Copom corta juro para 5% e indica 4,5% em dezembro; poupança renderá 0,26% ao mês; confira como ficam as aplicações

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O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu hoje a taxa básica de juros da economia de 5,5% ao ano para 5,0%, a menor da história recente do país, e já indicou que vai cortar a Selic em mais 0,5 ponto percentual na próxima reunião de dezembro, para 4,5%. O Copom deixou ainda em aberto se vai continuar reduzindo os juros no começo do ano que vem, afirmando que novos cortes vão depender das condições da economia. Com isso, ganham forçam as projeções de alguns bancos e gestores de fundos que acreditam em uma Selic de 4% ou menos no ano que vem.

Boas e más notícias sobre uma taxa de juros

A queda dos juros é uma boa e uma má notícia. É boa pois vai reduzir o custo dos empréstimos para pessoas e empresas e vai facilitar as compras parceladas, o consumo e os investimentos, caso da compra da casa própria, por exemplo. Mas é uma má notícia, pois reflete a necessidade do BC de estimular a economia, que continua fraca mesmo depois de todos os cortes e incentivos dados pelo governo neste ano.

Poupança vai render 0,26% ao mês em 2020

É uma má notícia também para quem vivia de juros e estava acostumado com taxas de quase 1% ao mês. As cadernetas de poupança, por exemplo, cujos depósitos feitos a partir de 4 de maio de 2013 rendem 70% da taxa Selic, devem passar a render 0,26% ao mês (3,15% ao ano) no ano que vem, quando a taxa cair para 4,5%. Na prática, quem aplicar R$ 1 mil receberá de rendimento mensal R$ 2,60. Para R$ 10 mil, R$ 26,00 e, para R$ 100 mil, R$ 260,00.

Fundos não poderão cobrar mais de 0,5% de taxa para ganhar da poupança

E fundos de investimento de renda fixa conservadores, que aplicam em papéis corrigidos pela Selic ou por seu similar privado, o juro do CDI diário, não vão poder cobrar mais de 0,5% ao ao ano de taxa de administração para conseguir empatar com a poupança. Isso porque os fundos, além da taxa de administração que vai para o banco, também sofrem a incidência de imposto de renda, que vai de 22,5% sobre o rendimento das aplicações até seis meses, 20% de seis meses a um ano, 17,5% de um ano a dois e 15% acima de dois anos.

E não são apenas os fundos de renda fixa que vão ter de ajustar suas taxas de administração. Fundos multimercados e de ações também vão ter de se ajustar, explica José Eduardo Ribeiro Brazuna, da BR Investing consultoria. Para obter o mesmo retorno com taxa de juro menor, ou o gestor reduz a taxa de administração, ou terá de correr mais risco para render muito mais que hoje em relação ao referencial.

Aplicação antiga em caderneta vai render mais que a Selic

CDBs atrelados ao CDI também só valerão a pena se pagarem mais de 90% do referencial, para não ficar atrás da poupança. Aliás, aplicadores com depósitos mais antigos em caderneta, anteriores à mudança feita em 4 de maio de 2013, não têm do que reclamar, pois vão continuar recebendo o rendimento de 0,5% ao mês, ou 6,17% líquidos de imposto de renda, mais que a Selic bruta. Mas isso só vale para os depósitos feitos até aquela data, não para as contas abertas antes. Depósitos feitos depois em contas antigas terão rentabilidade de 70% da Selic.

Aplicações no Tesouro Direto atreladas ao juro Selic, as LTN, ou Tesouro Selic, também vão ter ganhos menores, pela cobrança do imposto de renda. Uma aplicação de até seis meses vai render líquido 3,49% ao ano, mais que a poupança, desde que o investidor não tenha de pagar nenhuma taxa para a corretora.

A hora dos desprezados chegou

O juro baixo vai também valorizar outros tipos de aplicação que nos tempos do juro alto eram desprezadas pelos investidores. Caso dos fundos imobiliários, que também são isentos de imposto de renda nos rendimentos, e que devem pagar mais que o juro básico. E as ações de empresas que pagam dividendos, que também são isentos por enquanto. Mesmo uma empresa que distribua o equivalente a 4,5% do valor de sua ação já estará pagando mais que o juro básico. Papéis de empresas isentos, como debêntures de infraestrutura ou Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) ou Imobiliários (CRI) também passam a ter um rendimento competitivo em relação às aplicações tradicionais.

Cuidado com o risco de crédito

O investidor só precisa tomar cuidado ao escolher novas aplicações. É preciso avaliar bem o risco de cada uma delas, para evitar perdas, pois fundos imobiliários e papéis de crédito privado são garantidos apenas pelas próprias empresas emissoras.

A queda dos juros também favorece a bolsa, ao reduzir o custo para as empresas tomarem recursos e favorecer o crédito e o consumo. Há um impacto também no preço das ações pela forma como são calculados, levando em conta os ganhos futuros e descontada a taxa de juros do período. Com juros menores, o desconto sobre o ganho futuro é menor e o valor presente é maior.

Juro real mais magro

Outro cuidado é avaliar se o rendimento da aplicação compensa pelo menos a inflação. Com juros de 4,5% ao ano, o rendimento líquido do investidor vai ficar entre 3,49% no prazo mais curto e 3,82% acima de dois anos, equivalentes à taxa Selic menos o imposto de renda. A inflação projetada para 2019, 2020, 2021 e 2022 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 3,3%, 3,6%, 3,75% e 3,5%, respectivamente, como mostra o BC. Ou seja, o ganho real será bem baixo, inferior a 1% ao ano, e por um período razoavelmente longo. O mercado estima que a taxa de 4,5% ou menos ficará em vigor de dezembro deste ano até o fim do ano que vem.

Achou ruim? Vá para Europa para ver…

Se serve de consolo, o juro brasileiro é ainda muito superior ao de outros países, sem falar na Europa, onde a taxa é negativa, ou seja, o investidor paga para deixar o dinheiro guardado no banco.

Confira abaixo a íntegra do comunicado do Copom de hoje.

“Em sua 226ª reunião, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 5,00% a.a.

A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

Indicadores de atividade econômica divulgados desde a reunião anterior do Copom reforçam a continuidade do processo de recuperação da economia brasileira. O cenário do Copom supõe que essa recuperação ocorrerá em ritmo gradual;

No cenário externo, a provisão de estímulos monetários adicionais nas principais economias, em contexto de desaceleração econômica e de inflação abaixo das metas, tem sido capaz de produzir ambiente relativamente favorável para economias emergentes. Entretanto, o cenário segue incerto e os riscos associados a uma desaceleração mais intensa da economia global permanecem;

O Comitê avalia que diversas medidas de inflação subjacente encontram-se em níveis confortáveis, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária;

As expectativas de inflação para 2019, 2020, 2021 e 2022 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 3,3%, 3,6%, 3,75% e 3,5%, respectivamente;

No cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do Copom situam-se em torno de 3,4% para 2019, 3,6% para 2020 e 3,5% para 2021. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2019 em 4,50% a.a., permanece nesse patamar ao longo de 2020 e se eleva até 6,38% a.a. em 2021. Também supõe trajetória para a taxa de câmbio que termina 2019 em R$ 4,00/US$, permanece nesse patamar ao longo de 2020 e encerra 2021 a R$3,95/US$; e

No cenário híbrido com taxa de câmbio constante a R$4,05/US$* e trajetória de juros da pesquisa Focus, projeta-se inflação em torno de 3,4% para 2019, 3,7% para 2020 e 3,6% para 2021.

O Comitê ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. Por um lado, a combinação (i) do nível de ociosidade elevado e (ii) da potencial propagação da inflação corrente, por mecanismos inerciais, pode continuar produzindo trajetória prospectiva abaixo do esperado. Por outro lado, (iii) o atual grau de estímulo monetário, que atua com defasagens sobre a economia, aumenta a incerteza sobre os canais de transmissão e pode elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária. O risco (iii) se intensifica no caso de (iv) deterioração do cenário externo para economias emergentes ou (v) eventual frustração em relação à continuidade das reformas e à perseverança nos ajustes necessários na economia brasileira.

Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela redução da taxa básica de juros para 5,00% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e balanço de riscos para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui o ano-calendário de 2020 e, em grau menor, o de 2021.

O Copom reitera que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.

O Copom avalia que o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira tem avançado, mas enfatiza que perseverar nesse processo é essencial para permitir a consolidação da queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes.

Na avaliação do Copom, a evolução do cenário básico e do balanço de riscos prescreve ajuste no grau de estímulo monetário, com redução da taxa Selic em 0,50 ponto percentual. O Comitê avalia que a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir um ajuste adicional, de igual magnitude. O Copom entende que o atual estágio do ciclo econômico  recomenda cautela em eventuais novos ajustes no grau de estímulo. O Comitê reitera que a comunicação dessa avaliação não restringe suas próximas decisões e enfatiza que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Roberto Oliveira Campos Neto (Presidente), Bruno Serra Fernandes, Carolina de Assis Barros, Fernanda Feitosa Nechio, João Manoel Pinho de Mello, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso e Paulo Sérgio Neves de Souza.

*Valor obtido pelo procedimento usual de arredondar a cotação média da taxa de câmbio R$/US$ observada nos cinco dias úteis encerrados na sexta-feira anterior à reunião do Copom.

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