BCE reduz projeção de crescimento da Europa e preocupa mercados; bolsas caem e CCR perde 6,6%

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O Banco Central Europeu (BCE), em sua reunião para tratar da política monetária, decidiu hoje adiar alta dos juros prevista para meados deste ano, diante da expectativa de que a economia da zona do euro está mais fraca do que o esperado.

Ao mesmo tempo, anunciou nova rodada de empréstimos para os bancos da região, em outro sinal de preocupação com uma recaída da recessão. A ação do BCE coincide com as de outros bancos centrais, como o Federal Reserve (Fed, banco central americano), o Banco da Inglaterra e o Banco do Povo da China, que também passaram a temer um desaquecimento global mais acentuado.

Fatores como a guerra comercial entre Estados Unidos e China, a saída do Reino Unido da União Europeia, desajustes fiscais na Itália e o desaquecimento estrutural chinês, que empurra junto as commodities e os países emergentes, estão pesando sobre a economia mundial.

Crescimento menor da Europa

Em meio a esse ambiente, o BCE anunciou que reduziu sua projeção de crescimento para este ano da zona do euro de 1,7% em dezembro para 1,1% agora. Ao mesmo tempo, o presidente do BCE, Mario Draghi (na foto), informou que os juros básicos, que subiriam no meio deste ano, devem continuar nos níveis mais baixos da história pelo menos até o fim deste ano, e lançou a terceira fase do programa de refinanciamento de longo prazo para os bancos, com prazo de dois anos. O programa facilitará a rolagem de 720 bilhões de euros em refinanciamentos feitos nos últimos anos e evitará um aperto de liquidez que poderiam prejudicar ainda mais o crédito e a economia da região. Bancos da Itália e da Espanha estão entre os mais beneficiados pela prorrogação do programa.

A manutenção dos subsídios aos bancos, que é positiva para os mercados ao garantir mais dinheiro em circulação, foi vista com preocupação pelos investidores pois sinaliza que a situação da economia da região segue delicada, após anos de retração e deflação e juros negativos. Problemas fiscais, desemprego alto e aumento do populismo e do risco político somam-se aos fatores externos para derrubar a atividade econômica do euro.

Bolsas caem na Europa e EUA

Com isso, as bolsas estão em queda hoje, enquanto o dólar se fortalece diante do euro. O Índice Euro Stoxx 600 cai 0,43%, o DAX, da Alemanha, 0,60% e o CAC, de Paris, 0,39%. Nos EUA, o Índice Dow Jones perde 0,75%, o Standard & Poor’s 500, 0,65% e o Nasdaq, 0,62%. Os juros dos papéis de 30 anos do Tesouro dos EUA estão em queda, de 2,69% ao ano para 2,65%, um sinal de aumento da procura por proteção.

Ibovespa fica estável e CCR perde 6,6% após leniência

No Brasil, o Índice Bovespa passou boa parte da manhã em queda, mas às 14h30 estava praticamente estável, aos 94.238 pontos. Os bancos seguram o índice, com Itaú Unibanco PN subindo 1,15% e Bradesco PN, 0,57%, enquanto   CSN ON cai 2,84% e Petrobras PN está perto da estabilidade. Entre as maiores baixas estão CCR ON, com -6,66%, depois que a concessionária anunciou um acordo de leniência com a Justiça do Paraná para pagar cerca de R$ 750 milhões por fraudes e pagamento de propinas a representantes do governo. Ecorodovias ON também cai, 5,68%, com os investidores vendo possíveis impactos desse acordo também na empresa. Eletrobras PNB cai 4,51% e o papel ON, 3,52%.

Já o dólar comercial está em alta de 1,2%, vendido a R$ 3,88. O dólar turismo sobe 1,5%, para R$ 4,04 para venda.

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