Bradesco lança R$ 120 milhões em LIG e espera chegar a R$ 5 bilhões em 2 anos

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O Bradesco (BOV:BBDC4) deve lançar ainda este ano R$ 120 milhões em Letras Imobiliárias Garantidas (LIG), papel que une a garantia do banco com recebíveis de crédito imobiliário, inaugurando o mercado recém-regulamentado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e pelo Banco Central (BC). A informação é do presidente do banco, Octávio de Lazari Junior, durante almoço com jornalistas. Segundo ele, essa primeira tranche será para sentir o apetite do mercado. O objetivo é chegar a R$ 5 bilhões em LIGs nos próximos dois anos. “O setor de crédito imobiliário é um dos que deve crescer no ano que vem e nos próximos, mas os recursos da caderneta de poupança não serão suficientes e temos de buscar outras formas de financiamento”, diz.

Além da dupla garantia, do banco e dos recebíveis, o que faz o papel ser conhecido também como “covered bond”, ou bônus com cobertura, a LIG tem a vantagem da isenção de imposto de renda para o investidor, o que ajuda o banco a oferecer uma taxa mais baixa e, com isso, baixar o custo das linhas de crédito. “Mas hoje os juros do crédito imobiliário já estão no limite hoje, perto de 8%, 9% ao ano, muito próximos da taxa de juro básica Selic, de 6,5% ao ano”, afirma.

Para cair mais o juro do crédito imobiliário, seria preciso que a Selic também caísse, o que só será possível se o país levar adiante as reformas estruturais. “Esperamos que nos primeiros 100 dias do governo Bolsonaro (que toma possem em janeiro) tenhamos algum avanço nas reformas, em especial na da Previdência Social, que hoje está em uma situação insustentável”, afirma. Ele espera que avance também a reforma tributária. Já o presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, afirmou que está esperançoso que o novo governo aprove as reformas. “Se não as reformas necessárias, que sejam as reformas possíveis”, disse.

Segundo Lazari, o Bradesco conseguiu crescer no crédito imobiliário este ano, apesar da retração do mercado em geral. “Conseguimos pela primeira vez passar a líder do mercado, a Caixa Econômica Federal, tanto em pessoas físicas quanto em empresas”, disse. Ele destaca ainda o crescimento em crédito consignado e em crédito de veículos, este último com um aumento de 30% neste ano. “No ano que vem, com o crescimento da economia, a melhora do emprego e a redução da inadimplência, devemos continuar crescendo nessas linhas”, diz. Sobre a rentabilidade do banco, este ano em 18,7%, ele espera um aumento no ano que vem. “O nível de 19% ao ano será nosso ponto de partida, não de chegada”, afirmou.

O banco se prepara para ampliar o crédito também com uma revisão do cálculo da renda dos clientes, que pode permitir uma melhor avaliação de risco e aumento dos limites de empréstimo. “Criamos uma nova área de dados para usar as informações de maneira mais eficiente e estamos usando outras fontes para reavaliar a renda dos clientes e em janeiro devemos começar já a oferecer mais benefícios no crédito”, disse Eurico Ramos Fabri, vice-presidente do Bradesco.

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