Semana terá crise da Petrobras, reforma adiada, atividade do IBC-Br e PIB da China

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A semana será mais curta por conta do feriado da Sexta-feira da Paixão, mas promete não ser menos pródiga em crises. O mercado acompanhará de perto os desdobramentos da intervenção do presidente Jair Bolsonaro na Petrobras em meio à volta do ministro da Economia, Paulo Guedes, dos EUA, para apagar o incêndio. Há também as dificuldades do governo em fazer avançar a reforma da Previdência na Câmara.

Atividade fraca reflete crises e incertezas

Saem também dados econômicos importantes, que podem mostrar o impacto dessas turbulências, criadas em grande parte pelo próprio governo, e que estão se refletindo em uma frustração de empresários e investidores e em queda na confiança dos agentes econômicos e em uma atividade econômica mais fraca neste início de ano. Bancos como Itaú, Bradesco e BTG Pactual reduziram fortemente suas projeções para o PIB deste ano. Parte desse desaquecimento deve aparecer nas projeções do relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira, e que vem mostrando queda nas projeções para o PIB deste ano semana após semana.

IBC-Br deve mostrar recuperação

Também na segunda, sai o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de fevereiro, uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) oficial calculado pelo IBGE, mas que sai só daqui dois meses. A projeção do banco Credit Suisse é que o IBC-Br tenha alta de 3,5% sobre fevereiro do ano passado, acelerando em relação ao 0,8% de janeiro. Em relação ao mês anterior, o índice deve subir 0,1%, ante uma queda de 0,4% de janeiro em relação a dezembro, ajudado pelo Carnaval ter caído em março, o que aumentou o número de dias úteis.

Apesar da melhora, o IBC-Br de fevereiro vai apenas manter o nível do índice no começo do ano passado. O CS estima que, se o IBC-Br mantiver a estabilidade em março, o primeiro trimestre deve fechar com um crescimento de 1%, em março, perto do 1,1% do ano passado. O CS ainda trabalha com um PIB crescendo este ano 2,5%, enquanto várias instituições já estimam um número perto de 1%. Já o Banco Safra estima queda de 0,5% no mês e alta de 2,8% sobre fevereiro do ano passado para o IBC-Br.

IGP-10 desacelera em abril

Se a economia segue fraca, a inflação deve começar a voltar aos trilhos depois do saldo em março. Também na segunda-feira, a Fundação Getulio Vargas trará os dados do IGP-10 de abril, que o mercado espera tenha fechado em alta de 0,87%, desacelerando em relação ao 1,4% de março. O Banco Fator também espera uma desaceleração da alta dos preços de março para abril, para 0,90%, causada, principalmente, pelo recuo na taxa do índice que mede preços agropecuários.

Petrobras explica reajuste do diesel a Bolsonaro na terça

Na terça-feira, a expectativa é com a reunião convocada por Bolsonaro com a diretoria da Petrobras para que a empresa explique o reajuste de 5,7% que tentou aplicar ao diesel na semana passada, mas que foi barrado pelo presidente. A decisão, uma intervenção direta na política de preços da estatal, provocou uma crise que fez a estatal perder R$ 32 bilhões em valor de mercado.

Uma crise que se reparte em três, pois ao interferir nos preços da estatal Bolsonaro contrariou o discurso de sua equipe econômica, que estava em Washington participando da reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI), e criou um clima de desconfiança sobre o poder da área econômica em deixar o presidente longe das políticas populistas. A decisão causou um desgaste para o ministro Paulo Guedes, que nem foi consultado sobre a intervenção. Além disso, mostrou que o governo terá de encontrar uma saída para evitar a greve dos caminhoneiros com algum custo fiscal ou político.

Guedes tenta justificar decisão de Bolsonaro

Em Washington, Guedes tentou fugir das perguntas dos jornalistas sobre o assunto, mas no fim admitiu que vai tratar da intervenção quando chegar ao Brasil na terça-feira. “O presidente já disse a vocês que ele não era um especialista em economia, então é possível que alguma coisa tenha acontecido lá (no Brasil), e ao mesmo tempo ele está preocupado com efeitos políticos, estavam falando em greve dos caminhoneiros, então é possível que ele esteja lá tentando manobrar com isso”, tentou justificar aos jornalistas que o acompanham em Washington. Questionado se o governo não teria cedido rápido demais aos caminhoneiros, Guedes afirmou que concordava com essas preocupações e que “iria se informar”.

Uma crise dentro de várias

Isso leva a outro aspecto da crise da intervenção na Petrobras, que é a forma como o governo vai evitar uma nova greve dos caminhoneiros. Analistas lembram que o problema do diesel é um problema mundial, dos preços do petróleo que subiram, e que a única saída seria o governo retomar o subsídio ao combustível, o que aumentaria o déficit público. Outra forma é deixar a conta para a Petrobras, como fizeram outros governos, o que é o grande receio dos investidores na empresa. A vantagem do governo agora é que ele está mais preparado para enfrentar uma greve e já vem negociando com as lideranças.

Previdência em banho-maria nas mãos do Centrão

Também na terça-feira, devem ser retomadas as discussões na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) sobre a reforma da Previdência. Ou não. O Centrão está forçando a mudança na pauta de votações para aprovar antes o projeto do orçamento impositivo, que obriga a liberação de verbas de emendas parlamentares. Com o governo sem base no Congresso e o presidente Bolsonaro ainda fora de sintonia com os parlamentares, o mais provável é que a votação do texto do relator da Previdência seja adiada.

Dados importantes nos EUA, Europa e PIB da China

Ainda na terça-feira, saem dados importantes no exterior, como o Índice de Expectativas ZEW na Alemanha e a Confiança Econômica na zona do euro, ambos de abril. Nos EUA, sai a produção industrial de março e a utilização da capacidade, e dados da Associação Nacional dos Corretoras de Imóveis (NAHB) do mercado imobiliário residencial relativos a abril.

Na China, sai o PIB do primeiro trimestre, que pode desacelerar levemente de 6,4% para 6,3%. Saem ainda os investimentos fixos, vendas no varejo e produção industrial de março.

Na quarta-feira, o Japão divulga sua produção industrial de março. Na Europa, sai a inflação ao consumidor (CPI) do Reino Unido de março e a da zona do euro relativa a abril. Nos EUA, será conhecida a balança comercial de fevereiro.

Caged e arrecadação federal sem data

Sem data definida, o Ministério do Trabalho deve divulgar os números de emprego do Caged de março e a arrecadação federal do mês passado.

No Brasil, a FGV divulga a segunda prévia do IGP-M de abril.

Na quinta-feira, último dia antes do feriado, o mercado acompanhará dados internacionais importantes, como o índice dos gerentes de compras (PMI) da zona do euro de abril, e as vendas no varejo de março nos EUA e os estoques industriais de fevereiro. Sai ainda o Índice de Manufatura da Filadélfia.

Local

Na agenda econômica, será divulgado a prévia do IGP-M, números de arrecadação tributária e dados de atividade de março – IBC-Br e CAGED. O viés para os indicadores
é negativo, sugerindo um primeiro trimestre ainda fraco. Na esfera política, o foco continua na votação da reforma da previdência na CCJ.

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