo do socialista Pedro Sánchez, que assumiu após o voto de desconfiança que derrubou o conservador Mariano Rajoy.

E, nos EUA, a preocupação é com a alta dos juros de 10 anos do Tesouro, especialmente no meio do mês de maio, “apesar de terem encerrado este período em baixa, mas num movimento suficiente para mudar o patamar da percepção de risco; a forte alta do dólar e importante ganho no preço do petróleo contribuíram para o quadro de enorme incerteza ao longo do mês”, afirma o Fator.

Também as negociações entre Estados Unidos e China em torno de barreiras tarifárias continuam tensas, assim com entre os americanos e a União Europeia, Canadá e México, que passaram a pagar sobretaxa de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio na sexta-feira.

Depreciação do real, greve de caminhoneiros e Petrobras: marcos negativos

No Brasil, destaca a equipe do banco em relatório, o mês de maio não foi mais fácil, marcado por forte queda na bolsa — primeiro com a depreciação do real, depois pela instabilidade pela greve dos caminhoneiros, que se refletiu também no preço da Petrobrás — contaminando os preços de outras ações ligadas ao estado, como BB e Eletrobras, que, na avaliação do Fator, “tão cedo não devem retornar aos níveis pré-greve”.

A solução que aparentemente será adotada, a do subsídio, avalia a equipe, só persiste até o fim do atual governo, e poderá ser substituída por outra pior ou melhor aos olhos dos investidores e analistas. “Mas, mesmo que continue como está, o subsídio configura um crédito da empresa contra o Tesouro, o que tem seus riscos próprios que entrarão na formação do preço de mercado da empresa.”

Lá fora, atenções sobre atividade econômica na área do Euro e inflação da China

Na agenda internacional, dizem os analistas do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depec) do Bradesco, o destaque fica para os indicadores de atividade da área do Euro e dados de inflação na China. No dia 7, quinta-feira, sai  o resultado final do PIB do primeiro trimestre da área do euro, que, segundo relatório do Depec, deverá confirmar crescimento de 0,4%, ritmo favorável de expansão, porém mais moderado do que o observado no ano passado. Já as vendas no varejo de abril da região, na avaliação da equipe do banco, deverão confirmar essa percepção, assim como a produção industrial da Alemanha.

No caso da China, dados referentes a maio de inflação, tanto ao consumidor quanto no atacado, e desempenho da balança comercial, serão os destaques de agenda.

Crise desgasta governo e mantém Congresso em alerta

No cenário político, a saída do presidente da Petrobras, Pedro Parente, após o fim da paralisação dos caminhoneiros, mantém o governo Temer, a estatal e o Congresso Nacional no foco das atenções. A movimentação dos pré-candidatos à Presidência da República se mantém colada às agendas política e econômica, mas sem novos fatos marcantes nas campanhas.

A queda de Parente, desgastado no governo e no Congresso por sua política de reajustes dos combustíveis, exigiu uma resposta do Palácio do Planalto, que indicou Ivan Monteiro para assumir o comando. A situação, entretanto, trouxe desconfiança ao mercado e aos investidores, pela interferência política na estatal.

Já o Congresso, mesmo se  prevendo um período de pouca atividade no mês, por conta das festas juninas e da Copa do Mundo, deve manter-se alerta às ações de governo e aos desdobramentos dos últimos acontecimentos. Afinal, a crise de desabastecimento, seguida pela mudança no comando da Petrobras, sacudiu os alicerces do governo, com o Planalto batendo cabeça e atendendo à pressão dos aliados, preocupados com os resultados das urnas em outubro.

Sem força para concretizar planos e reformas

Com o governo desgastado diante da opinião pública e sem apoio necessário dos parlamentares, já se admite, segundo informações do jornal Estadão, que Eduardo Guardia, ministro da Fazenda, terá dificuldades para aprovar, até o fim do ano, medidas econômicas prioritárias definidas em abril. Sejam mudanças mais simples, como a duplicata eletrônica, até as mais polêmicas, como o projeto de privatização da Eletrobrás.

Bradesco prevê alta de 0,3% na produção industrial e núcleos ‘comportados’ para o IPCA

A estimativa dos economistas do Depec-Bradesco para a produção industrial, no Brasil, é de um crescimento de 0,3% em abril. “Em relação ao IPCA, projetamos variação de 0,29%, levando em conta a aceleração dos preços da gasolina e de alimentação, enquanto os núcleos deverão permanecer comportados”.

A equipe destaca ainda em seu relatório que os dados de produção de veículos, já referentes a maio,  ajudarão a calibrar as expectativas para o PIB do segundo trimestre do ano, “tendo em vista as recentes revisões baixistas para a atividade econômica”.

Na avaliação do Banco Fator, o IPCA de maio já deve vir “azedado” em 0,63%, acumulando 3,81% em doze meses (depois de 11 meses sem passar dos 3,0%) e elevando um pouco a inflação esperada para este ano. “Mas não tem sentido somar 0,40% (o que o IPCA trará de surpresa este mês) à inflação anteriormente projetada”, ressalta relatório da equipe.

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