Copom reduz juro para 4,25%, menor da história, e encerra os cortes; poupança renderá menos que inflação e bancos diminuem custo do crédito

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu o juro básico da economia de 4,50% para 4,25% ao ano, a menor da história do país, e indicou que não vai mais cortar os juros, conforme comunicado divulgado junto com a decisão. No comunicado, o Copom diz que “entende que o atual estágio do ciclo econômico recomenda cautela na condução da política monetária” e que “vê como adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária”. A expectativa agora é que essa taxa permaneça ao menos até o fim deste ano e talvez continue até o começo do ano que vem. O comportamento das projeções para a inflação e a atividade no ano que vem, por sua vez, serão cada vez mais importantes para os próximos passos do Copom nos juros.

O corte tem um lado bom, de reduzir o custo dos empréstimos para empresas e pessoas. Os bancos já anunciaram que vão cortar os juros, mas apenas o Banco do Brasil deu os números. As linhas Desconto de Cheques, Desconto de Títulos e antecipação de crédito ao lojista (ACL), passarão a contar com taxas a partir de 1,19%, 0,93% e 0,88% ao mês, respectivamente, ante 1,23%, 1,04% e 0,94% ao mês hoje.

Já para as linhas de capital de giro, a taxa mínima do BB passará de 1,22% ao mês para 1,12% ao mês, no patamar mínimo. A Conta Garantida passará a ter taxa mínima de 2,27% ao mês (ante os atuais 2,36%). No crédito imobiliário, a aquisição de imóveis nas linhas Carteira Hipotecária e Sistema Financeiro da Habitação (SFH) terão juros reduzidos de 7,20% ao ano para 6,99% ao ano mais Taxa Referencial. As novas condições do BB entrarão em vigor na segunda-feira, dia 10.

Os números mostram, porém, que apesar da queda, as taxas continuam elevadas, o que vale especialmente para o cheque especial e os créditos sem garantia. Por isso, é recomendável continuar usando essas linhas com cautela e só em casos de emergência, pelo menor prazo possível.

Outra boa notícia é que a queda dos juros reduz também a despesa do governo com sua dívida. Como esses juros são pagos com o dinheiro dos impostos, uma despesa menor é benéfica para toda a população e fará sobrar mais para outras áreas importantes.

A má notícia é que a queda dos juros reflete o desaquecimento da economia brasileira, que precisa de mais incentivos via taxas de juros e aumento do crédito para voltar a crescer e gerar empregos e renda.

Outra notícia ruim é para os investidores, que ganharão menos em suas aplicações de renda fixa. A poupança, que rende 70% da Selic para os depósitos feitos a partir de 4 de maio de 2012, o que equivale a 2,97% ao ano, menos que a inflação projetada para este ano, de 3,35% pelo IPCA, e igual a um ganho mensal de 0,24%. Mas atenção: os depósitos em poupança feitos antes de 4 de maio de 2012 continuam rendendo 0,5% ao mês, ou 6,17% ao ano, o que é um ótimo rendimento hoje.

Se a poupança renderá pouco, os fundos de investimento de renda fixa mais conservadores, os DI, também não terão desempenho muito melhor. Para empatar com a poupança, esses fundos, que além de imposto de renda cobram ainda uma taxa pela administração do dinheiro dos clientes, terão de cobrar no máximo 0,75% ao ano. Se o fundo cobrar mais que isso, a poupança renderá mais.

Também terão seu rendimento reduzido as aplicações em CDBs de bancos, LCIs e LCAs corrigidas pelo juro do CDI, que é o overnight dos papéis privados e que acompanha a Selic. Os títulos do Tesouro Direto Tesouro Selic também passam a render, a partir de amanhã, 4,25% ao ano, menos imposto de renda, o que seria equivalente a um ganho 3,61% considerando a menor alíquota de imposto de renda, de 15% para dois anos de aplicação. Se for considerada a alíquota para prazos de até seis meses, de 22,5%, o valor que irá para o bolso do investidor que conseguir 100% da Selic será equivalente a 3,29%. Portanto, ainda valerá a pena trocar a poupança pelo Tesouro Selic, desde que não haja mais nenhuma taxa cobrada pela corretora ou pelo banco. Ou por um CDB com rendimento de 100% ou um pouco mais que o CDI.

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